Confrontada com comunismo, Hong Kong deveria nos lembrar do valor da democracia

Os maiores assassinos da história do mundo nunca enfrentaram a justiça e no vazio deixado por seus crimes impunes o mundo corre o risco de repetir esses desastres. Essa foi a mensagem de Marion Smith, diretor-executivo da Fundação Memorial das Vítimas do Comunismo, em entrevista ao Epoch Times.

O comunismo já causou a morte de mais de 100 milhões de pessoas em menos de 100 anos desde a Revolução Bolchevique na Rússia em outubro de 1917, segundo a Fundação Memorial das Vítimas do Comunismo. Esse número de mortos é muito maior do que a 1ª e a 2ª Guerras Mundiais combinadas.

O comunismo começou uma onda de fome e de morte que varreu a Europa, Ásia, África e América do Sul. Em todos os países que tocou, regimes totalitários tomaram o poder ou movimentos de guerrilha violenta lançaram campanhas de terror e tirania.

“A ignorância terrível de muitos americanos sobre os males do comunismo é um grande desserviço à memória dos milhões que morreram sob regimes comunistas”, disse Smith em entrevista por telefone.

“Isso também torna muito mais difícil de combater esses regimes comunistas ainda em existência que atormentam os cidadãos, reprimem a liberdade de expressão e representam um perigo para o resto do mundo livre”, disse Smith.

A Fundação Memorial das Vítimas do Comunismo, baseada nos EUA, é uma organização sem fins lucrativos formada em 1994 por uma lei do Congresso para lembrar as vítimas do comunismo, educar as gerações mais jovens sobre a natureza do comunismo e documentar evidências de seus crimes.

Smith disse que a educação sobre a natureza do comunismo é importante, não só por causa de seus crimes, muitos dos quais ainda não foram submetidos à justiça, mas também porque isso ainda existe no mundo de hoje. E em países como China, Coreia do Norte, Vietnã e Cuba, o comunismo continua seu legado abusivo.

Hong Kong

Smith retornou recentemente de uma viagem de um mês a Hong Kong, onde ativistas protestam atualmente por eleições livres e democráticas sob ameaça do regime comunista da China continental. Ele se reuniu com líderes empresariais, defensores dos direitos humanos, líderes estudantis, manifestantes, acadêmicos e inclusive policiais para obter uma melhor compreensão da situação.

“O povo de Hong Kong têm uma cultura de liberdade que eles julgam estar sendo ameaçada”, disse ele, acrescentando que os manifestantes acreditam que se não tomarem uma posição por eleições livres, “eles temem não ter outra oportunidade”.

A estátua dedicatória do Memorial das Vítimas do Comunismo em Washington DC em 12 de junho de 2007. O memorial, estabelecido pela Fundação Memorial das Vítimas do Comunismo, é uma réplica da estátua da Deusa da Democracia erigida por manifestantes estudantis na Praça da Paz Celestial em 1989 (Karen Bleier/AFP/Getty Images)
A estátua dedicatória do Memorial das Vítimas do Comunismo em Washington DC em 12 de junho de 2007. O memorial, estabelecido pela Fundação Memorial das Vítimas do Comunismo, é uma réplica da estátua da Deusa da Democracia erigida por manifestantes estudantis na Praça da Paz Celestial em 1989 (Karen Bleier/AFP/Getty Images)

Fundamentalmente, disse Smith, o que está se desdobrando agora em Hong Kong é apenas mais um caso de um regime comunista atacando a liberdade de um Estado democrático. Ele disse: “É a China tentando cercear as liberdades de Hong Kong, que tem sido uma sociedade livre por décadas.”

Historicamente, o comunismo sempre criou sistemas em que a escolha e a moralidade são reguladas pelo Estado.

“O simples fato é que nos mais de 40 países onde o comunismo foi adotado, assim que eles tomaram o poder proibiram a religião, a liberdade de expressão, baniram qualquer outro partido político, tornaram-se Estados totalitários, e como uma política sistemática mataram porções significativas da própria população na busca de objetivos ideológicos”, disse Smith.

“A história é muito clara sobre isso”, disse ele. “O comunismo é a ideologia mais mortal na história. O comunismo é uma ideologia favorável ao totalitarismo. Em nenhum caso que o comunismo chegou ao poder, ele instigou a dignidade humana e a prosperidade.”

Essa é também uma ideologia que criou raízes profundas no mundo moderno – e, em países como a China, a elite do Partido Comunista Chinês criou novas versões de religiões aprovadas pelo Estado e estabeleceu sistemas educacionais estatais para regular e controlar o pensamento político.

Um turista tira fotos de crânios das vítimas do Khmer Rouge exibidos no memorial do campo de extermínio Choeung Ek, em Phnom Penh, em 4 de maio de 2011. O regime comunista no Camboja matou quase um terço da população do país (Tang Chhin Sothy/AFP/Getty Images)
Um turista tira fotos de crânios das vítimas do Khmer Rouge exibidos no memorial do campo de extermínio Choeung Ek, em Phnom Penh, em 4 de maio de 2011. O regime comunista no Camboja matou quase um terço da população do país (Tang Chhin Sothy/AFP/Getty Images)

Perigos do esquecimento

Uma fachada foi edificada sobre as ruínas da religião e do pensamento livre, e, por meio do disfarce de agências de notícias estatais comunistas, o mundo tem sido enganado.

Ele disse que muitas pessoas hoje em dia estão esquecendo que a China ainda é governada pelo Partido Comunista Chinês, e, por trás de sua projeção de uma economia em crescimento, é a mesma forma de totalitarismo que existiu em todos os outros regimes comunistas – incluindo a supressão de dissidentes, o trabalho forçado e a estrita regulação da informação livre nos jornais e na internet.

O que o regime chinês está usando, segundo ele, é o “capitalismo de Estado”, segundo o qual “você não tem direitos civis ou políticos, mas você tem liberdade econômica – e as pessoas se enganam pensando que isso faz sentido”.

Manifestantes pró-democracia se reúnem para uma manifestação em Hong Kong na noite de 4 de outubro. Ativistas pró-democracia tomaram conta das ruas de Hong Kong devido à recusa da China de conceder aos cidadãos eleições livres (Philippe Lopez/AFP/Getty Images)
Manifestantes pró-democracia se reúnem para uma manifestação em Hong Kong na noite de 4 de outubro. Ativistas pró-democracia tomaram conta das ruas de Hong Kong devido à recusa da China de conceder aos cidadãos eleições livres (Philippe Lopez/AFP/Getty Images)

“Esta incapacidade de ver o totalitarismo pelo que ele é, emerge de uma incapacidade de reconhecer o que é necessário para a liberdade e a prosperidade e um governo que respeite os direitos fundamentais de seus cidadãos”, disse ele.

Smith está preocupado que, apesar da história bem documentada do comunismo e de seus sistemas totalitários que ainda detêm o poder em muitos países do mundo, as pessoas estão esquecendo sua natureza, e alguns, particularmente entre os jovens, estão novamente promovendo suas ideologias.

“A nossa compreensão da história do regime comunista é muito importante para que preservemos uma sociedade livre no futuro”, disse Smith. “É uma coisa muito estranha que aqui nos Estados Unidos nós tenhamos lutado décadas de Guerra Fria, em que dezenas de milhares de soldados americanos morreram protegendo as liberdades em todo o mundo, e poderíamos ir de tudo isso para o esquecimento de que comunismo sequer existiu.”

 
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