EUA: CEO do Comitê Nacional Democrata renuncia em meio à reestruturação e pobre financiamento

A CEO do Comitê Nacional Democrata renunciou na segunda-feira, 29 de janeiro, juntando-se a uma onda de funcionários que estão saindo ou sendo expulsos da organização enquanto esta luta para arrecadar fundos e enfrenta uma investigação do Senado sobre seu envolvimento num desacreditado dossiê contra Trump.

Jess O’Connell assumiu o cargo de CEO no Comitê Nacional Democrata (DNC, na sigla em inglês) menos de um ano atrás em maio de 2017, de acordo com a NBC. Na época, a organização estava em desordem após uma derrota devastadora para o presidente Donald Trump, acusações de favoritismo por Hillary Clinton em detrimento de Bernie Sanders e outros democratas nas primárias, e a violação de dados confidenciais de seus servidores, entre outras questões.

Em novembro, o DNC demitiu a sua maior arrecadadora de fundos, Emily Mellencamp Smith, que durou apenas cinco meses em sua posição, informou a mídia Politico. Em outubro, o DNC afastou quatro membros veteranos do seu alto escalão, de acordo com a NBC News.

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A reestruturação no DNC segue um ano de baixíssima arrecadação de fundos. O DNC foi superado pelo Comitê Nacional Republicano (RNC) em mais de 2 a 1 de janeiro a setembro do ano passado. O DNC arrecadou US$ 51 milhões, enquanto o RNC arrecadou US$ 104 durante esse período.

“Reconstruir o partido levará tempo. Embora não seja uma tarefa fácil, nós desenvolvemos uma estratégia, nós a implementamos, e ganhamos campanhas eleitorais amplamente nas votações em 2017”, disse O’Connell à NBC num comunicado sobre sua demissão.

“Enquanto eu tomei a decisão de passar o bastão, nosso trabalho permanece longe de concluído, e, sob a liderança e direção de Tom Perez, nosso partido continuará a desenvolver o progresso que fizemos em 2017”, acrescentou ela, referindo-se ao presidente-eleito do DNC.

O’Connell foi encarregada de investigar uma queixa contra Burns Strider, um funcionário de Hillary Clinton, de assédio sexual, informou o New York Times. O’Connell recomendou que Strider fosse demitido após a investigação, mas Clinton escolheu proteger Strider.

O DNC também é uma das partes interessadas numa investigação do Senado. No início desta semana, os senadores Chuck Grassley (R-Iowa) e Lindsey Graham (R-S.C.) exigiram que o DNC respondesse a uma série de questões sobre seu envolvimento no desacreditado dossiê Trump produzido pela Fusion GPS.

Estados Unidos, Donald Trump, Fusion GPS, dossiê, Hillary Clinton, Barack Obama - Um gráfico que mostra a rede de conexões para prevenir Trump de se tornar presidente. Para ver a imagem ampliada, clique aqui (The Epoch Times)
Um gráfico que mostra a rede de conexões para prevenir Trump de se tornar presidente. Para ver a imagem ampliada, clique aqui (The Epoch Times)

O dossiê foi usado, em parte, para conseguir um mandado de vigilância para espionar pelo menos um funcionário da campanha de Trump, Carter Page, informou o New York Times. Hillary Clinton e o DNC pagaram a Fusion GPS para produzir o dossiê enquanto ao mesmo tempo a Fusion GPS recebia dinheiro do governo russo.

O dossiê é supostamente parte de um controverso memorando do Comitê de Inteligência da Câmara dos Representantes sobre os abusos de vigilância governamental politicamente motivada durante a gestão Obama. O Comitê votou na segunda-feira para disponibilizar o relatório ao público. O lançamento do documento está pendente da aprovação de Trump e está sendo revisado pela Casa Branca, informou a Bloomberg.

Os legisladores que viram o conteúdo do memorando da Câmara descreveram-no como “pior do que o caso Watergate” e compararam-no a um “golpe palaciano”.

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