Falun Gong reúne milhares em Nova York, mas é perseguido na China

O Barclay’s Center em Brooklyn, Nova York, estava cheio na terça-feira (13), mas a ocasião não era um evento esportivo. Em vez disso, cerca de 8 mil praticantes da disciplina espiritual chinesa do Falun Gong viajaram de todo o mundo para participar de uma conferência de troca de experiências em grande escala, conhecida em chinês como ‘Fahui’.

A troca de experiências sobre a prática do Falun Gong é um componente central desta disciplina tradicional, que foi introduzida na China em 1992 e que até o final da década reunia mais de 70 milhões de praticantes, antes que o Partido Comunista Chinês (PCC) lançasse uma perseguição brutal que continua até hoje.

Um dos destaques do dia para muitos foi a presença do Mestre Li Hongzhi, o fundador da prática, que discursou e respondeu a perguntas de seus alunos por quase duas horas antes do recesso de almoço. ‘Mestre’ é um título comum usado para se referir a ‘mestres de qigong’, que eram livres para ensinar práticas de cultivo do corpo e da mente, como a disciplina do Falun Gong, na China antes de 1999. Li Hongzhi vive nos Estados Unidos desde 1997.

Benefícios para a saúde

Yan Niulan, de 70 anos, foi uma de cerca de uma dezena de praticantes do Falun Gong que falaram para o grupo presente na terça-feira sobre sua experiência pessoal. Usando uma faixa azul de lantejoulas e vestindo um casaco de lã branco e brilhante, ela explicou como começou a praticar o Falun Gong em meio a uma grave crise de saúde há muitos anos, e como a prática a ajudou a recuperar-se rapidamente de um acidente vascular cerebral debilitante. Yan explicou como múltiplas fraturas e hemorragia interna foram curadas por meio da persistência na prática.

“Eu não sei por que, mas quando vi os vídeos do Falun Gong pela primeira vez eu apenas chorava”, disse Yan, falando em chinês. Ela se referia aos vídeos das palestras que o Li Hongzhi realizou na China na primeira metade da década de 1990, que formam a base dos ensinamentos da disciplina. Na terça-feira, muitos praticantes discutiram como eles sentem a força moral dos ensinamentos do Falun Gong, que identificam os princípios do universo como sendo ‘verdade, compaixão e tolerância’, e que o propósito da vida é viver de acordo com esses princípios.

Desde aquele dia, disse Yan, ela tentou usar seu tempo livre da melhor forma para explicar a outros chineses sobre a perseguição ao Falun Gong e como isto incluiu superar obstáculos como aprender a usar seu computador mais eficientemente, algo que ela nunca esperava fazer, para fazer chamadas telefônicas para a China.

Apresentando os fatos às pessoas

Embora o Falun Gong fosse muito popular na China na década de 1990, o Partido Comunista começou uma feroz campanha para difamar e caluniar a prática quando começou a perseguição, segundo o Centro de Informação do Falun Dafa.

De forma semelhante à maneira como os proprietários de terras, ‘direitistas’, intelectuais e outros foram rotulados, discriminados e perseguidos durante a história comunista chinesa, o Partido também tentou estigmatizar o Falun Gong perante a opinião pública, em parte para tornar os abusos dos direitos humanos inerentes à campanha mais fáceis de perpetrar e justificar.

Muitas das experiências compartilhadas por praticantes do Falun Gong na terça-feira discutiram diversas maneiras como eles buscavam superar os obstáculos mentais do povo chinês para aprenderem a verdade sobre o Falun Gong.

Alguns praticantes vieram direto da China especialmente para este Fahui. Entre estes havia a sra. Zhang (um pseudônimo), uma camponesa de uma pequena cidade na província de Jilin. Com 71 anos, pequenina e com um sorriso radiante no rosto castigado pelo tempo, a sra. Zhang agora está aposentada, mas por décadas ela cultivou e colheu milho na China. Seu filho, William Liu, um engenheiro que vive em Michigan, comprou-lhe um bilhete de avião e ajudou-a a traduzir seu chinês do interior para o mandarim padrão.

Ela aprendeu o Falun Gong em 1998, no auge da popularidade e reconhecimento público da prática na China. “Eu li o livro numa única noite e imediatamente soube que havia encontrado algo precioso”, disse ela, referindo-se ao ‘Zhuan Falun’, o livro principal dos ensinamentos do Falun Gong. A sra. Zhang explicou como ela aproveitava as oportunidades da vida cotidiana para encontrar outros chineses e contar-lhes sobre o Falun Gong.

“Que crianças lindas você tem!”, disse ela, exemplificando como algumas vezes tenta iniciar uma conversa em sua cidade natal. A discussão então se voltaria para a natureza do Partido Comunista, que a sra. Zhang explicaria ser um regime político injusto. Em seguida, ela explicaria que o Falun Gong é bom e pacífico e injustamente perseguido.

 
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