Influência da China no Canadá

Canadá tem ministros de pelo menos duas províncias, bem como certos funcionários municipais na Colúmbia Britânica que estão sob a influência de potências estrangeiras e trabalhando em seu nome

O recente relatório anual do Comitê Nacional de Segurança e Inteligência dos Parlamentares, descreve claramente a grave ameaça à segurança do ciberespaço no Canadá pela República Popular da China, bem como o uso de empresários e estudantes chineses estrangeiros para influenciar a política canadense.

O relatório afirma ainda que muitas organizações governamentais chinesas tentam exercer influência sobre os membros da comunidade e dos políticos chineses no Canadá, de modo que adotam uma postura amigável em relação à China; isso é mais evidente no Departamento de Trabalho da Frente Unida da China. O relatório aponta o uso da China de doações monetárias para campanhas políticas, na tentativa de influenciar os pontos de vista da mídia chinesa, bem como secretamente apoiar várias organizações comunitárias e protestos públicos.

O relatório merece elogios por detalhar os fatos verdadeiros.

O relatório faz alusão aos comentários feitos em 2010 por Richard Fadden, ex-chefe do Serviço Canadense de Inteligência de Segurança, que expressou preocupações sobre a influência da China sobre os políticos canadenses.

De acordo com relatos da mídia daquele ano, Fadden fez um discurso em março no Royal Canadian Military Institute em que apontou as tentativas de uma certa potência estrangeira de recrutar pessoas de comunidades étnicas, pedindo-lhes que continuassem a “servir a pátria” e no processo, obter benefícios disso. A China tem sido especialmente ativa dentro das comunidades universitárias, chegando até a organizar protestos contra certas políticas canadenses em relação à China.

Em entrevista à CBC Television, em junho de 2010, Fadden disse que o Canadá tem ministros de pelo menos duas províncias, bem como certos funcionários municipais na Colúmbia Britânica que estão sob a influência de potências estrangeiras e trabalhando em seu nome.

Em um memorando para o então ministro da Segurança Pública, Vic Toews, Fadden detalhou dois incidentes suspeitos envolvendo ministros provinciais. Ele apontou que essas ações secretas eram tentativas de influenciar políticos e políticas canadenses, ao mesmo tempo em que procuravam identificar dissidentes e roubar tecnologia científica. As metas para tal influência estrangeira incluem: autoridades eleitas, funcionários públicos, funcionários públicos dos três níveis de governo e membros de comunidades étnicas.

Os comentários de Fadden atraíram muitas críticas e levaram vários membros da oposição a atacar o governo Harper. Houve também explosões de raiva de políticos chineses canadenses e membros da comunidade chinesa, exigindo um pedido de desculpas, bem como a renúncia de Fadden.

Fui membro do Partido Comunista Subterrâneo de Hong Kong e tenho um conhecimento detalhado da natureza do Partido Comunista Chinês, seu caráter único e seu modus operandi. Eu acredito e concordo com as afirmações de Fadden, sabendo muito bem que isso é resultado das políticas da Frente Unida da China.

Como cidadã canadense, eu aprecio profundamente os esforços de Fadden e Toews na proteção da segurança nacional, apesar da pressão de muitos lados, seu trabalho em descobrir a infiltração de potências estrangeiras em nosso país e sua coragem em falar a verdade. Enviei duas cartas para Fadden e Toews com um ensaio intitulado “Entendendo a Frente Unida da China”. Em 21 de janeiro de 2011, recebi uma resposta de Toews expressando seus agradecimentos.

Já se passaram nove anos desde o incidente acima, e me sinto gratificada pelo relatório do Comitê Nacional de Segurança e Inteligência confirmando as declarações prescientes de Fadden. Espero que o nosso governo tome mais medidas para proteger o interesse e a segurança nacional e para impedir a infiltração da China na política e na sociedade canadenses.

Florence Mo Han Aw

Vancouver

Autor de “My Time in Hong Kong’s Underground Communist Party”.

As opiniões expressas neste artigo são as opiniões do autor e não refletem necessariamente as opiniões do Epoch Times.

 
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