Evento na Universidade de Buenos Aires sobre direitos humanos na China é cancelado na última hora (vídeo)

De acordo com informações recebidas pelos organizadores, os diretores da Universidade de Buenos Aires (UBA) teriam recebido um telefonema, após o qual tomaram a decisão de cancelar o debate

Por Epoch Times

Os organizadores de um evento que deveria ser realizado na Faculdade de Direito da Universidade de Buenos Aires suspeitam que o consulado chinês está por trás do seu cancelamento inexplicável e repentino apenas três dias antes da data marcada.

Na segunda-feira (24), estava programado um cine-debate com base no documentário “Genocídio Médico: Assassinato em Massa Ocultado pela Indústria de Transplante de Órgãos na China”, organizado pela Associação Civil Investigação do Falun Dafa. No entanto, na sexta-feira anterior, 21 de setembro, os organizadores foram informados de que o Salão Verde (que eles haviam reservado desde 29 de agosto) não estaria aberto nem liberado para a atividade.

De acordo com informações recebidas pelos organizadores, os diretores da Universidade de Buenos Aires (UBA) teriam recebido um telefonema, após o qual tomaram a decisão de cancelar o debate.

Suspeita-se que o telefonema tenha sido feito pelo consulado chinês, pressionando para que o reitor da faculdade decidisse não exibir o documentário.

“Genocídio Médico” revela o crime de extração forçada de órgãos de prisioneiros de consciência na China, particularmente de praticantes do Falun Dafa presos por causa de sua fé.

O documentário recebeu reconhecimento internacional e foi apresentado em instituições ao redor do mundo. Foi recentemente apresentado no 27º Congresso Mundial de Transplantes realizado em Madri, e durante o 24º Congresso Mundial de Direito Médico e Bioética na Universidade de Tel Aviv, em Israel. Também foi transmitido pela TVE (televisão espanhola).

Falun Dafa, também conhecido como Falun Gong, é uma disciplina milenar chinesa de auto-aperfeiçoamento, com exercícios suaves e meditação, e com profundas crenças espirituais baseadas nos princípios da Verdade, Benevolência e Tolerância. Desde 1999, seus praticantes são brutalmente perseguidos na China com o objetivo de fazê-los renunciar à sua fé, uma vez que o regime chinês a considera contrária às suas doutrinas comunistas.

Desde 2006, tem vindo à tona que entre os crimes cometidos pelo Partido Comunista contra os praticantes do Falun Dafa, o mais massivo de todos é a extração forçada de órgãos, através da qual os praticantes presos são usados como um repositório de órgãos, e quando surge alguém que precisa de um transplante (e depois de pagar dezenas e até centenas de milhares de dólares por um órgão), o praticante compatível com o paciente tem seu órgão retirado — enquanto ainda está vivo.

Isso foi provado ao longo de várias investigações e condenado por várias organismos internacionais, como o Congresso dos Estados Unidos e o Parlamento Europeu, entre outros.

O papel do Instituto Confúcio

Outra razão pela qual se suspeita que o telefonema da embaixada teria tido tanto efeito é a influência exercida pelo Instituto Confúcio na Universidade de Buenos Aires.

O Instituto Confúcio (IC) da UBA foi fundado em 2009 e, assim como os IC de outras partes do mundo, se apresenta como um programa de intercâmbio linguístico e cultural.

Mas o verdadeiro papel dos IC está sendo cada vez mais questionado, e as agências de investigação de vários países tomaram medidas para evitar o que consideram tentativas do regime chinês de se infiltrar nos ambientes acadêmicos dos países onde tem sede e espalhar propaganda do regime comunista.

De fato, o chefe de propaganda da China, Li Changchun, afirmou em 2009 que os IC são “uma parte importante da estrutura de propaganda chinesa no exterior”.

“O Instituto Confúcio é uma marca atraente e por isso muito apropriada para espalhar nossa cultura no exterior”, disse Li. “Ele deu uma contribuição importante para melhorar nosso poder suave. O nome ‘Confúcio’ tem um apelo natural. Usando o ensino do chinês como desculpa, tudo parece razoável e lógico”.

A CIA emitiu um relatório confidencial em março sobre as operações de influência da China nos Estados Unidos. Em uma única página desclassificada do relatório obtida pelo jornal The Washington Free Beacon, a agência alerta que a China está usando incentivos financeiros para penetrar nas universidades como uma maneira de promover uma visão positiva de Pequim e desencorajar uma investigação que possa colocar a China sob uma perspectiva negativa.

“O Partido Comunista Chinês tem usado essa tática para recompensar os pontos de vista favoráveis à China e coagir as publicações e conferências acadêmicas ocidentais a se autocensurar”, diz o relatório.

Entre outras, as universidades de Chicago e da Pensilvânia rescindiram seus contratos com o Instituto Confúcio. No Canadá, a Universidade McMaster se separou do Instituto Confúcio por causa de suas práticas de contratação que discriminam o Falun Dafa.

O site Hanban — uma agência do Ministério da Educação da China que fornece professores, livros e fundos para os Institutos Confúcio — afirma que os professores de língua chinesa devem ter “entre 22 e 60 anos de idade, estar em perfeitas condições físicas e mentais, sem histórico de participação no Falun Dafa e outras organizações ilegais, e sem antecedentes criminais”.

Os Institutos Confúcio são uma das maneiras pelas quais o regime exporta a perseguição para o exterior.

A Faculdade de Direito da UBA não respondeu ao pedido de comentários do Epoch Times até o fechamento desta matéria.

 
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