Lula em Cuba: a omissão das mídias

Especialistas questionaram o obscuro itinerário e a ausência de mais detalhes ou de quase qualquer relato na grande mídia dos EUA ou do Brasil a respeito.

Por Marcos Schotgues

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou uma viagem internacional para Cuba entre 19 de dezembro do ano passado e 20 de janeiro deste ano para participar em um novo documentário do cineasta Oliver Stone, duas vezes vencedor do Oscar, prêmio máximo da indústria.

Entretanto, especialistas questionaram o obscuro itinerário e a ausência de mais detalhes ou de quase qualquer relato na grande mídia dos EUA ou do Brasil a respeito.

O ex-presidente era amigo íntimo do falecido ditador cubano Fidel Castro e manteve com ele diálogo ao longo de anos, o qual após seguiu com seu irmão e atual governante da ilha, Raúl Castro.

Em 1990, Lula fundou junto de Fidel o Foro de São Paulo, apontado por muitos especialistas, com base nas suas atas públicas e depoimentos de seus membros, como a força articuladora da esquerda política na América Latina. 

A organização, além do histórico genocida Cubano e do ex-presidente condenado à prisão, manteve integrantes como os comandantes das FARC, Manuel Marulanda e Raul Reyes; Cristina Kirchner; Evo Morales e o MIR chileno.

A vastidão dos atos criminosos cometidos por entidades filiadas e endossadas pelo Foro de São Paulo inclui o tráfico de drogas e o sequestro, inclusive de brasileiros, de acordo com a polícia chilena.

Segundo seu próprio co-fundador, a instituição é responsável pela ascensão ao poder de diversos líderes no continente, incluindo de agentes do movimento comunista treinados em Cuba, como José Dirceu, ex-ministro chefe da Casa Civil, conforme aponta um relatório militar.

Apesar de seu papel proeminente em moldar a política continental nas últimas décadas, informes a respeito da instituição foram amplamente inexistentes na grande mídia, em comparação à magnitude de suas atividades. 

A existência do Foro teria sido completamente omitida do público durante os primeiros 7 anos de sua existência, até o advogado José Carlos Graça Wagner o denunciar publicamente em 1997. A insistência de seus integrantes em mentir, negando-o apesar de evidências objetivas de fontes primárias, expôs delatores ao ridículo como conspiracionistas.

Nos 4 principais veículos midiáticos do país, que, segundo o media ownership monitor, retém cerca de 70% da audiência nacional, dificilmente encontra-se menção antes de 2010, após 20 anos de atividades à tamanha instituição, capaz articular rumos continentais.

Percival Puggina, referência jornalística brasileira, questiona, valendo-se do conhecimento sobrescrito, se não vale refletir: o retumbante silêncio e a absoluta ausência de qualquer interesse da grande mídia em cobrir a visita de Luiz Inácio Lula da Silva à Cuba, “não é por si só uma notícia importante?”

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