Desconstruindo o pronunciamento de Dilma pela Copa do Mundo

SÃO PAULO – Assisti ao pronunciamento da presidente Dilma Vana Rousseff sobre a Copa do Mundo de Futebol de 2014 que o Brasil sedia a partir de hoje, 12 de junho, com jogo da seleção brasileira de futebol contra a seleção da Croácia.

Pois bem, já me irritei de início com o termo “presidenta”. Feministas me chamarão de machista opressor, mas minha inquietação é referente aos motivos por trás da utilização do termo, ligados à mesma velha e ruim politicagem de sempre. No entanto, isto é ínfimo, sem valor, frente às barbaridades que tive o desprazer de assistir e ouvir (sei que poderia ter desligado a TV, mas escolhi assistir para saber até onde iria a cara de pau de nossa presidente).

Em primeiro lugar, Dilma, não sou seu “amigo”… Pois além de combater a ideologia que você defende, que custou, e ainda custa, milhões de vidas à humanidade, também tenho asco ao seu partido, aos políticos que estão nele e a você, não por motivos de “birra”, mas pelo ranço que vocês carregam e o obscurantismo que os rodeiam, além de relações muito perigosas e suspeitas com ditaduras sanguinárias e tantas outras facções criminosas dentro e fora do Brasil.

Como podes falar “em nome do povo brasileiro”? Desde quando você e sua trupe agem de acordo com o que o povo brasileiro deseja e precisa? Não passamos de massa de manobra para a manutenção de seu grupo no poder.

“Maior Copa da História”… Com os estádios mal feitos e a maioria das obras inacabadas, ou simplesmente não feitas – como de mobilidade urbana, infraestrutura, etc – apesar dos mais de R$38 bilhões gastos com o evento nos últimos sete anos? Com o presidente da FIFA dando declarando à imprensa que o Brasil nunca mais receberá uma Copa do Mundo da instituição?

Esta Copa é um desastre mesmo antes de começar. A seleção da Alemanha conseguiu investidores para construir o próprio centro de treinamento e hospedagem no Sul da Bahia. Isto porque o Brasil sufoca o setor hoteleiro e impede com inúmeras regulamentações, restrições, tributos, etc, que empreendedores desenvolvam oportunidades no setor.

“Copa contra o racismo e pela paz”… Poupe-me! Acabas de introduzir mais cotas raciais, como se os negros fossem seres inferiores e incapazes de conquistar os próprios objetivos pelo mérito. Acabas de baixar um decreto golpista e vemos serem aprovadas leis que agridem os direitos individuais, como o marco “civil” da internet. Que paz é esta que serve apenas a você e a seu grupo?

“Contra o preconceito e pela tolerância”… Mas espere! Que grupo apoia movimentos que fomentam o ódio entre as classes, tentando implantar uma luta de classes que não existiria sem tal fomento?

“Do diálogo”… Oras, mas todas as vossas posturas e atitudes são autoritárias e não aceitais posições contrárias às suas, tanto é assim que  gravais um vídeo para evitardes as vaias da população ao vivo. O discurso do PT e de seus integrantes é sempre de ódio contra tudo e contra todos que não compartilhem do mesmo ideal: onde está a tolerância e o diálogo, presidente?

“Diminuir as desigualdades”… Através do Estado, que socializa a miséria, compra votos desses miseráveis com bolsas-tudo e fomenta a criação de leis que tornam “uns mais iguais que outros”? Que “igualdade” é essa, presidente?

“Os pessimistas foram derrotados”… Como é que é? Bem, os pessimistas talvez, mas os realistas, presidente, que não se deixaram enganar pela lambança com o dinheiro dos pagadores de impostos, têm suas teses todas confirmadas.

“Capacidade de trabalho”… A única capacidade de trabalho realmente existente está na livre iniciativa, que tem sido fortemente achincalhada e violada neste país nos últimos 12 anos, mais que em qualquer outro período de nossa História como “República”.

“Estádios prontos e confortáveis”… Estão semi-acabados, com “gambiarras”, mal feitos, com acessos confusos e mal planejados, e vem nos falar de “prontos” e com “conforto”?

“Não haverá racionamento de energia”… Mas já há, principalmente no Norte e Nordeste. Minha tia mora em Itabuna/BA, e lá – e não só lá – está instituído o racionamento de água e de luz. Talvez esses problemas não ocorram nas cidades sede, onde haverá os jogos da Copa.

