Estudo afirma que há apenas um tipo do novo coronavírus em circulação

Por EFE

Edimburgo, 6 mai – O coronavírus SARS-CoV-2, que causa a Covid-19, não está circulando em diversos tipos após sofrer mutações, segundo um estudo do Centro de Pesquisa em Virologia Universidade de Glasgow, na Escócia, publicado nesta quarta-feira pela revista “Virus Evolution”.

É comum que os vírus, inclusive o que causa a Covid-19, acumulem mutações ou variações na sequência genética a medida que se propagam entre a população, mas a maioria dessas mudanças não tem efeito sobre a biologia do vírus ou a agressividade da doença causada.

Alguns estudos recentes sugerem que podem estar em circulação duas ou três cepas de SARS-CoV-2, geradas através de mutações. Concretamente, era analisada a possibilidade de que existisse uma cepa mais agressiva que causasse doenças mais graves, no entanto, a equipe de Glasgow demonstrou, a partir de amostras do novo coronavírus, que apenas um tipo está em circulação atualmente.

Os cientistas realizaram uma profunda análise dos genomas do vírus registrados na plataforma CoV-GLUE (base de dados que rastreia substituições, inserções e eliminações de aminoácidos do SARS-CoV-2) e demonstraram que é pouco provável que as mutações tenham um significado funcional, concluindo que não representam tipos diferentes de vírus.

Até agora, a base de dados catalogou 7.237 mutações do agente patogênico e, embora possa parecer um número muito elevado, os especialistas observaram que esta é uma taxa de evolução relativamente baixa para um vírus RNA e que esperam que se acumulem mais mutações (que não têm impacto na biologia) conforme a pandemia continua.

No entanto, os cientistas destacaram que compreender como funcionam as mutações e como está ocorrendo a propagação permite rastrear o histórico de transmissão e entender o padrão da pandemia.

Oscar MacLean, pesquisador da Universidade de Glasgow, disse que, ao analisar a grande variação da sequência genética presente nos genomas do novo coronavírus, “a análise evolutiva mostra por que as afirmações de que há múltiplos tipos de vírus circulando atualmente são infundadas”.

 
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