Exército francês promove evento para ensinar civis a dormir

Uma pesquisa do Instituto Nacional do Sono e da Vigilância (INSV) diz que quatro de cada dez franceses acreditam que os seus horários ou ritmos de trabalho alteram o seu sono

Por Marta Garde, Agência EFE

Cada hora de sono vale muito para um militar no campo de batalha. Ciente da importância de dormir bem, o exército da França decidiu oferecer à população os seus conselhos mais básicos contra o cansaço, começando por uma arma infalível: aquela soneca depois do almoço.

Com a Jornada do Sono, que teve a quarta edição neste mês, o exército tenta transmitir as mesmas técnicas que os militares utilizam em operações quando o barulho, a luz, o estresse ou o frio dificultam o desligamento do mundo externo.

O Instituto de Pesquisa Biomédica do Exército (Irba) e a associação militar Unéo tentam assim reverter estatísticas como a de que quatro de cada dez franceses não dormem bem.

“Técnicas de relaxamento ou de visualização mental permitem favorecê-lo em condições desfavoráveis”, resumiu à Agência Efe o tenente-coronel Fabien, médico-chefe da Unidade de Cansaço e de Vigilância do Irba.

Para ele, o cochilo após a refeição é uma ferramenta-chave para aguentar as atividades do dia quando alguém descansou pouco durante a noite. Esse hábito, segundo o tenente-coronel, é alvo de muitos preconceitos, mas os militares aprendem que essa é uma boa estratégia para completar o tempo de sono e manter as capacidades mentais e físicas.

No entanto, os soldados não são os únicos que precisam de ajuda.

“Os jovens e a população em geral usam o celular à noite, frequentemente ficam assistindo TV na cama, deitam tarde por causa de um jogo ou um filme… são muitos pequenos erros”, acrescentou.

Tentar deitar e levantar na mesma hora, jantar comidas leves, evitar café e cigarro à noite, não fazer esportes intensos antes de dormir, ter um quarto bem arejado e não usá-lo para trabalhar ou comer são algumas das recomendações.

“São conselhos de bom senso, iguais a comer bem e fazer atividades físicas, mas que praticamos pouco”, destacou o responsável da Unidade de Cansaço, que em Paris resolveu dúvidas tanto da equipe do Hospital Militar Begin, que sediou o evento, quanto de civis curiosos com a proposta.

Gente como Vivienne, que foi aconselhada a procurar um centro especializado porque detectaram alterações que precisavam ser tratadas, e Gilles, que se aposentou e acaba de começar a cuidar da própria saúde.

“Percebi que a televisão é nefasta em certas horas. Descobri que é preciso colocar um filtro nas telas, peguei máscaras, tampões de ouvidos. Saí equipado”, explicou ele, entusiasmado.

A população civil não é submetida aos mesmos níveis de estresse que os militares, ensinados que, para aguentar situações difíceis, devem aproveitar qualquer oportunidade que seja apresentada para dormir, comer ou trocar de roupa, mas os problemas de sono, segundo o tenente-coronel, são um problema de “saúde pública”.

Uma pesquisa do Instituto Nacional do Sono e da Vigilância (INSV) diz que quatro de cada dez franceses acreditam que os seus horários ou ritmos de trabalho alteram o seu sono, e 13% dizem ter dirigido no último ano em estado de inércia durante sua atividade profissional, com o consequente risco de acidente.

De forma lúdica, com um simulador de quarto, que os participantes deveriam preparar para melhorar o descanso, ou com um questionário, para detectar problemas, o Irba e a Unéo tentam contribuir para que as pessoas consigam resistir aos efeitos da vida moderna.

“Nossos avós dormiam um pouco mais do que nós, respeitavam mais o sono, tinham menos acesso a atividades sociais e se deitavam mais cedo”, lembrou Fabien, satisfeito com o evento de “um exército moderno que se abre ao mundo civil”.

 
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