“Grandes obras físicas e de infraestrutura”… Igual ao trem bala, que não saiu do papel e já consumiu bilhões? Ou se refere àquelas que não foram feitas ou que estão inacabadas? Fui ao Rio de Janeiro, a Porto Alegre, a Curitiba e a Fortaleza e só vi obras inacabadas. E aqui em São Paulo não está diferente.

“Segurança”… Qual? Num país com 55 mil homicídios em 2013 segundo o Mapa da Violência? Até botam o Exército nas ruas e taxam manifestantes de terroristas, com 30 anos de cadeia como punição – mas quando se trata dos vândalos ligados a nomes de políticos de partidos de esquerda, ninguém se pronuncia. Dilma pelo menos deixou claro que essa tal segurança não é para todos os brasileiros: uma mentira a menos. Mas apresentar os sistemas de transmissão e comunicação da iniciativa privada como se fossem obras do governo é de doer.

“Vias”… “Avenidas”… “Pontes”… “Viadutos”… “Portos”… “Aeroportos”… Pera lá! Onde estão essas obras de mobilidade prontas? Porto só se for o de Mariel, em Cuba. Aeroportos? As obras paralisadas como em Fortaleza/CE que desabaram? Ou as que alagaram? Ou as que nem começaram?

“Estádios para shows e festas populares de Norte a Sul”… Como em Cuiabá e no Amazonas? Quem fará shows lá? O Sting? E quem irá? Como se manterão esses elefantes brancos em locais com menos de dois mil torcedores por jogo do campeonato local e de acesso sofrível?

Peraí! 212 vezes mais investimentos em Educação e Saúde que em estádios da Copa? R$1,7 trilhão em quatro anos nestes dois setores? Como então, presidente, os orçamentos do governo federal para Saúde e Educação não passaram de R$180 bilhões em 2013 e sequer alcançaram  esse valor entre 2010 e 2012? Como a maioria de municípios miseráveis do Norte e Nordeste, que dependem quase exclusivamente desses repasses, puderam contribuir consideravelmente para bater esta cifra, mesmo em quatro anos? Mesmo numa capital como São Paulo, em 2013, não chegaram a R$13 bilhões em Educação e mal atingiram R$10 bilhões em Saúde, tendo sido ainda menores nos anos anteriores. E a senhora, mesmo contando os estados e municípios capazes, vem nos falar sobre R$1,7 trilhão em quatro anos? Considerando os dados dos portais de transparência dos principais municípios, dos estados e do governo federal, a cifra anunciada pela presidente não parece sequer razoável. Estará a rolagem da dívida embutida de alguma maneira nessa conta?

“Receitas e geração de empregos na Copa”…  Serão capazes de compensar os R$38 bilhões que saíram dos bolsos dos pagadores de impostos para o megaevento e que nas mãos destes poderiam ser melhor utilizados para atender a suas necessidades imediatas? Ou burocratas sabem lidar com nosso dinheiro melhor do que nós? A Copa mais corrupta da História dá a resposta. O Estado fiscalizando o Estado, e alguém ainda acredita em “punições com o máximo rigor”? Só se for naquelas regiões “administradas” pela “oposição” e olhe lá.

O Brasil ainda é um dos países mais desiguais pelo índice de Gini (lembrando que desigualdade não é necessariamente ruim, como já demonstrei em artigos anteriores) e se hoje somos a sétima maior economia, já fomos a sexta e continuamos ainda com uma renda per capta ridícula.

“Que retirou 36 milhões de brasileiros da miséria”… Claro, sem atualizar o cálculo que define miséria e mantendo-os pobres e dependentes de constante ajuda estatal. Ora, a principal “filósofa” vossa chama a classe média de “fascista” e “aberração”, o principal expoente de vosso partido aplaude, e agora a classe média é algo tão “bom” para a presidente, que merece ser destacada em discurso em cadeia nacional?

“Liberdade”… “De manifestação”… Por isso o marco “civil” da internet, leis que criminalizam manifestantes e a perseguição de qualquer um que se oponha ao governo e sua corja. Por isso propor o ‘controle “social” da mídia’ e governar por decreto, certo?

Deu-me verdadeira ânsia, mas consegui assistir a todo o pronunciamento. Ao final, me veio a dúvida: Dilma, por que não te calas?

Roberto Barricelli é jornalista

O conteúdo deste artigo não representa necessariamente a posição do Epoch Times

 
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