Investidores mundiais fogem das ações chinesas no ritmo mais rápido desde a queda da Bolsa da China em 2015

Mais de 6 bilhões de dólares em investimentos foram retirados das ações chinesas durante as recentes tensões comerciais

Por Emel Akan, Epoch Times

A recente disputa comercial entre os Estados Unidos e a China causou a maior saída de capital das ações chinesas em quase quatro anos. Mais de 6 bilhões de dólares de capital fugiram do mercado acionário chinês desde 6 de maio, segundo dados compilados pelo Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês).

As tensões aumentaram entre os Estados Unidos e a China quando Trump escreveu, em 5 de maio em um tweet, que aumentaria as tarifas de 10% para 25% em produtos chineses no valor de 200 bilhões de dólares. Trump acusou Pequim de recuar em seu compromisso de levar a cabo reformas estruturais.

A disputa revelou a vulnerabilidade do mercado de títulos da China, com o índice composto da Bolsa de Xangai caindo quase 6% em 6 de maio, um dia depois do tweet de Trump. O mercado acionário chinês não se recuperou desde então.

A fuga de capital através das ações chinesas por parte de não-chineses residentes desde que as tensões se intensificaram atingiram um total de 6,2 bilhões de dólares, segundo o IIF, que monitorava diariamente os movimentos de capital nas ações dos mercados emergente desde 2010.

O tweet de Trump e a intensificação do conflito comercial surpreenderam os investidores, de acordo com Jonathan Fortun, economista da IIF.

“Esta última rodada de saídas é uma reação instintiva a tudo isso que estava acontecendo”, disse ele.

As ações chinesas registraram saídas líquidas de capital de 2,6 bilhões de dólares e 2,8 bilhões de dólares nas semanas que finalizaram em 10 de maio e 17 de maio, respectivamente. Essas saídas semanais foram as maiores desde o crash da bolsa chinesa em 2015. A maior saída de capital em uma semana ocorreu durante a semana que terminou em 10 de julho de 2015, quando as ações chinesas caíram 30% em três semanas.

A natureza inesperada da escalada das tensões comerciais provocou grandes saídas de capital nas últimas duas semanas, disse Fortun. Investidores estavam aumentando sua exposição às ações chinesas com a expectativa de que o conflito seria resolvido, ele explicou.

“Eu acho que as saídas [de capital] continuarão, pelo menos até que tenhamos um pouco mais de clareza sobre o caminho a seguir no conflito comercial”, disse Fortun. “O pior ainda não passou, mas acho que este pode ser um ciclo de saída [de capitais] importante para a China”.

A China registrou cerca de 1,1 bilhão de dólares em fuga de capitais em outubro de 2018 durante as primeiras fricções comerciais entre os Estados Unidos e a China.

O conflito atinge todos os mercados emergentes

A disputa pelas tarifas também desencadeou uma quantidade significativa de capitais das ações nos mercados emergentes.

Países como Coreia do Sul, Índia, Taiwan, Brasil e Indonésia têm refletido a tendência na China, destacando os riscos para os mercados em geral derivados do aumento das tensões comerciais.

A fuga de capitais dos mercados emergentes, excluindo a China, totalizaram 8,4 bilhões de dólares desde 6 de maio.

Segundo Fortun, a disputa comercial entre os Estados Unidos e a China também afetará as economias emergentes, já que implica na ruptura das cadeias de fornecimento globais que abrangem muitos países.

A recente fuga de capitais é diferente da que foi observada durante o colapso dos mercados em 2015. Os investimentos que saíram da China foram para outros mercados emergentes em 2015. No entanto, esse dinheiro está fluindo para os mercados desenvolvidos, os bônus e os criptoativos, disse Fortun.

A administração Trump usou a ameaça de tarifas como parte de uma tática de negociação para aumentar a pressão sobre Pequim. A China tem mais a perder economicamente em uma guerra real comercial, segundo analistas.

Os Estados Unidos começaram a impor tarifas sobre as importações chinesas julho de 2018. Juntamente com as duas últimas rodadas de tarifas, um total de 250 bilhões de dólares em produtos chineses enfrentam agora uma taxação de 25%.

Washington também está se preparando para impor tarifas sobre os 325 bilhões de dólares restantes de produtos chineses, que representam a maior parte dos bens de consumo importados da China.

Em retaliação, Pequim também anunciou que aumentaria as tarifas sobre 60 bilhões de dólares em produtos americanos.

“Desta vez, as tarifas foram aplicadas a uma gama mais ampla de produtos”, disse Fortun, afetando assim a cadeia de suprimentos global. As tarifas potenciais dos Estados Unidos sobre automóveis e autopeças estão deixando os investidores nervosos, ele acrescentou.

Apesar da retomada das tensões, Trump disse que as conversas com Pequim continuarão. Em 13 de maio, ele disse que se encontraria pessoalmente com o líder comunista chinês Xi Jinping na cúpula do G-20 no final de junho no Japão.

Em uma série de tweets, Trump acusou a China de se retirar de um acordo “muito bom” e “quase concluído” e instou a China a fechar em breve outro acordo comercial.

Segundo Fortun, os fluxos de capital, especialmente em ações, são muito dinâmicos e à medida que a questão comercial é resolvida, o capital começará rapidamente a fluir novamente para os chineses.

“Qualquer sinal de vontade de encontrar uma resolução real do conflito comercial será positivo não só para a China, mas para todo o conjunto de mercados emergentes”, disse ele.

Os investidores retornarão assim que a tempestade acabar, ele disse, mas até lá, eles continuarão guardando seu dinheiro no exterior em diferentes tipos de ativos líquidos.

 
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