Juiz diz que colheita forçada de órgãos ocorre na China desde 1980

O juiz Pan Renqiang com sua família (NTDTV)

Um juiz aposentado da cidade de Wuhan, na China central, disse à emissora independente NTDTV no dia 4 de julho que, por mais de 30 anos, os departamentos de segurança do Partido Comunista Chinês (PCC) têm extraído órgãos de prisioneiros executados para transplante.

A entrevista com a NTDTV é incomum porque Pan Renqiang, ex-juiz da Vara Criminal No. 1 de Wuhan, forneceu seu nome completo e sua posição e ainda está na China. Sua participação na entrevista também sinaliza que as pessoas na China estão sendo informadas e se conscientizando sobre a colheita de órgãos realizada pelas forças de segurança e pelo aparato militar-médico do PCC, um assunto que é fortemente censurado.

“Em 1983, o Comitê de Assuntos Político-Legislativos [CAPL] do PCC enviou um aviso ao Ministério da Saúde estabelecendo o precedente”, disse Pan. O CAPL é um comitê de alto nível no PCC, que supervisiona todos os órgãos de aplicação da lei na China, incluindo a polícia, os campos de trabalhos forçados, a polícia secreta, etc. “Foi dito que todas as autoridades de segurança pública deveriam cooperar com as autoridades de saúde na remoção dos órgãos de prisioneiros no corredor da morte.”

Pan continuou: “Eu lucrei, participei e testemunhei isso.”

Ele também explicou o processo pelo qual os órgãos são colhidos de prisioneiros executados. Informações detalhadas e precisas sobre isso muitas vezes são difíceis de obter, uma vez que os participantes são geralmente funcionários da segurança pública ou vítimas que tiveram seus órgãos extraídos. Pan indica que as autoridades judiciais saberiam antecipadamente que órgãos seriam removidos.

“Após o prisioneiro ser condenado à morte, mas antes da sentença ser cumprida, dávamos uma injeção no prisioneiro para evitar que o sangue coagulasse e fazíamos qualquer outra coisa que o médico precisasse. O departamento forense lidaria com o lado operacional, um médico conduziria uma ambulância ao local e no local da execução removeriam os órgãos.”

Em seguida, o corpo é incinerado. “As autoridades de segurança pública enviariam dúzias de policiais para o crematório para vigiar o processo”, disse Pan.

Segundo especialistas, até o fim da década de 90 as forças de segurança chinesas começaram a fazer experiências com prisioneiros uigures da consciência como fonte de órgãos para transplante. Anos mais tarde, eles começaram a explorar extensivamente outra fonte: os praticantes do Falun Gong, uma prática espiritual que o PCC começou a perseguir em 1999. Nos primeiros anos do novo milênio, praticantes do Falun Gong em campos de trabalhos forçados e prisões foram mortos por seus órgãos, segundo relatórios investigativos. E logo se tornaram a maior fonte de órgãos, segundo esses relatórios.

O juiz Pan falou com a NTDTV poucos dias após declarar que oficialmente deixava o PCC. Numa longa entrevista à Rádio Som da Esperança, ele expôs suas décadas de ressentimentos com o regime e o que ele chamou de tratamento profundamente injusto nas mãos de oficiais e desenvolvedores imobiliários corruptos.

De 1997 a 2002, ele passou cinco anos na prisão, devido a uma armação e incriminação forjadas, segundo ele. “Eu teria morrido em 1996, se eu não tivesse ido às pressas para o hospital”, disse ele. “Então, eu não tenho mais medo da morte.”

Pan disse que aderiu ao PCC aos 17 anos. “Esse partido é uma ditadura corrupta que perdeu a confiança do público. Ele oprime o povo e viola seus direitos. Todos o odeiam. Agora, cada vez mais pessoas na China realmente repelem o Partido Comunista”, disse ele na entrevista.

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