Contrabandistas estão usando crianças para entrar nos EUA

A política de tolerância zero introduzida recentemente pelo procurador-geral Jeff Sessions promete processar todos os adultos que entrarem ilegalmente no país

Por Anastasia Gubin, Epoch Times

Contrabandistas no sul da fronteira têm explorado brechas na segurança durante décadas.

Uma tendência preocupante mostra que crianças estão sendo usadas ilegalmente para atravessar a fronteira com adultos que, em seguida, pedem asilo como uma unidade familiar e esperam para ser liberados para entrar nos Estados Unidos mais rapidamente.

“Temos informações de que quadrilhas de contrabandistas estão se utilizando de crianças e adultos solteiros para reivindicar serem uma unidade familiar e assim não serem detidos”, disse o vice-diretor de Imigração e Controle Aduaneiro (ICE, na sigla em inglês) Tom Homan, em 7 de maio.

“Temos visto situações em que a mesma criança cruzou a fronteira várias vezes em um período de tempo com pessoas diferentes que afirmam ser os pais. Então, obviamente, houve tráfico”, acrescentou.

Em 2017, o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, conhecido como Homeland Security, descobriu 46 casos de crianças que cruzaram ilegalmente a fronteira acompanhadas de adultos. Nos primeiros cinco meses de 2018, foram relatados 191 casos.

“Os números que compilamos mostram inequivocamente que contrabandistas, traficantes de pessoas e agentes nefastos tentaram usar centenas de crianças para explorar as brechas de nossas leis de imigração na esperança de entrar nos Estados Unidos”, disse a porta-voz do Departamento de Segurança Nacional, Katie Waldman.

As duas lacunas que os contrabandistas estão explorando são a Lei de Reautorização de Proteção das Vítimas de Tráfico (TVPRA) e a Convenção de Flores. Segundo a lei de Flores, uma unidade familiar não pode ser detida por mais de 20 dias, o que geralmente significa que ela é liberada dentro dos Estados Unidos com uma data agendada para comparecer ao tribunal, o que pode levar vários anos.

A TVPRA não permite que os Estados Unidos neguem a entrada a crianças não mexicanas e que as enviem de volta para o México; daí a existência de um grande número de imigrantes da América Central que entram ilegalmente como unidades familiares ou menores desacompanhados, que então solicitam asilo. Apenas 20% dos casos de asilo são finalmente aprovados por um juiz federal.

Sem tomar medidas no Congresso, a administração está tentando preencher essas lacunas com a política de tolerância zero introduzida recentemente pelo procurador-geral Jeff Sessions, que promete processar todos os adultos que entrarem ilegalmente no país. A política não é nova, simplesmente não foi aplicada durante a administração de Obama.

O aumento do número de processos significa que há mais adultos detidos, aguardando a solução de seus casos. Nestas circunstâncias, as crianças são detidas separadamente. Homeland Security manterá as crianças detidas em separado se não for possível estabelecer uma relação de custódia, ou se acreditar que o adulto representa uma ameaça para a criança.

“[Os] números mostram uma situação extrema na fronteira que exige uma ação urgente por parte do Congresso de abordar as lacunas que colocam essas crianças em risco. Vamos continuar a tomar medidas para proteger essas crianças”, disse Waldman.

 
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