Dez nações concordam estudar impacto da pesca em águas recém-abertas no Ártico

Os Estados Unidos, a Rússia e outras oito nações chegaram a um acordo para limitar a pesca em águas árticas recém-degeladas até que as reservas da vida marinha, especialmente de peixes, possam ser estudadas de forma abrangente.

Com o derretimento gradual da cobertura de gelo do Ártico, novas águas estão sendo abertas para a pesca comercial, informou o New York Times. Nenhuma das águas recém-abertas é controlada por qualquer nação, embora várias nações reivindiquem águas nas proximidades, e outras nações operem frotas de arrasto nessas águas.

Todas as dez nações que participam do acordo têm um interesse compartilhado na prevenção da pesca excessiva que poderia colapsar o estoque de peixes, prejudicando economicamente todas as nações interessadas.

O acordo proíbe o arrasto nas águas recém-abertas da zona internacional do Oceano Ártico por 16 anos, ou até que um plano de pesca sustentável seja definido.

A traineira russa "Oleg Naïdenov" é o tipo de barco que pode fazer pesca em enorme escala e poderia causar grandes danos às populações de peixes do Ártico em águas recém-expostas (Seyllou/AFP/Getty Images)
A traineira russa “Oleg Naïdenov” é o tipo de barco que pode fazer pesca em enorme escala e poderia causar grandes danos às populações de peixes do Ártico em águas recém-expostas (Seyllou/AFP/Getty Images)

O acordo é excepcional, pois reúne os adversários globais como os Estados Unidos e a Rússia, e ocorre num momento em que as causas do derretimento do gelo no ártico ainda estão sendo debatidas.

“É um exemplo em que os Estados Unidos e a Rússia têm interesses muito similares, como também outros Estados próximos do Oceano Ártico”, disse Scott Highleyman, vice-presidente de política e programas de conservação da Ocean Conservancy, ao New York Times. “O Ártico pode ser uma área de cooperação? Sim, pode, e isso é bom.”

Os países signatários incluem os Estados Unidos, Noruega, Dinamarca, Canadá e Rússia, que margeiam o Ártico; além da Coreia do Sul, China, Japão, União Europeia e Islândia, que operam frotas de arrasto no Ártico.

A traineira francesa "Grande Hermine" recolhe uma carga de bacalhau do Mar de Barents. Já em 2004, os ministros da pesca da União Europeia perceberam que os estoques de peixes estavam ficando perigosamente baixos (Marcel Mochet/AFP/Getty Images)
A traineira francesa “Grande Hermine” recolhe uma carga de bacalhau do Mar de Barents. Já em 2004, os ministros da pesca da União Europeia perceberam que os estoques de peixes estavam ficando perigosamente baixos (Marcel Mochet/AFP/Getty Images)

EUA e Rússia têm mais em jogo

Parte do que motivou os dois antagonistas globais a cooperarem foi a localização do maior derretimento, ou a área de maior redução da cobertura de gelo polar durante o degelo do verão.

A calota de gelo encolheu mais ao norte do Alasca e da região russa de Chukotka, além do extremo norte do Oceano Pacífico; o que significa que as nações do Pacífico estão acostumadas a operar suas frotas de arrasto na área, de acordo com o New York Times.

O acordo é uma expansão de um pacto de 2015 entre os EUA, Canadá, Noruega, Groelândia e Rússia para evitar voluntariamente a pesca no Ártico, informou a Reuters. As negociações do acordo anterior começaram no final de 2013, informou o New York Times.

Aquele acordo, como o atual, pretendia gerenciar os estoques de peixes que anteriormente viviam sob a calota de gelo durante todo o ano, e também evitar a pesca excessiva de cardumes que poderiam migrar para as águas mais quentes mais próximas do Polo.

Essa rodada de reuniões foi impulsionada pela redução da calota de gelo do Ártico para 3,42 milhões de quilômetros quadrados em 2012, de acordo com a NASA, a maior redução já registrada.

“Este é um acordo histórico”, disse David A. Balton, o vice-secretário-assistente de oceanos e pesca do Departamento de Estado dos EUA, à Reuters. “É um caso raro os governos fazerem algo com antecedência, para evitar o surgimento de problemas.”

Balton, um veterano de 32 anos do Departamento de Estado, representou os Estados Unidos durante as negociações recentes.

Todas as nações que assinaram o acordo recente se beneficiarão no longo prazo, segundo a opinião de Balton.

“No futuro, se os estoques de peixes forem abundantes o suficiente para permitirem a pesca comercial, eles serão parte do sistema de gestão e presumivelmente seus navios terão a oportunidade de pescar esses estoques”, disse Balton à Reuters.

NTD Television

 
Matérias Relacionadas