Estas foram as 4 previsões furadas de Hugo Chávez para a Venezuela em 2019 (Vídeo)

Nicolás Maduro deu continuidade ao trabalho de Chávez e seu socialismo, a ponto de hoje quase 60 dos países mais importantes do mundo não reconhecerem Maduro e sim Juan Guaidó como o único presidente legítimo da Venezuela

Por Jesús de León, Epoch Times

Hugo Chávez prometeu uma economia próspera até 2019, no entanto, hoje muitos venezuelanos têm que tirar comida do lixo e sobreviver no meio do colapso lidando com uma hiperinflação de seis dígitos, recessão, escassez de bens e serviços e desemprego.

Em uma entrevista concedida em 2012, antes das últimas eleições que ele disputou, o então presidente projetou um futuro que está muito distante do que é vivido hoje naquele país.

Produto Interno Bruto

“Quanto era o PIB venezuelano há 15 anos? 90 bilhões de dólares”, disse Chávez na entrevista.

“Este ano vamos fechar em 400 bilhões de dólares (o PIB), medido a preços constantes. De 90 bilhões para 400 bilhões, isso representa mais de 400% do crescimento do PIB “, disse o ex-militar que se tornou presidente socialista da nação petroleira.

“Somos uma das economias mais prósperas deste continente. Agora, imagine em 2019”, acrescentou Chávez em 2012, em entrevista concedida no Palácio de Miraflores, no final de sua última campanha eleitoral.

De acordo com dados do Fundo Monetário Internacional divulgados pela Infobae, o PIB venezuelano em 2012 foi de 331 bilhões de dólares, e não 400 bilhões.

Mas nos anos seguintes o PIB do país contraiu mais de 70%, até os 87 bilhões de dólares estimados pelo FMI atualmente, abaixo dos 90 bilhões de dólares que mencionou Chávez no início da entrevista.

Petróleo

O petróleo é a maior riqueza da Venezuela. O país possui em seus ativos as maiores reservas provadas do mundo.

Ex-presidente venezuelano Hugo Chávez (esq.) e Nicolás Maduro, em 18 de dezembro de 2007, no prédio da Universidade de Montevidéu (MIGUEL ROJO / AFP / Getty Images)
Ex-presidente venezuelano Hugo Chávez (esq.) e Nicolás Maduro, em 18 de dezembro de 2007, no prédio da Universidade de Montevidéu (MIGUEL ROJO / AFP / Getty Images)

Mas as previsões de Chávez a esse respeito foram completamente erráticas.

“Quando chegar 2014, estaremos produzindo 4 milhões de barris de petróleo”, disse Chávez em 2012. Mas na verdade, o que aconteceu foi que, desde então, a produção de petróleo venezuelana diminuiu em 1,20 mbd.

Em 2014, a produção foi de 3 milhões de barris por dia e caiu para 1,15 milhão no terceiro trimestre de 2018, segundo a mídia Dinero. Esse ano fechou com uma produção de 2,8 milhões.

Depois Chávez fez previsões sobre 2019: “Em 2019 estaremos produzindo 4 milhões de barris de petróleo”, disse ele na entrevista.

Mas neste 2019 a queda da produção de petróleo na Venezuela não pode ser detida e está abaixo de um milhão de barris.

Desde a chegada de Hugo Chávez à presidência da República, em 1998, com um pico de produção em 1998 de 3,1 milhões de barris por dia, a Venezuela agora produz menos de 1 milhão de barris.

Para um país que em 2015 registrou uma concentração de 90% de suas exportações no setor de petróleo, uma queda desse tipo na produção representa um golpe significativo à sua estabilidade econômica.

Soberania alimentar

Chávez também fez previsões sobre os alimentos, que sempre foi um problema devido à excessiva dependência do exterior. “Em 2019, teremos soberania alimentar. Estamos importando hoje, se excluirmos o trigo que não é produzido aqui, 20% dos alimentos que consumimos. Mas deverá chegar a 100% (produção).”

O problema da falta de alimentos na Venezuela hoje é talvez o caso mais emblemático do fracasso do modelo chavista de governo e suas políticas.

A Pesquisa sobre Condições de Vida na Venezuela (Encovi) realizada pelas universidades de maior prestígio do país, revelou em 2018 que 64% dos venezuelanos haviam perdido cerca de 11 kg de peso entre 2016 e 2017, devido à acelerada deterioração do consumo de alimentos na quantidade e qualidade necessárias, sendo crianças e mulheres as mais afetadas, perderam uma média de 11 quilos em um ano devido à falta de comida.

“As pessoas estão morrendo de fome. O peso médio da população é menor ano após ano. Essa é uma medida real de uma crise profunda”, disse Philippe Waechter, economista-chefe da empresa de administração Ostrum AM (uma afiliada da Natixis IM), de acordo com El Mundo.

Além disso, com uma hiperinflação de 1.600.000%, a grande maioria da população não tem dinheiro suficiente para suas despesas mais básicas.

Os próximos seis anos

“Eu fico empolgado quando penso nos próximos seis anos. Tudo isso nós podemos fazer no socialismo. Democracia”, disse Chávez no final da entrevista.

No entanto, Chávez gradualmente destruiu as instituições democráticas venezuelanas com seu socialismo do século XXI.

Aproveitando sua popularidade, ele redesenhou as instituições venezuelanas à sua vontade, promoveu o culto de si mesmo, cooptou o judiciário, amordaçou a imprensa e perseguiu a oposição.

Nicolás Maduro deu continuidade ao trabalho de Chávez e seu socialismo, a ponto de hoje quase 60 dos países mais importantes do mundo não reconhecerem Maduro e reconhecer Juan Guaidó como o único presidente legítimo da Venezuela e seus esforços para devolver o país ao canal democrático através da cessação da usurpação do regime no poder, a criação de um governo de transição e a realização de eleições livres.

 
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