Manejo da imprensa e da censura na China destacam diferenças no Partido Comunista

Hu Chunhua, secretário do Partido Comunista Chinês na província de Guangdong, intercedeu recentemente para resolver um desentendimento entre jornalistas do Semanário do Sul e autoridades da propaganda (Mark Ralston/AFP/Getty Images)

O chefe do Partido Comunista Chinês (PCC) na província de Guangdong, que tem sido local de protestos sobre a liberdade de imprensa na China durante a última semana, interveio pessoalmente para mediar uma disputa entre jornalistas e autoridades de propaganda recentemente, conseguindo um acordo com os revoltados trabalhadores de mídia.

Hu Chunhua, o secretário do PCC em Guangdong, ajudou a intermediar um acordo para que jornalistas do influente jornal Semanário do Sul concluíssem uma greve e ficassem isentos de punição, segundo a Reuters.

Muitos funcionários do jornal se recusaram a retornar ao trabalho após Tuo Zhen, o chefe de propaganda (censura) de Guangdong, usar o jornal para fazer propaganda pró-PCC no dia de Ano Novo, passando por cima dos editores-chefes do periódico e reescrevendo pessoalmente um editorial. O incidente enfureceu os funcionários do Semanário.

Desde esse incidente, chineses têm protestado em frente à sede do jornal e depositado flores. Autoridades de propaganda também revidaram e o incidente tem revelado diferentes visões do regime chinês sobre como lidar com as questões de liberdade de imprensa e como responder à frustração dos jornalistas pela intromissão do PCC.

Em resposta aos protestos dos jornalistas do Semanário do Sul, funcionários de propaganda publicaram em resposta um editorial no Global Times, uma mídia estatal nacionalista, e numa variedade de jornais em 7 de janeiro. Eles se defrontaram com firme resistência em várias publicações. O editorial afirmou que Tuo Zhen, o chefe de propaganda de Guangdong, não foi o responsável pela reescrita do editorial de Ano Novo e que “forças estrangeiras hostis” estariam de alguma forma envolvidas.

Em seguida, o Departamento de Propaganda enviou um aviso proibindo que jornalistas publicassem declarações online em apoio ao Semanário do Sul.

No entanto, os pontos de vista na Central do PCC sobre como lidar com este incidente podem não ter sido unânimes. Um editorial do Diário do Povo, também em 7 de janeiro, pediu às autoridades de propaganda na China que “andem precisamente na batida do governo central e se adaptem ao ritmo dos tempos modernos”. O Diário publicou outro editorial em 8 de janeiro, citando o líder chinês Xi Jinping dizendo, “Apenas incentivando continuamente experimentos e inovações ousados a reforma avançará e se aprofundará progressivamente.”

Isto foi interpretado por alguns como sinalizando que uma abordagem mais moderada de controle da mídia seria adotada.

Os manifestantes continuaram a se reunir em frente ao prédio do Semanário do Sul enquanto as negociações ocorriam. Em 8 de janeiro, uma grupo de maoístas chegou, exibindo cartazes e xingando simpatizantes da mídia em disputa com o regime.

“Quase ninguém lá os apoiou”, segundo Yu Gong, um residente de Guangzhou, falando à Rádio Som da Esperança (SOH).

A polícia não tentou encerrar os protestos, como costuma fazer.

Abordagens distintas

Os diferentes pontos de vista do regime sobre como lidar com as disputas entre as autoridades de propaganda e a imprensa também foram expostos no incidente do Semanário.

Hu Chunhua, o chefe do PCC em Guangdong, interveio pessoalmente para mediar um acordo. Uma fonte também disse à Reuters que Tuo Zhen, que impôs a mão pesada da censura sobre o jornal iniciando os desentendimentos recentes, pode ser removido de seu posto mais tarde pela maneira como lidou com o incidente.

Wu Jiaxiang, um estudioso de política de Pequim que foi conselheiro do ex-líder chinês deposto Zhao Ziyang, comentou que duas abordagens se destacaram do que ele chamou de “dois centros de poder” no regime.

O Diário do Povo é o porta-voz direto de Xi Jinping, disse Wu Jiaxiang, enquanto Liu Yunshan, um membro do Comitê Permanente, e o chefe de propaganda Liu Qibao foram instruídos a comandar a imprensa e os oficiais de propaganda e a transmitirem a mensagem de que “cantavam uma música completamente oposta” à de Xi Jinping, disse Wu Jiaxiang ao Apple Daily de Hong Kong.

Chris Wu, editor-chefe do China Affairs, um website focado em política chinesa baseado nos Estados Unidos, advertiu que ainda pode haver punições para aqueles que desafiaram abertamente as autoridades comunistas.

“Depois do massacre da Praça da Paz Celestial (Tiananmen) em 1989, muitos foram punidos. Alguns foram forçados a fugir do país, outros foram perseguidos e morreram ou foram enviados para a prisão”, disse Wu Jiaxiang.

O comentarista político Lan Shu, falando à SOH, disse que, mesmo que Tuo Zhen seja removido, “nada será mudado a respeito do controle do PCC sobre a mídia”, e acrescentou, “Ainda não há liberdade de imprensa e a mídia não pode falar pelo povo.”

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