Publicado em - Atualizado em 05/11/2013 às 13:30

Experiências de quase morte: 30 anos de pesquisa – Parte 1

Bruce Greyson pensa que a investigação apenas arranhou a superfície das experiências de quase morte, e que há um grande potencial para futuros estudos (Stephanie Lam/The Epoch Times)

Bruce Greyson pensa que a investigação apenas arranhou a superfície das experiências de quase morte, e que há um grande potencial para futuros estudos (Stephanie Lam/The Epoch Times)

Vovó acaba de ressuscitar. Ela acorda e conta uma história bizarra de ter saído do corpo e ido para o céu. Teria ela desenvolvido psicose? Será que seu cérebro foi danificado pela falta de oxigênio?

Depois de mais de 30 anos de pesquisa, os cientistas concluíram que este não é o caso. Em lugar disso, eles acham que esse fenômeno é algo que a ciência de hoje ainda está para entender, e que é uma oportunidade para o avanço da ciência.

O fenômeno foi chamado de experiências de quase morte (EQMs) no livro de 1975 “Vida depois da vida”, de Raymond Moody, MD e PhD em filosofia e psicologia. Geralmente, as EQM incluem experiências cognitivas, afetivas, paranormais e transcendentais.

Exemplos de EQMs incluem experimentar uma mudança na percepção e forma de pensar, sentir paz ou tranquilidade, ganhar percepção extrassensorial (PES), passar por uma revisão da própria vida, ver os efeitos das próprias ações sobre os outros, a sensação de deixar o corpo, ver pessoas mortas e outros seres, como anjos, e sentir como se entrando noutra dimensão.

As EQMs são encontradas em todo tipo de pessoas, e muitos estudos encontram uma prevalência de 10-20% das EQMs em pessoas que estiveram próximas da morte.

O interesse de estudar as EQMs foi desencadeado após a publicação do livro de Moody. Então, em 1981, a Associação Internacional de Estudos de Quase Morte (IANDS, no original em inglês) foi fundada “para promover responsavelmente, a exploração multidisciplinar das experiências de quase morte e similares, os seus efeitos na vida das pessoas, e suas implicações para crenças sobre a vida, a morte, e o propósito humano”, de acordo com o site da IANDS.

Entre 2 e 4 de setembro de 2011, a IANDS organizou uma conferência em Durham, N.C., EUA, com pesquisadores da EQM para apresentar seus achados.

Melhora das funções mentais num cérebro debilitado

Bruce Greyson, M.D. e diretor da Divisão de Estudos da Percepção da Universidade de Virgínia, disse que as EQMs são confiáveis porque os relatos das testemunhas de EQM permanecem inalterados ao longo do tempo. Ele comparou um grupo de relatos de pessoas que tiveram EQM 20 anos antes e constatou que se mantiveram praticamente idênticos ao longo do tempo.

Greyson acredita que as EQMs são uma indicação de que a mente é independente do cérebro, porque seria de se esperar funções cerebrais prejudicadas nas situações clínicas em que as EQMs ocorrem, mas sua pesquisa não encontrou prejuízo correspondente nas funções mentais em EQMs.

“Na maioria dos casos, o funcionamento mental das pessoas é melhor na EQM do que durante a nossa vida normal em vigília”, disse Greyson, durante uma entrevista com o Epoch Times.”

“O pensamento deles é mais rápido, claro e lógico, eles têm mais controle sobre sua cadeia de pensamento, os seus sentidos são mais aguçados, e suas memórias são mais vívidas.”

“Se você perguntar a alguém sobre sua experiência de quase morte que aconteceu há 15 anos, eles contam-na como se tivesse acontecido ontem. Se você perguntar a eles [sobre] outras experiências de sua vida, são memórias muito confusas, se eles ainda têm alguma.”

“[…] Quando você pensa que essas experiências, que são caracterizadas por elaborados processos de pensamento [que] ocorrem quando o cérebro não está funcionando bem ou às vezes nem funcionando, pois está sob efeito de uma parada cardíaca ou profunda anestesia, momentos em que a ciência do cérebro nos diria que você não deveria ser capaz de pensar, perceber ou formar memórias, torna-se bastante claro que não podemos explicar essas coisas com base na fisiologia cerebral.”

Eben Alexander, M.D., um neurocirurgião que também falou na conferência, teve uma EQM. Em 2008, ele contraiu meningite bacteriana aguda, que danifica o neocórtex, e entrou em coma, passando seis dias num respirador. O nível de glicose de seu líquido cerebroespinal chegou a 1 mg/dl (miligrama por decilitro), enquanto os níveis normais estão entre 60 e 80 mg/dl. Quando o nível cai para 20 mg/dl, a meningite é considerada grave. Por dias após o coma, Alexander esforçou-se para falar e recordar memórias antes do coma. Não é esperado que alguém com esse tipo de grave dano cerebral se recupere totalmente.

No entanto, durante sua EQM, Alexander teve experiências tão vívidas que envolveram múltiplos sentidos, como visão, audição e olfato, que ele disse que não poderia descrever o quão incrível foi.

“Meu cérebro agora, acredito que tenha se recuperado bem, não pode fazer nada perto do que meu cérebro estava fazendo”, disse Alexander. “Como é que um cérebro que está morrendo, pode ficar muito mais poderoso e capaz de lidar com essas enormes cargas de informações instantâneas e colocá-las todas juntas?”

Eben Alexander teve uma vívida experiência de quase morte quando seu cérebro foi seriamente danificado (Stephanie Lam/The Epoch Times)

Eben Alexander teve uma vívida experiência de quase morte quando seu cérebro foi seriamente danificado (Stephanie Lam/The Epoch Times)

Experiências de morte compartilhadas

Outro fenômeno relacionado com as EQMs são as experiências de morte compartilhadas (EQMCs), em que uma pessoa que está perto de outra à beira da morte tem a experiência de algo com as mesmas características das EQMs.

