Economia chinesa sofrerá “maior pressão descendente” em 2019

Por Emel Akan, Epoch Times

A atividade industrial na China sofreu contração pela primeira vez em 19 meses em dezembro, quando a segunda maior economia do mundo sofria com a fraca demanda interna e os atritos comerciais com os Estados Unidos. Pequim precisa lançar um estímulo imediato se quiser evitar o contínuo enfraquecimento da economia, dizem especialistas.

O índice Caixin Manufacturing Purchasing Managers (PMI) não atingiu as estimativas de mercado, caindo abaixo de 50, marca que separa a expansão da contração. O indicador de atividade industrial nacional caiu de 50,2 em novembro para 49,7 no mês passado, nível mais baixo desde maio de 2017.

O fraco comércio e o ínfimo crescimento da demanda interna afetaram a indústria chinesa. E a notícia que mais chamou a atenção foi a da queda de novos pedidos, algo que ocorre pela primeira vez desde junho de 2016.

Dados publicados pelo Departamento Nacional de Estatísticas (BNE) em 31 de dezembro também revelaram tendência similar. O PMI industrial oficial caiu inesperadamente para 49,4 em dezembro, seu nível mais baixo em quase três anos.

A análise do índice Caixin concentrou-se em empresas privadas de pequeno e médio porte, enquanto a estimativa oficial do PMI monitora as grandes empresas e empresas públicas.

“No geral, o setor industrial da China enfrentou uma demanda interna cada vez mais fraca e uma demanda externa moderada em dezembro”, escreveu Zhengsheng Zhong, diretor de análise macroeconômica do Grupo CEBM, uma subsidiária do Caixin.

“As empresas têm uma intenção maior de ficar sem estoque e os preços dos produtos industriais estão caindo, o que pode arrastar ainda mais a produção”, acrescentou ele em um comunicado à imprensa. “Parece cada vez mais provável que a economia chinesa será submetida a novas pressões descendentes.”

Problemas no mercado de ações continuam

As bolsas de valores chinesas caíram após o anúncio, com o índice de referência Shangai Composite Index baixando para 1,15% e o Shenzhen Component Index fechando 1,25% mais baixo em 2 de janeiro.

Os problemas do mercado acionário chinês podem continuar em 2019. No ano passado, a China foi o mercado de ações com pior desempenho do mundo, com os índices de Xangai e Shenzhen caindo mais de 24%.

A guerra comercial com Washington e a desaceleração da economia chinesa intensificaram as preocupações dos investidores, causando uma perda de quase US$ 2,3 trilhões em valor de mercado. Os esforços de desalavancagem de Pequim no sistema financeiro também desempenharam um papel importante no colapso da bolsa de valores, segundo especialistas.

O fraco crescimento econômico levou o regime chinês a lançar uma série de medidas de estímulo desde o último verão. Os líderes chineses prometeram recentemente novos cortes de impostos, gastos com infraestrutura e flexibilização monetária para impulsionar a economia.

“Ainda estamos esperando que as autoridades anunciem mais medidas de flexibilização para apoiar o crescimento econômico”, disse Goldman Sachs em um informe.

Guerra comercial afeta demanda interna

Dados econômicos recentes indicaram fortes pressões descendentes. Os lucros da indústria caíram em novembro pela primeira vez em quase três anos. O crescimento das vendas no varejo, indicador de consumo atentamente monitorado, também enfraqueceu em novembro, registrando o ritmo mais lento em 15 anos.

Segundo Iris Pang, economista chinesa no ING, dados recentes do setor industrial mostram que a economia está fraca e que o estímulo precisa vir rapidamente.

“Acreditamos que os dados refletem que a guerra comercial não prejudicou apenas o crescimento do setor exportador. Também prejudicou as empresas da cadeia de abastecimento relacionadas à exportação e, por sua vez, à demanda doméstica”, escreveu ele em nota. “Se a demanda doméstica não for rapidamente apoiada pelo estímulo fiscal, então um enfraquecimento adicional representará um risco para a segurança no emprego. Isso pode criar um círculo vicioso. ”

Em um esforço para controlar dados econômicos sensíveis, o regime chinês proibiu recentemente as autoridades regionais de produzirem estatísticas sobre a atividade industrial. A notícia veio depois que o centro de exportação do país, a província de Guangdong, parou de publicar os dados do PMI. Autoridades do regime disseram que todos os dados futuros sobre a atividade industrial serão publicados pelo National Bureau of Statistics.

A medida foi tomada enquanto Pequim tenta controlar a disseminação de notícias econômicas em meio ao enfraquecimento da economia e à disputa comercial com os Estados Unidos.

Siga Emel Akan no Twitter: @mlakan

 
Matérias Relacionadas