Esculturas de Aleijadinho fotografadas por Horacio Coppola viram exposição no Instituto Moreira Salles de São Paulo

União entre o trabalho do artista brasileiro e de Coppola resultam em imagens marcantes
Detalhe de portal, igreja de Nossa Senhora do Carmo – Sabará, MG – 1945
(Horacio Coppola / Acervo Instituto Moreira Salles)

Até o dia 11 de novembro, o Instituto Moreira Salles de São Paulo recebe a exposição fotográfica Luz, cedro e pedra – Esculturas do Aleijadinho fotografadas por Horacio Coppola. O fotógrafo argentino, que faleceu recentemente, tornou-se um dos grandes nomes da área na América Latina.

O acervo reúne 150 imagens captadas por Coppola durante uma visita às cidades históricas de Minas Gerais – Ouro Preto, Congonhas do Campo e Sabará – em 1945.  Admirador de esculturas, o fotógrafo considerava Antônio Francisco Lisboa (o Aleijadinho) um artista completo – arquiteto, escultor e ornamentista sacro.

Cristo crucificado
Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias
Ouro Preto, MG – 1945
(Horacio Coppola/ Acervo Instituto Moreira Salles)

Entre as imagens em destaque estão a Pastor ajoelhado, figura do presépio em roca da igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto;  e a escultura Cristo crucificado, que fez parte do conjunto de arte sacra da igreja de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias. Atualmente, ambas encontram-se expostas no Museu da Inconfidência, em Ouro Preto.

O contato de Coppola com a obra de Aleijadinho ocorreu graças ao trabalho de intelectuais argentinos. Os poetas Jules Supervielle e Ramón Gómez de la Serna redigiram artigos sobre o trabalho do artista brasileiro, o que projetou seu trabalho para o país vizinho. No ano anterior à viagem de Coppola, o escritor brasileiro Newton Freitas publica uma versão em espanhol do livro El Aleijadinho.

A forte expressividade das esculturas sacras de Aleijadinho tornou o material fotográfico de Coppola um rico registro de um capítulo da história da arte brasileira. Em nota divulgada à imprensa o curador Luciano Migliaccio, professor do Departamento de História da Arquitetura e Estética do Projeto da FAU/USP, afirma que fotografar esculturas é uma questão de pontos de vista, sobretudo quando se trata das esculturas de Aleijadinho.

“Coppola compreendeu muito bem o caráter decorativo intrínseco à poética do escultor brasileiro”, acrescenta. O interesse de Copolla pela arte teve início na década de 1920, período onde presidiu o primeiro cineclube argentino em Buenos Aires.

Dez anos após a visita a Minas Gerais, Coppola organizou uma exposição na associação Amigos del Libro e publicou o resultado de seu trabalho no livro Esculturas de Antonio Francisco Lisboa O Aleijadinho (Buenos Aires: Ediciones de La Llanura, 1955).

Entre seus trabalhos de destaque estão duas imagens que ilustram o livro Evaristo Carriego (1930), de Jorge Luis Borges e, no ano seguinte, um ensaio fotográfico para a revista Sur, respeitada publicação literária da Argentina.

Serviço
Luz, cedro e pedra – Esculturas do Aleijadinho fotografadas por Horacio Coppola
Aberta à visitação até o dia 11 de novembro
Entrada franca
Instituto Moreira Salles – São Paulo
Rua Piauí, 844, 1º andar, Higienópolis
www.ims.com.br
Entrada franca.

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