Grupo terrorista islâmico Hamas recusa-se a negociar cessar-fogo com Israel

O grupo terrorista islâmico Hamas afirmou ontem (23) que não negociará nenhum cessar-fogo enquanto o bloqueio de Israel à Faixa de Gaza não for interrompido. “Não vamos aceitar nenhuma iniciativa que não retire o bloqueio sobre nosso povo e que não respeite seus sacrifícios”, disse o chefe político do grupo, Khaled Meshaal, em uma entrevista coletiva no Qatar, onde vive escondido.

De forma desafiadora, também exigiu a abertura da passagem da cidade de Rafah, na fronteira com o Egito, e a libertação de prisioneiros palestinos como condições para uma eventual negociação. Israel concordou na última semana com uma proposta de cessar-fogo do Egito, que foi recusada pelo Hamas.

Nesta quarta-feira, o Exército informou que três soldados foram mortos, elevando o total de baixas para 32, e que um funcionário tailandês morreu atingido por um foguete disparado de Gaza contra uma região agrícola em Hof Ashkelon.

O Ministério da Saúde em Gaza afirma que 682 palestinos morreram, incluindo 161 crianças, e que há 4.100 feridos. A única brecha indicada pelo líder terrorista foi para a negociação de uma trégua humanitária: “Nós precisamos de calma por algumas horas para evacuar os feridos e prestar assistência”.

Ele fez um apelo à comunidade internacional para que remédios, combustível e outros suprimentos sejam enviados à Gaza. Contudo, o flagelo atual foi deliberadamente iniciado pelo Hamas que, procurando fazer o maior número de vítimas entre o seu próprio povo para impulsionar sua causa, lançou milhares de foguetes contra Israel e depois obrigou os palestinos a se expor ao revide.

Com isso, o grupo radical tenta resolver uma de suas piores crises, provocada pelos conflitos na Síria e no Iraque e pelas mudanças políticas no Egito. Sem receber recursos, o Hamas fez uma aliança com o partido Fatah, que governa a Cisjordânia. Contudo, o Fatah, da Autoridade Palestina, também não está pagando direito as contas da Faixa de Gaza.

Israel impôs restrições à Gaza em 2006, depois do sequestro do soldado israelense Gilad Shalit. No ano seguinte, as medidas foram reforçadas, com a ascenção do grupo terrorista islâmico ao poder.

No interregno em que os extremistas da Irmandade Muçulmana controlaram o Egito, a fronteira entre os dois países funcionou como rota de abastecimento de armas e outros recursos. Voltou a ser fechada pelo novo regime que execra o Hamas.

No dia 8 deste mês, o governo israelense lançou uma operação em resposta aos ataques do grupo ao seu território. Dez dias depois, uma ofensiva terrestre foi lançada para destruir túneis clandestinos construídos para chegar ao território israelense.

Nesta semana, o secretário de Estado americano John Kerry realiza uma série de reuniões para tentar conseguir uma trégua que parece distante com a posição manifestada pelo Hamas. Hoje, Kerry disse que “ainda há muito trabalho” a ser feito até que se chegue a um cessar-fogo, principalmente porque o objetivo é alcançar um “processo sustentável” para evitar que conflitos entre Israel e o Hamas voltem a ocorrer de tempos em tempos.

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