Estudantes chineses optam por não ir à universidade

Um milhão de colegiais decidiram não fazer o exame anual de nível superior
Estudantes que concluíram o “gaokao”, o exame para entrar nas universidades chinesas, deixam o local de prova numa escola na cidade de Nanjing (The Epoch Times Photo Archive)

A cada mês de junho ocorre o exame nacional para o ensino superior na China, conhecido como “gaokao”. Tradicionalmente, o exame é visto como uma oportunidade importante para entrar numa universidade e ter boas perspectivas de emprego, no entanto, o número de candidatos atingiu uma baixa recorde esse ano.

“Temos uma nova opinião [na China] que estudar se tornou inútil. Não é fácil encontrar um emprego após se graduar e, mesmo graduado, o salário não é alto. Então, muitas pessoas desenvolveram a ideia de que estudar agora é inútil, resultando no declínio do entusiasmo pelo vestibular”, disse Cao Siyuan, CEO do Centro Siyuan de Pesquisa em Ciências Sociais de Pequim, numa entrevista à emissora NTDTV.

O número de participantes do exame caiu pela primeira vez em 2009 e tem diminuído desde então, de 9,57 milhões em 2010 para 9,12 milhões esse ano, informou o Xiao Xiang Morning News.

Nos últimos três anos, cerca de 800 mil alunos do ensino médio optaram por não fazer o exame a cada ano, mas o número saltou para um milhão esse ano, disse Chu Zhaohui, pesquisador do Instituto Nacional de Ciências da Educação da China.

Estudantes rurais representaram 60% desse número, com muitos optando por desistir dos exames pela dificuldade de encontrar emprego após graduados, segundo o artigo do Xiao Xiang.

Perspectivas ruins de emprego para os licenciados e mensalidades caras são as duas razões principais por que estudantes têm evitado os exames, disse Qiao Mu, um professor de jornalismo na Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim, numa entrevista à NTDTV.

A desaceleração econômica da China pode ter contribuído para a demanda enfraquecida por universitários. A fraca demanda estrangeira desde o início de 2013, em parte devido à crise financeira global, prejudicou muitas indústrias de exportação na China, disse Qiao Mu.

Estudantes de famílias de alta renda também têm optado cada vez mais por não participar nos exames nacionais, preferindo estudar no estrangeiro, informou o Xiao Xiang. Entre 2009 e 2012, o número de alunos que foram estudar no exterior cresceu 20% ao ano.

Em 2011, cerca de 340 mil pessoas deixaram a China para estudar no exterior e, em 2012, mais de 400 mil. Este ano, mais graduados do Colégio Afiliado da Universidade de Estudos Internacionais de Shanghai fizeram planos para estudar no exterior do que para estudar na China. De seus 330 graduados, 110 foram indicados para universidades nacionais, enquanto que 140 foram admitidos em universidades no exterior.

A imagem geralmente negativa das universidades na China incentivou alguns a estudar no exterior. Um estudante entrevistado pelo Time Weekly disse ter escolhido estudar no exterior porque desprezava a vida de estudante universitário na China.

Segundo ele, a maioria dos estudantes universitários na China é conhecida por dormir nas aulas, não estudar no tempo livre e se preparar na última hora para os exames. “Se é assim que eles tratam os estudos, não é estranho que tenham dificuldade para encontrar emprego após a graduação”, comentou o estudante.

Cao Siyuan apontou que os estudantes do ensino médio de famílias da elite que foram estudar no estrangeiro dizem que o ensino universitário na China tem decaído muito. A primeira coisa que deve ser feita para melhorar esta situação, disse ele à NTDTV, é que as escolas e universidades sejam dirigidas por professores e não por políticos.

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