Jovem de 18 anos é morto por milícia de Maduro em protesto na Venezuela

Um jovem de 18 anos morreu baleado nesta sexta-feira (28) ao participar de protesto contra o líder venezuelano Nicolás Maduro, faltando dois dias para a eleição da Assembleia Constituinte, de acordo com o Ministério Público Nacional.

A vítima, identificada como Gustavo Villamizar, morreu na cidade de San Cristóbal, província de Táchira, no oeste do país. O enfrentamento da população com as forças de Maduro já deixou 113 mortos em quatro meses, de acordo com o Ministério Público, que nesta sexta-feira retirou uma das vítimas da lista depois de realizar uma investigação.

Pelo menos oito pessoas morreram durante a greve geral de 48 horas realizada entre quarta (26) e quinta-feira (27), sendo cinco no último dia.

Líderes da oposição ao governo de Nicolás Maduro organizaram a população e realizaram protestos em todo o país, mesmo com a proibição de manifestações que atrapalhassem a votação da Assembleia Constituinte, marcada para domingo (30). Entre quarta e quinta-feira, a oposição organizou uma greve geral para pressionar as autoridades a desistir da votação, a qual consideram uma manobra fraudulenta de Maduro para concentrar ainda mais o poder e eventualmente fechar o Parlamento, atualmente de maioria da oposição.

“Fazemos um apelo ao povo da Venezuela para que estejam preparados para dias intensos de protestos nas ruas nesta sexta, sábado e domingo; para que todo o país mostre ao mundo que a Constituinte não tem qualquer legitimidade”, declarou à imprensa o líder Freddy Guevara, em nome da Mesa da Unidade Democrática (MUD).

“Convocamos para que ocupem as principais avenidas, as ruas, e para que fiquem lá até o final desta fraude”, disse o deputado Jorge Milán na mesma coletiva.

O presidente reuniu seus apoiadores para votar em massa na eleição dos 545 membros da Assembleia que irá reformular a Constituição e conduzir o país por tempo indeterminado e com poderes absolutos. A convocação da Constituinte revoltou a população, que vive uma grave crise econômica, com escassez de comida e medicamentos e uma das inflações mais altas do mundo.

A MUD alertou que, se o governo insistir com a Constituinte, após a greve e o protesto de sexta-feira, “boicotará” a votação.

“Que o povo venezuelano continue expressando sua voz nestas horas decisivas. O que acontece se a Constituinte é imposta? Vai agravar a crise. Aonde maduro quer levar o país? A uma explosão social?”, indagou o líder opositor Henrique Capriles em ato.

Diante de uma multidão de apoiadores, no encerramento da campanha da Constituinte, Maduro insistiu e disse que “chovendo, trovejando ou relampejando, a Constituinte acontecerá”, não obstante as pressões internas e externas.

Antes mesmo da tensão da noite de terça-feira, Maduro discursou ameaçando que ele e seus apoiadores iriam pegar em armas se seu governo fosse derrubado, para, segundo ele, manter a paz no país.

Os representantes da oposição se recusam a participar da Assembleia Nacional Constituinte. Eles argumentam que esta não foi convocada em referendo e que o sistema eleitoral foi montado de forma que o governo tem controle total sobre a Constituinte para poder redigir livremente leis a seu favor. Com esse poder à sua disposição, Maduro poderá dissolver o Parlamento de maioria opositora e o Ministério Público, sustenta a oposição.

Maduro acusa seus adversários de incitar a violência e provocar a revolta para dar um golpe de Estado, apoiados pelos Estados Unidos. No entanto, não apenas os EUA que fizeram pressão sobre Maduro pelo fim da Constituinte. Governos da América Latina e da Europa e organizações internacionais também manifestaram sua preocupação por um aprofundamento da crise, pelo genocídio de sua população e pela violação dos direitos humanos.

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