Lava Jato respira com sofreguidão e testará no STF sua sobrevivência, diz especialista

“[A continuidade] vai depender muito da relação que se estabelecer entre os atores políticos, o ministro [Moro] e a própria reação do Supremo Tribunal Federal”

Por Agência Sputnik Brasil

Deflagrada em 2014, a Operação Lava Jato tenta continuar em pleno curso, com perspectivas de ainda se desdobrar em mais algumas fases em meio aos escândalos de vazamento de mensagens e derrotas no Supremo Tribunal Federal (STF).

Era manhã desta quinta-feira (8) quando o empresário brasileiro Eike Batista era levado da sua casa no Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio de Janeiro, onde há cerca de dois anos e meio cumpria medida cautelar, para cumprir novamente pena em regime fechado.

A prisão de Eike Batista ocorre em meio ao momento mais conturbado dos 5 anos de operação. Após a nomeação do ex-juiz Sergio Moro como ministro da Justiça e Segurança Pública e das mensagens trocadas entre Moro e o procurador Deltan Dellagnol divulgadas pelo site The Intercept Brasil, começaram a surgir questionamentos sobre a imparcialidade da maior operação contra a corrupção já realizada no Brasil.

Em entrevista à Sputnik Brasil, Rodrigo Prando, cientista político e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, explica que a prisão de Eike Batista mostra que a Operação Lava Jato ainda está viva, mas enfraquecida.

“A Lava Jato respira com sofreguidão, a classe política e uma parte da sociedade já não a aceitam como aceitaram nos primórdios”, disse.

Uma das derrotas recentes mais significativas da Lava Jato ocorreu ontem, quarta-feira (7), quando o Supremo Tribunal Federal impediu a transferência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva da carceragem da Polícia Federal em Curitiba para o presídio de Tremembé, em São Paulo.

“O Supremo Tribunal Federal deu um recado claro à Polícia Federal, que por sua vez está sob o guarda-chuva do Ministério do Sergio Moro. Indiretamente foi um recado para o ministro Sergio Moro”, afirmou Rodrigo Prando.

O cientista político ainda vai mais longe e diz que esse embate entre a Força Tarefa e o STF será o definidor de águas para a continuidade da Operação Lava Jato.

“[A continuidade] vai depender muito da relação que se estabelecer entre os atores políticos, o ministro [Moro] e a própria reação do Supremo Tribunal Federal”, disse.

Rodrigo Prando chamou atenção para o julgamento que acontecerá na Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal em que os ministros do colegiado irão analisar o recurso da defesa do ex-presidente Lula que pede suspeição do ministro Sergio Moro após a divulgação das suas conversas com Dallagnol.

“Me parece que o elemento principal é o julgamento que o STF fará em breve da suspeição do juiz Sergio Moro em relação a condenação do presidente Lula. Se o plenário considerar que Moro exorbitou suas funções isso pode acarretar na liberdade do ex-presidente Lula”, analisou.

Após Marco Aurélio Mello ter votado contrário a suspeição, os outros ministros pediram para adiar o julgamento para data ainda indefinida.

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