Greve de fome e milhares de impressões digitais libertam prisioneiro de consciência

Hua Lianyou acabou servindo apenas alguns meses de sua sentença de sete anos no Presídio Binhai, na cidade chinesa de Tianjin, Norte da China, antes de ser enviado de volta para casa numa maca.

Os esforços de amigos e familiares e as assinaturas e impressões digitais em tinta vermelha de cerca de 9 mil aldeões chineses indignados com seu caso conseguiram a soltura de Hua.

O retrocesso oficial sobre o caso de Hua em face da pressão civil surge num momento em que a perseguição à pacífica disciplina espiritual do Falun Gong completa 14 anos, e é um sinal de que a oposição popular e a vacilante vontade política diante da perseverança dos praticantes do Falun Gong se combinam para sufocar a violenta campanha.

Encarcerado

Hua foi preso pela polícia em Tianjin em 24 de abril de 2012, porque estava praticando em público os exercícios do Falun Gong – movimentos suaves de qigong e meditação –, e distribuindo informações sobre a prática.

Um mês depois, ele iniciou uma greve de fome em protesto. Essa greve de fome teria durado o período extraordinário de 600 dias, segundo o Minghui.org, um website do Falun Gong que reportou sobre a libertação de Hua.

Hua foi submetido a um julgamento de fachada em setembro do ano passado e sumariamente condenado por “usar uma organização religiosa do mal para minar a lei”. O julgamento foi secretamente realizado num hospital da prisão, enquanto Hua estava deitado na cama. Ele foi condenado a sete anos de prisão.

A base legal da sentença foi ardorosamente disputada pelo advogado de Hua, que apontou: “A China não tem lei que defina o Falun Gong como uma ‘organização religiosa do mal’ e nunca houve qualquer prova testemunhal que provasse que praticantes do Falun Gong violaram a consecução da lei.”

Durante a prolongada greve de fome, as autoridades do Presídio Binhai usaram um tubo de alimentação para manter Hua vivo. Eles também o torturaram na tentativa de forçá-lo a renunciar a sua fé, disse ele mais tarde.

Hua disse aos membros da família numa visita que era espancado tanto no hospital como na prisão, e que numa ocasião os guardas afiaram a extremidade do tubo antes de enfiá-lo por sua garganta abaixo até o estômago.

Queixas formais de sua esposa ao Departamento de Justiça e ao Departamento Prisional de Tianjin foram ignoradas.

Morte a qualquer momento

As solicitações ao Presídio Binhai de obter liberdade condicional médica para Hua foram repetidamente recusadas. “Esperaremos até que ele esteja quase morto” foi o que os guardas disseram a sua esposa, segundo o Minghui.

Um médico da prisão, com o qual a família conseguiu falar, comentou sobre o estado de Hua: “Ele pode morrer a qualquer momento.”

Em novembro do ano passado, as autoridades proibiram as visitas, e mais uma vez exigiram que se a família quisesse qualquer clemência, eles teriam de forçar Hua a assinar uma declaração renunciando ao Falun Gong.

De acordo com o Minghui, outros praticantes do Falun Gong estão no Presídio Binhai. Alguns morreram de tortura no local. Ren Shengdong, um prisioneiro de consciência praticante do Falun Gong, teria sido torturado com drogas psicotrópicas e enlouqueceu. O Minghui listou vários outros que foram fisicamente mutilados devido à tortura brutal que sofreram.

Nove mil impressões digitais

Desde agosto do ano passado, a família de Hua começou a recolher assinaturas, começando com seus amigos e vizinhos, exigindo que as autoridades pusessem Hua em liberdade. Em um mês eles conseguiram 3.622 assinaturas. Estas consistiam de seus nomes e de suas impressões digitais em tinta vermelha.

O simbolismo desta forma de protesto não é ignorado pelas autoridades comunistas. Na China antiga, a impressão digital com cera vermelha era usada em petições à corte pela correção de injustiças graves perpetradas por autoridades locais. Além disso, ao usar os próprios nomes em tal documento, milhares de chineses demonstram que não serão acuados ou intimidados pelas autoridades, as quais declararam no passado que sua campanha contra o Falun Gong é uma prioridade política e que seus apoiadores seriam igualmente punidos.

Em resposta à petição, a polícia local fez mais detenções, tendo como alvo os praticantes do Falun Gong que haviam organizado a carta, e aproveitou para visitar e assediar outras pessoas que participaram.

Em novembro de 2013, no entanto, outros 5.233 chineses da cidade de Tianjin e da província vizinha de Shandong tinham assinado e carimbado a carta, elevando o número total de peticionários para 8.855.

Em face desta resposta popular, as autoridades locais silenciosamente deixaram Hua sair recentemente, disse o Minghui.

Campanha vacila

A libertação de Hua é o sinal mais recente de que a campanha contra a prática espiritual do Falun Gong, que atraiu mais de 70 milhões de adeptos na década de 1990, está se tornando cada vez mais difícil para as autoridades sustentarem diante da pressão da opinião pública.

A campanha foi iniciada pelo ex-líder chinês Jiang Zemin, que viu a popularidade do Falun Gong como um desafio implícito à primazia do Partido Comunista, apesar da natureza declaradamente apolítica da prática, que se dedica à prática de exercícios lentos e meditação e ao cultivo dos princípios de verdade, compaixão e tolerância.

Hua Lianyou, de 52 anos, começou a praticar o Falun Gong em 1997. Sua saúde melhorou rapidamente depois disso, relatou o Minghui. Ele foi preso duas vezes por suas crenças, numa dessas ocasiões por cinco anos.

A perseguição ao Falun Gong na China ainda ocorre por todo o país, e agora está em seu 14º ano. Nesse período, milhões de praticantes foram detidos, presos, espancados, torturados, enviados para centros de lavagem cerebral, campos de trabalho forçado e hospitais psiquiátricos. Também foi documentado que dezenas de milhares deles foram vítimas da extração forçada de órgãos coordenada pelo regime comunista chinês.

Segundo um relatório do Minghui, em 2013, nove praticantes do Falun Gong morreram na China vítima de tortura e maus-tratos; 192 foram detidos por razões legalmente questionáveis; 6 enviados para campos de trabalho forçado e 17 condenados à prisão.

Os dados conhecidos são sabidamente incompletos devido ao rígido controle da informação exercido pelo Partido Comunista.

 
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