Estação espacial militar chinesa na Argentina é ‘caixa preta’ secreta que levanta suspeitas

Acordo discutido por legisladores argentinos afirma que estação poderia ser usada tanto para fins civis quanto militares

Por Epoch times

A estação espacial militar chinesa na Argentina é uma “caixa preta” que opera em segredo, sem acesso e com pouca supervisão física de suas operações pelo governo argentino.

Desde setembro de 2014, o Epoch Times informa sobre os riscos específicos de que a estação espacial chinesa de Neuquén tenha usos militares, dependendo diretamente do Departamento Geral de Armamentos do Exército de Libertação Popular, o braço militar armado do regime comunista chinês.

O objetivo declarado da estação que entrou em operação desde abril de 2018, é a observação e exploração espacial pacífica.

 


Mas o remoto complexo de 200 hectares opera com pouca supervisão das autoridades argentinas, de acordo com centenas de páginas de documentos do governo argentino obtidos pela Reuters e revisados ​​por especialistas em direito internacional.

O acordo obriga a China a informar a Argentina sobre suas atividades na estação, mas não fornece nenhum mecanismo de fiscalização para que as autoridades garantam que ela não seja usada para fins militares, disseram especialistas em direito internacional.

Operadores chineses trabalhando no Centro de Controle da Estação CLTC-CONAE-NEUQUEN (CONAE)
Operadores chineses trabalhando no Centro de Controle da Estação CLTC-CONAE-NEUQUEN (CONAE)

A ex-chanceler do ex-presidente Mauricio Macri, Susana Malcorra, disse em entrevista à Reuters que a Argentina não tem supervisão física das operações da estação. Em 2016, ela revisou o acordo da estação espacial chinesa para incluir uma estipulação de que seja apenas para uso civil.

Quando questionada sobre como garantir que a estação não seja usada para fins militares, a agência espacial argentina CONAE disse à Reuters que o acordo entre os dois países estabelece seu compromisso com o “uso pacífico” do projeto.

Ele disse que as transmissões de rádio da estação também foram monitoradas, mas especialistas em radioastronomia disseram que os chineses poderiam facilmente ocultar dados ilícitos nessas transmissões ou adicionar canais criptografados às frequências acordadas com a Argentina.

A partir das últimas estratégias militares publicadas pelo Exército de Libertação Popular em seu último Livro Branco, o papel dessa base e suas implicações para a Argentina e a região adquirem uma relevância que transcende suas fronteiras.

Na nova estratégia, o espaço e os domínios cibernéticos são descritos como os picos dominantes da competição estratégica.

A antena da base de Neuquén é uma antena que “tem a possibilidade de servir para fins militares, de comando e controle de satélites, numa gama de satélites que circulam em certas órbitas que passam pelo hemisfério ocidental, isto é, tudo o que é aAmérica como um todo”, disse o engenheiro aeronáutico Ricardo Runz ao Epoch Times a, que foi assessor em questões de defesa de vários governos argentinos.

Segundo este especialista, a antena provavelmente serve para ser interligada a uma série de outras estações que a China possui numa rede que lhe permite servir de nexo de informações, para triangulação de informações, para comando e controlo do ASAT (anti-satélite) sistema.

A enorme antena parabólica de 450 toneladas é a peça central de uma estação construída pelos militares chineses.

Antenas e outros equipamentos que apóiam missões espaciais, como a que a China agora tem na Patagônia, podem aumentar a capacidade de coleta de inteligência da China, dizem os especialistas.

“Uma antena gigante é como um aspirador de pó gigante”, disse Dean Cheng, ex-investigador do Congresso que estuda a política de segurança nacional da China. “O que você está absorvendo são sinais, dados, todos os tipos de coisas”, acrescentou ele, de acordo com o The New York Times.

Envolto em segredo, o complexo provoca inquietação entre os residentes locais, alimenta teorias de conspiração e também causa preocupações sobre seu verdadeiro propósito.

O tenente-coronel Christopher Logan, porta-voz do Pentágono em 2019, disse que oficiais militares dos EUA estavam avaliando as implicações da estação de monitoramento chinesa. As autoridades chinesas recusaram pedidos de entrevistas daquele meio de comunicação sobre a base e seu programa espacial.

Tecnologia de dupla utilização

Quando o acordo foi discutido pelos legisladores argentinos, ficou claro que a tecnologia da emissora chinesa poderia ser usada tanto para fins civis quanto militares.

Na ocasião, o ex-vice-chanceler Roberto García Moritan, destacou que a tecnologia e as atividades que a estação apresentará podem ser utilizadas para fins militares, tais como “varredura de comunicações, rastreamento e detecção de satélites, controle de lançamento em escala global e inclusive, em caso de necessidade, mísseis, drones e outras atividades militares semelhantes”, afirmou o ex-vice-chanceler em coluna do jornal Infobae.

O Controle Geral de Lançamento e Rastreamento de Satélites da China (CLTC) tem longa experiência em tecnologia de satélite e informação.

Desde que a China começou a desenvolver seus próprios satélites de comunicação no início dos anos 1970, todos foram projetados pela Academia Chinesa de Tecnologia Espacial (CAST) para fins militares e todos foram operados pela CLTC e subordinados à Comissão do Espaço. Ciência, Tecnologia e Indústria para a Defesa Nacional da República Popular da China, de acordo com o Comitê Especial de Segurança Nacional e Assuntos Militares / Comerciais dos Estados Unidos com a China, conhecido como Relatório Cox.

O tenente-general Ronald L. Burgess, diretor da Agência de Inteligência de Defesa dos Estados Unidos, alertou já em fevereiro de 2012 sobre a estratégia da China de se concentrar na guerra espacial.

Burguess afirmou que, além de armas anti-satélite, a China também está “desenvolvendo sistemas de interferência e armas de energia direcionada para missões ASAT (anti-satélite)” e, especialmente, observou que “Pequim raramente reconhece as aplicações diretas de seu programa espacial, e ele se refere a quase todos os lançamentos de satélites como científicos ou civis”.

Por exemplo, em 12 de maio de 2013, a China testou uma de suas armas anti-satélite, o Dong Ning-2, e disse que era uma missão científica.

Por outro lado, o acordo firmado entre a Argentina e o regime chinês busca ampliar a colaboração entre as duas nações.

De acordo com comunicado da CONAE, em dezembro de 2018 uma delegação chinesa visitou aquela agência e foram analisados ​​os passos futuros para ampliar a cooperação entre as duas instituições.

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