Encontro inesperado de Angela Merkel na Cidade Proibida de Pequim

A chanceler alemã Angela Merkel (centro) e o premiê chinês Wen Jiabao são recebidos por uma guarda de honra durante a cerimônia de boas-vindas no Grande Salão do Povo em Pequim em 30 de agosto de 2012. (Mark Ralston/AFP/Getty Images)

Quando funcionários de governos estrangeiros visitam a China, peticionários chineses descontentes frequentemente tentam passar pela segurança, esperando uma chance de apresentar seus casos a funcionários estrangeiros como último recurso na busca de justiça. Tal situação aconteceu durante a visita da chanceler alemã Angela Merkel na Cidade Proibida em Pequim, segundo um jornalista chinês.

Mensagens apareceram no Weibo, a versão chinesa do Twitter, que durante a visita de Merkel à Cidade Proibida na manhã de 31 de agosto, um manifestante inesperado apareceu e entregou documentos sobre artefatos roubados do antigo palácio. As mensagens do Weibo foram rapidamente censuradas e removidas.

“Um funcionário do Palácio Proibido quebrou a segurança e entregou uma queixa à equipe da chanceler alemã. A pessoa foi levado por guardas da segurança”, disse Long Can, um jornalista da província de Sichuan, em sua página no Weibo.

Vários outros usuários conhecidos do Weibo postaram a mesma mensagem, entre eles, o ativista dos direitos humanos Sun Wanbao.

Quando contatado por telefone em 2 de setembro, o escritório do museu da Cidade Proibida disse que “não sabia de nada”.

A Cidade Proibida, que serviu como palácio real para diferentes dinastias chinesas até o início de 1900, tem sofrido com pilhagens e outros escândalos nos últimos anos.

Em julho de 2011, a mídia estatal informou danos inexplicáveis a uma placa rara de mil anos de idade, em exposição no museu da Cidade Proibida.

Em agosto de 2011, a mídia estatal Jinghua Times publicou cartas de funcionários do museu dizendo que mais de 100 livros históricos, alguns deles datados da Dinastia Ming (1368-1644), tinham desaparecido desde 2007 e muitos foram roubados por funcionários do museu.

Zheng Xinmiao, o chefe do museu, renunciou em janeiro passado.

Muitas postagens do Weibo comentaram sobre a ironia de que funcionários da Cidade Proibida tenham apelado para um chefe de Estado ocidental por ajuda enquanto os líderes chineses têm ignorado a situação.

“Enquanto o valor de nossas relíquias históricas cresce, os artefatos da Cidade Proibida são alvo de certas pessoas”, disse Long Can em seu blogue.

 
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