Investigação de corrupção pode visar ex-chefe de propaganda da China

A família do ex-membro do Comitê Permanente do Politburo chinês Li Changchun tem aparecido frequentemente na mídia chinesa recentemente. Isso pode muito bem ser um sinal de que o ex-chefe de propaganda está na mira para uma investigação de corrupção.

Altos oficiais do Partido Comunista Chinês (PCC) e suas famílias são uma elite intocável. Divulgar ou comentar sobre sua riqueza e negócios é um grande tabu, até que os ventos políticos mudem. A recente onda de artigos sobre a família de Li Changchun sugere que agora ele possa ser alvo do Comitê Central de Inspeção Disciplinar.

Nesse caso, ele seria classificado como um “tigre”, um oficial de alto escalão. Li se tornou membro do Politburo em 1997. Em 1998, como um confidente do ex-líder chinês Jiang Zemin, Li foi encarregado de governar a província de Guangdong e controlar as facções locais em nome de Jiang. Ele também executou com entusiasmo a perseguição à disciplina espiritual do Falun Gong na região.

Jiang Zemin lançou uma campanha para erradicar o Falun Gong por medo da popularidade da disciplina e da atratividade do povo chinês por seus ensinamentos morais tradicionais.

Em 2002, no 16º Congresso Nacional do PCC, Li ingressou no Comitê Permanente do Politburo, o corpo de elite cuja liderança coletiva governa o PCC. Li foi encarregado da propaganda e da ideologia.

Como chefe de propaganda, Li trabalhou em estreita colaboração com o Comitê dos Assuntos Político-Legislativos (CAPL), dirigido por Zhou Yongkang, para perseguir o Falun Gong. Li usou seu poder sobre a mídia chinesa para criar uma atmosfera de ódio em torno dos praticantes do Falun Gong.

Li Changchun é um dos oficiais do regime comunista chinês que foi processado em tribunais ocidentais por seu papel na perseguição.

Li também gastou montanhas de dinheiro para espalhar a propaganda do Partido Comunista no estrangeiro, buscando estabelecer o soft power da China e opor-se aos valores universais – os princípios dos direitos humanos e da democracia. Ele visava a influenciar e controlar a opinião pública em comunidades chinesas no estrangeiro e destruir os meios de comunicação independentes em língua chinesa, substituindo suas reportagens sem censura com a cultura do Partido Comunista.

Li Changchun é notório por seu papel em censurar o Google na China. De acordo com o presidente-fundador do Google China, Lee Kaifu, Li outrora descobriu que o site global do Google não era censurado. Quando ele pesquisou o próprio nome, ele encontrou várias informações que denigriam sua imagem.

Li ficou furioso e decidiu marcar o Google como um site ilegal. Ele pediu ao Ministério das Finanças, ao Departamento de Propaganda e ao Ministério da Educação para escreverem um relatório sobre o Google, para exigir que o Google parasse suas “atividades ilegais” e fosse bloqueado.

Enquanto Li era secretário do Partido Comunista na província de Henan, uma epidemia de AIDS causada por transfusões de sangue ocorreu.

Sob a orientação da política do governo, mais de 1,4 milhão de pessoas em Henan, em sua maioria agricultores, juntaram-se ao movimento para ganhar dinheiro com a venda do próprio sangue. Eles poderiam obter 50 yuanes (US$ 8,21) cada vez que doassem sangue.

Houve mais de 1 milhão de infecções por HIV e dezenas de milhares de mortes. Li Changchun e outros funcionários encarregados acobertaram e bloquearam a informação do conhecimento público na China.

Esta matéria foi originalmente publicada pelo China Gaze

 
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