Governo dos EUA paralisa com falha do Senado em conseguir acordo sobre Orçamento

WASHINGTON ─ Horas antes do prazo, democratas do Senado americano barraram a aprovação de uma lei de financiamento de curto prazo, levando a uma paralisia do governo. O presidente estadunidense Donald Trump e o líder democrata no Senado não chegaram a um acordo na sexta-feira sobre o projeto de lei do Orçamento.

Como um último esforço para manter o governo funcionando, o Senado agendou uma votação para as 22h sobre a lei aprovada pela Câmara para estender o financiamento por mais quatro semanas. No entanto, os democratas barraram a passagem de um pacote de financiamento conhecido como resolução contínua (CR, na sigla em inglês), que asseguraria o atual financiamento para as operações federais e manteria o governo funcionando até meados de fevereiro.

Como quase todos os democratas e alguns republicanos se opuseram à medida, o governo paralisou à meia-noite.

“Não parece bom para o nossas excelentes Forças Armadas ou Proteção e Segurança na muito perigosa fronteira do Sul”, escreveu Trump no Twitter antes de o Senado votar. “Democratas querem uma paralisia para tentar diminuir o grande sucesso dos cortes de impostos e é isso o que eles estão fazendo para a nossa crescente economia.”

A Câmara dos Deputados americana aprovou uma lei de financiamento de curto prazo na tarde de quinta-feira por uma ampla maioria de 230 votos a 197. O projeto de lei também contemplava seis anos de financiamento do Programa de Seguro de Saúde da Criança (CHIP, na sigla em inglês).

O projeto de lei foi enviado ao Senado, onde enfrentou uma forte oposição dos democratas. O Senado precisava de 60 votos para aprovar a medida.

“A realidade é que isso não se trata de política, trata-se de políticos”, disse o diretor de Assuntos Legislativos da Casa Branca, Marc Short, em uma conferência de imprensa extraordinária na sexta-feira. “Não estamos familiarizados com nada nesta CR a que os democratas se opõem”, disse ele.

Na manhã de sexta-feira, Trump cancelou sua viagem de fim de semana para o Mar-a-Lago para tentar chegar a um acordo com os democratas do Senado. Ele havia se programado para se retirar na tarde de sexta-feira.

Ambas as partes falharam em alcançar um acordo sobre um orçamento completo para os últimos meses, e três medidas tampão foram aprovadas até agora. Os parlamentares estão lutando para chegar a um acordo sobre níveis de imigração e de gastos.

Como pré-condição para apoiar um acordo orçamentário, os democratas têm pressionado por uma solução legislativa para os destinatários da Ação Diferida para Crianças (DACA). E a DACA é o principal ponto chave nas negociações, de acordo com Mick Mulvaney, Diretor do Gabinete de Planejamento e Orçamento.

“Não há uma lei DACA para votar e não há emergência em termos de prazo para o DACA”, disse Mulvaney durante a conferência de imprensa na Casa Branca. “DACA não expira até 5 de março. Portanto, não há absolutamente nenhuma razão para amarrar essas duas coisas agora”, disse ele.

A DACA foi baixada mediante um decreto presidencial pelo presidente Barack Obama em 2012 como medida provisória, concedendo aos beneficiários renováveis autorização de trabalho de dois anos e imunidade a deportação. Isso contemplou quase 800 mil indivíduos ─ referidos como ‘sonhadores’ ─ que foram levados ilegalmente para o país enquanto crianças.

Antecipando-se a uma potencial paralisação do governo, Mulvaney enviou um memorando aos chefes de departamentos e agências federais na tarde desta sexta-feira. Ele os aconselhou a que revessem seus planos de participação no corte de verbas para que uma sabotagem começasse a meia-noite.

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