Moody ouviu pela primeira vez sobre EQMCs em 1972, a partir de uma professora de medicina. A mãe da professora teve um ataque cardíaco, e quando ela estava tentando ressuscitar sua mãe, ela sentiu-se deixando seu corpo e viu seu corpo tentando ressuscitar o corpo de sua mãe. Como sua mãe morreu, ela viu sua mãe em forma de espírito, e o espírito encontrar outros seres, alguns dos quais ela pôde reconhecer como pessoas que sua mãe havia conhecido. Então, sua mãe e as outras pessoas foram sugadas por um túnel.

Após mais de 30 anos de pesquisa, Moody estima que as EQMCs sejam tão comuns como as EQMs. Como ele estudou muitos desses casos ao longo dos anos, ele descobriu que as características das EQMCs são semelhantes às das EQM.

Uma das características mais comuns das EQMCs é que a pessoa vê o espírito daquela que está morrendo, que parece como uma réplica transparente da pessoa, com uma forma oval ou como uma esfera de luz que sai da cabeça ou do peito dos corpos físicos das pessoas que morrem, disse Moody numa entrevista ao Epoch Times.

Às vezes, o espectador também experimenta a revisão de vida da pessoa que está morrendo. Uma mulher na Geórgia foi documentada como tendo falado com o espírito de seu marido quando viu a revisão de vida dele, no momento em que ele morria. Ela também viu um ser que identificou como sendo a filha que ela e seu marido haviam perdido num aborto.

Moody acha que as EQMCs atuam como uma forte evidência para a perspectiva de que a mente existe independente do cérebro, porque as pessoas que as experimentam não possuem nenhuma debilidade no funcionamento de seus cérebros.

“Todos os documentos que eu identifiquei como sendo experiências iniciais de quase morte, que eu estudei anos atrás, também estão presentes em pessoas que têm essas experiências próximas ao leito de morte, e que não estão doentes ou feridas”, disse Moody durante sua apresentação na conferência.

“Não há nada de errado com o fluxo de oxigênio em seus cérebros, e elas têm as mesmas experiências idênticas que ouço de pessoas que estiveram à beira da morte.”

Uma evidência ainda mais forte, contada por Moody na entrevista ao Epoch Times, foi o caso de um padre e uma freira na África do Sul que tiveram um acidente de carro juntos e em que ambos tiveram uma parada cardíaca seguida de uma EQM. Depois que foram ressuscitados, ambos contaram a experiência de deixar seus corpos e entrarem numa luz, com detalhes idênticos.

Com a quantidade de pesquisas nos últimos 30 anos, Moody disse que “agora há um genuíno, e eu sublinharia o ‘genuíno’, e sólido passo na direção e compreensão racional da vida após a morte.”

Da mesma forma, Greyson disse, “A ciência das experiências de quase morte é muito mais avançada agora do que era há 30 anos.”

Entretanto, Greyson acha que ainda há mais a se fazer na área de estudos de quase morte, especialmente com as ferramentas e técnicas modernas que não tínhamos antes, e ele espera que no futuro aprendamos mais sobre as causas da EQM.

“Acredito que nós só arranhamos a superfície das EQM”, disse Greyson.

“Algumas pessoas com um pensamento religioso ou espiritual irão falar que essas experiências nos são dadas como um dom ou são frutos de alguma causa sobrenatural, e eu ainda não sei como expressar isso em termos científicos. Mas eu acho que a ciência é um empreendimento dinâmico, e não uma coisa estática, e que mais cedo ou mais tarde vamos encontrar um caminho em termos científicos para falar sobre algo além do físico ou do psicológico, e que seja organizado de uma maneira cientifica.”

“Acredito que grandes avanços futuros estarão de acordo com como as EQM afetam a vida das pessoas e o desenvolvimento da personalidade, e estabelecendo valores, crenças, atitudes e maneiras diferentes, nós poderemos ajudar as pessoas a se beneficiarem das experiências de quase morte.”

Acima vídeo de Raymond Moody em “Compartilhando Experiências de Morte”, trecho da conferência de 2011 da IANDS.

Na próxima parte, nós exploraremos os efeitos posteriores das EQMs

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  • thiago pacheco de araujo

    Creio que tal fenômeno ocorre da incapacidade do cérebro de interpretar algo mais inexistente que a inexistência :quando fingimos que morremos o maxímo que conseguimos e contemplar o breu ,que o cérebro interpleta como ausência de informação ,mas quando estamos mortos nem isso conseguimos fazer logo o cérebro tem duas alternativas pivar de vez por não conseguir resolver o problema ou criar uma interpletação ou história alternativa!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!dai a EQM ,pelo menos é minha opiníão!!!!!!!!!!K

    • Rodrigo

      não faz nenhum sentido essa tua opinião. o cérebro não está funcionando (ESTA MORTO) , dificil entender isso? nem os olhos, nem o cerebro,
      como visoes sao criadas? n faz sentido

      • Anna Almeida

        Não está morto porque a pessoa não morreu, as células continuam ativas. Percebes a diferença entre estar realmente morto e a de estar ainda vivo?, Só para que saibas 40 horas depois da pessoa morrer ainda há células vivas no corpo. Concordo com a teoria o Tiago.

    • Henrique Fendrich

      Mas e a questão das EQM compartilhadas, quando a outra pessoa não possui qualquer problema no cérebro?

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  • Ana

    Tema polêmico porém, por demais interessante e encorajador para que seja levado adiante e aprofundado dentro de todas as possibilidades que se apresentarem para tal.

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