Lares vazios trazem sofrimento para um crescente número de idosos na China

Duas chinesas idosas pedem esmola numa rua movimentada de Shanghai em dezembro de 2006. O número de idosos que tem sido abandonado por filhos que buscam trabalho nas cidades cresce alarmantemente na China (Mark Ralston/AFP/Getty Images)

Na China, a família tradicional era um amálgama de gerações que viviam na mesma casa, com as crianças cuidando de seus pais idosos. Isso tem mudado há décadas, mas o problema agora está chegando a um ponto crítico, com idosos em algumas áreas rurais mantendo uma garrafa de pesticida pronta para o caso de ficarem doentes e não haver quem cuide deles.

Hoje, o envelhecimento da sociedade chinesa, combinado com a prole ausente e a frágil estrutura social para atender aos idosos, bem como a deficiente ou inexistente renda da aposentadoria, somam-se a um número crescente de idosos que têm de sobreviver por conta própria. Eles têm sido chamados de “os dos ninhos vazios”.

Estatísticas revelam o alcance e a urgência do problema. O Comitê Nacional do Envelhecimento da China afirmou no final de 2012 que, no ano seguinte, pessoas com mais de 60 anos superariam 200 milhões e que em 2050 cerca de um terço da população será idosa, informou a mídia estatal Xinhua.

O crescimento do segmento populacional sênior da China é o dobro dos países desenvolvidos, segundo um artigo do Diário do Povo, uma mídia porta-voz do regime. A proporção de idosos em relação aos mais jovens tem sido distorcida pela política do filho-único, com cada vez menos jovens e mais idosos em comparação com outros países.

Em 2004, havia 23,4 milhões de idosos solitários, cujos filhos não estavam em casa para cuidar deles, pois geralmente estão trabalhando em outras regiões, segundo a Xinhua. Em janeiro de 2013, o Diário do Povo escreveu que dos 178 milhões de chineses com mais de 60 anos, cerca de metade vive sozinho.

Idosos no campo sofrem mais

Jason Ma, um comentarista de assuntos sociais chineses, acredita que o número de idosos em lares vazios nas áreas rurais poderia ser de 100 milhões.

Ele culpa a política do filho-único do Partido Comunista Chinês (PCC) pelo problema. A China implementou esta política em 1980 e nos próximos cinco a dez anos os pais desses filhos-únicos entrarão na velhice. “Neste período, a taxa de ninhos vazios na China rural será superior a 70%, o que terá enormes consequências sociais”, disse Jason Ma à NTDTV.

Embora 70-80% dos idosos vivam nas áreas rurais da China, segundo Jason Ma, planos de aposentadoria e pensão só estão disponíveis para moradores da cidade. Os idosos rurais não estão integrados no sistema de bem-estar social existente. “Seus sofrimentos são invisíveis para a sociedade. Eles não têm voz ou perspectiva”, disse Jason Ma.

Pesquisas confirmam as declarações de Jason Ma. Um estudo conjunto de 2012 realizado pela Escola de Finanças da Universidade Anhui de Finanças e Economia e pelo Centro de Pesquisa para Seguro e Previdência da Universidade Sudoeste de Finanças e Economia disse que em 2010 apenas 32,17% dos idosos rurais terão algum tipo de segurança previdenciária.

Durante as décadas de significante crescimento econômico anual, o regime falhou em criar um sistema de segurança social que abrangesse a população, disse Jason Ma.

Suicídios

Jason Ma disse que muitos idosos em áreas rurais, sem o apoio de qualquer sistema de atendimento a idosos, não têm opção a não ser morrer quando são atingidos por problemas de saúde agudos. Por exemplo, na província de Hunan, que é relativamente rica, muitos idosos nas áreas rurais têm uma garrafa de pesticida ao lado para beberem no caso de não poderem pagar por tratamento médico, afirmou Jason Ma.

A taxa de suicídio entre idosos rurais chineses é cinco vezes maior do que suas contrapartes urbanas, segundo Fei Lipeng, diretor-executivo do Centro de Pesquisa e Prevenção do Suicídio de Pequim, que falou com a mídia financeira chinesa Caixin em 2010.

Li Baoku, presidente da Fundação de Desenvolvimento da Idade da China, disse que a taxa de suicídio entre idosos rurais é quatro a cinco vezes maior do que a média mundial.

Na região de Jingshan, na província de Hubei, há casas de suicídio ou cavernas preparadas para quem deseja se matar. “Um grande número de idosos doentes que não quer acrescentar um fardo para seus filhos, escolhe acabar com a própria vida”, disse Li Baoku.

Política do filho-único

O demógrafo Yi Fuxian estima que havia 218 milhões de famílias de filho-único entre 1975 e 2010. O censo de 2000 mostrou que de cada 10 mil recém-nascidos 463 morrem antes dos 25 anos. Isso significa que mais de 10 milhões de filhos-únicos morrerão antes de completarem 25 anos.

O resultado alarmante será este: num futuro próximo, haverá mais de 10 milhões de famílias sem filho ou filha adulto para cuidar dos pais idosos, segundo o jornal Beijing Times.

O rápido envelhecimento da sociedade chinesa é o resultado da política do filho-único do Partido Comunista, que está em vigor há mais de 30 anos, explicou Jason Ma. O número de recém-nascidos na China já não pode substituir aqueles que morrem – algo que os planejadores centrais do PCC não previram.

Muitos economistas acreditam que a China deveria ter posto fim à política do filho-único uma década atrás. “Se nada for feito para mudar isso agora”, diz Jason Ma, “o povo chinês terá de enfrentar consequências desastrosas.”

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