Estudantes chineses endinheirados vão para os EUA aos milhares

Um canto da Universidade de Harvard. Estudantes chineses vão para os Estados Unidos com o dinheiro dos pais e gastam-no em educação cara e bens de luxo. (Darren McCollester/Getty Images)

O pontapé inicial do semestre de outono marca um novo ponto de partida para os estudantes chineses que viajaram do outro lado do mundo para começar a vida como estudantes nos Estados Unidos. Muitos dos participantes das faculdades de elite foram capazes de aproveitar a vasta riqueza acumulada por seus pais na China para assegurar um período confortável na América.

Daisy Zhang é a filha de um líder provincial do Partido Comunista Chinês. Depois que ela se tornou estudante de graduação na Universidade de Boston este outono, Zhang se tornou uma visitante assídua de lojas de marcas de luxo na cidade.

“Sempre que faço compras na Barneys New York ou na Nordstrom nos fins de semana, eu encontro outros estudantes chineses. Uma vez, fui fazer compras com uma amiga cujo pai é presidente de uma empresa na província de Zhejiang e ela gastou quase 20 mil dólares em apenas 10 minutos. Isso não era nada para ela”, disse Zhang, que acrescentou que alguns de seus amigos chineses compraram casas e carros de luxo logo depois que chegaram à América.

Apesar da riqueza material, um sentimento de confiança está muitas vezes ausente entre os ricos estudantes chineses, disse Zhang. “A menos que sejamos amigos íntimos, não revelamos a origem de nossa família e o emprego de nossos pais, para o caso de entrarmos em apuros.”

“Entre os estudantes chineses aqui [nos EUA] há dois fatos conhecidos: alunos de graduação vêm de famílias mais ricas do que alunos de pós-graduação e a segunda geração de empresários ricos não ultrapassa filhos e filhas de funcionários comunistas em termos de riqueza”, disse ela.

Com uma economia doméstica lenta, as universidades norte-americanas agora recrutam ativamente estudantes internacionais que podem pagar mensalidade integral. Com cerca de 160 mil estudantes chineses nos Estados Unidos em 2011, segundo o Instituto de Educação Internacional, o impacto econômico é significativo: 4 bilhões de dólares apenas em despesas de ensino. Algumas estimativas indicam que, somando alojamento e custo de vida, o número pode ser o dobro.

Além do poder de compra, estudantes têm de lidar com uma língua e cultura diferentes.

“Eu não entendo a maioria das brincadeiras ou piadas. Eu não entendo o costume e a cultura por trás de sua língua”, disse Jessica Yang, uma nova estudante de graduação na Universidade Brown, sobre seus colegas norte-americanos. “Então, eu me vejo sempre saindo com outros estudantes da China.”

Yang disse que, embora tenha sido difícil entender seus colegas norte-americanos culturalmente, ela aprendeu inglês extensivamente na China e não teve qualquer problema em entender revistas e programas de televisão.

Estudantes de níveis mais avançados acham seus conhecimentos de inglês insuficientes para leituras acadêmicas. “Tarefas de ler e escrever me incomodam mais”, disse Jenny Li, doutoranda na Universidade de Illinois em Urbana-Champaign. “A tarefa de leitura de um professor era de mais de 200 páginas por semana. Passei cinco minutos numa página, mas ainda não conseguia entender tudo.” Jenny se abstém principalmente de atividades de entretenimento e tenta comer rápido suas refeições para voltar ao estudo, esperando que isso lhe dê algum retorno no futuro.

A liberdade da América é algo que os estudantes chineses às vezes levam tempo para se ajustar.

Louise Chen, que apenas entrou na Escola Harvard Kennedy no último fim de semana, disse que ficou impressionada com a liberdade acadêmica que os estudantes desfrutam nos Estados Unidos. “Meu professor me disse que minha opinião era valiosa. Todos os alunos podem fazer suas próprias perguntas e refutar as perspectivas dos professores”, disse ela.

“Os professores não impõem seus pontos de vista sobre ninguém. Isso é simplesmente impensável na China.”

 
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