Frente ao confisco de suas propriedades, chineses expulsam demolidores com armas improvisadas

Os engenheiros e planejadores da construção civil na China, que costumam gostar de conexões com poderosos contatos políticos ou empresariais, são notórios por forçar a expropriação de populações rurais pobres, proporcionando pouca compensação. No cenário econômico chinês guiado pelo rápido crescimento, comunidades inteiras podem ser demolidas para dar lugar a novos projetos.

No início deste mês, ocorreu um episódio marcante durante uma tentativa de demolição em uma área rural da China. Quando os demolidores se aproximaram de suas propriedades, os aldeões da província chinesa de Shandong lutaram com o que comentários on-line estão chamando de “argamassa”.

Um vídeo 70 segundos postado no dia 11 de setembro no Sina Weibo, uma plataforma de mídia social chinesa, mostra homens disparando dezenas de projéteis em uma equipe de trabalhadores da construção civil e suas escavadeiras. Pode-se ver alguns trabalhadores sendo cobertos pela fumaça emitida de alguns projéteis em chamas.

Captura de tela via Sina Weibo
Captura de tela via Sina Weibo

Detalhes da contenda e das armas de fogo improvisadas mostradas no vídeo não estão claros, mas não é a primeira vez que os engenheiros encontram resistência armada.

Em junho de 2010, um homem chamado Yang Youde, frente ao confisco de sua fazenda na província de Hubei, usou fogos de artifício para afastar dezenas de construtores e bandidos contratados para tirar ele e sua família da propriedade.

Yang atirava lançadores portáteis de uma torre que ele construiu especificamente para lhe dar um melhor ponto de observação. Ele também criou um carrinho de lançamento com vários tubos, aumentando o poder de fogo de suas barragens.

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Para ele, era preferível lutar do que adotar uma resistência pacífica (muitas vítimas de demolições forçadas na China se auto-imolaram como protesto ao confisco de suas propriedades). Yang disse mais tarde à mídia estatal Beijing News: “Em relação à mim, eu estava pensando [em cometer suicídio] também. Mas eu não quero morrer, e, ao mesmo tempo, eu não quero desistir dos meus direitos legais. Como resultado, eu foi obrigado a bombardear a equipe de demolição.”

As autoridades de Hubei, posteriormente, confirmaram os direitos de Yang à sua terra.

Governantes insensíveis e desdenhosos não têm feito muito para diminuir o desespero gerado pelas demolições forçadas. Em junho deste ano, Hua Guojun, um funcionário político da província de Anhui, brincou e riu do choro de uma mulher idosa que lhe implorava para impedir que os trabalhadores demolissem seu balneário.

“Aqueles escavadores se preocupam com dinheiro, não com vidas”, escreveu um internauta chinesa ao assistir o vídeo. “Eles destroem casas e roubam os proprietários de suas terras. É claro que as pessoas vão lutar com suas próprias vidas.”

 
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