Comunismo e cultura: construções feias e estéreis

Por Mike Shotwell

Nas décadas de 1920 e 1930, a “intelligentsia” europeia e a esquerda progressista nos Estados Unidos tornaram-se afetadas com o socialismo e com o grande experimento soviético de uma utopia marxista. E, apesar de a estrita vertente econômica de marxismo inspirada pela narrativa trabalhista ter entrado em colapso na Rússia em 1991, seu resíduo cultural permeara havia muito a arte, a música e a arquitetura do país.

Meu padrasto e minha mãe, ambos comunistas, apresentaram-me em minha juventude, entre as décadas de 1950 e 1970, literatura, música, arte e arquitetura consonantes com dogmas e rigidez política. No que diz respeito à arquitetura, o exemplo primordial neste campo foi a Escola de Bauhaus em Weimar, na Alemanha, fundada pelo arquiteto e ideólogo socialista Walter Gropius em 1919.

O edifício “Bauhaus”, em Dessau, na Alemanha (Domínio público)
O edifício “Bauhaus”, em Dessau, na Alemanha (Domínio público)

Unindo arte e a arquitetura, a Escola de Bauhaus se desenvolveu a partir da emergente narrativa socialista que, em parte, desprezava o que quer que pudesse ser considerado “burguês”. Esta ideia era refletida na eliminação de ornamentação externa desnecessária e na condenação da grandiosa arquitetura da Europa.

Esta nova abordagem ao design foi rotulada como “arquitetura progressista”. De fato, até mesmo a principal revista de arquitetura da época, “Pencil Points”, alterou seu nome para “Progressive Architecture” em 1945 para alinhar-se ao movimento político proletário mundial.

O ideal utópico de Gropius previa arquitetos e artistas trabalhando todos em conjunto no desenvolvimento de uma nova linguagem de design destinada à auxiliar a criação de um novo “paraíso proletário dos trabalhadores” conforme conjecturava Karl Marx, e então Vladmir Lenin e Josef Stalin. De acordo com Gropius, os arquitetos agiriam como benfeitores culturais dos trabalhadores, dado que estes eram ainda “intelectualmente subdesenvolvidos”.

O revolucionário “Manifesto Bauhaus” de Gropius exibia em sua capa uma impressão em xilogravura feita por Lyonel Feininger, retratando uma catedral cubista intitulada “A Catedral do Socialismo”.

Os urbanistas soviéticos abraçaram entusiasticamente esta manifestação física que correspondia aos seus ideais, e daí resultam as estruturas brutais e desprovidas de espírito na Alemanha Oriental e na Polônia, e por todo o império soviético.

Lotes de apartamentos na Romania (Domínio público)
Lotes de apartamentos na Romania (Domínio público)

Infelizmente, o que o movimento Bauhaus trouxe ao mundo foi o estéril “estilo internacional” – telhados planos, fachadas cruas, ausência de cor – posteriormente ampliado e distorcido por seus antigos entusiastas para tornar-se arquitetura pós-moderna e outras variações antissépticas. Estes antecedentes, tanto de forma consciente quanto subliminar, trouxeram a mentalidade de design socialista para o presente.

Esta linguagem de obrigações políticas disseminou-se pelas receptivas instituições acadêmicas da América, a começar pela Universidade de Harvard, onde Gropius foi apontado como presidente do Departamento de Arquitetura. Posteriormente, esta forma de arquitetura vernacular surgiu no Instituto de Tecnologia de Armour, em Chicago (atualmente o Instituto de Tecnologia do Illinois), onde o último diretor da Escola de Bauhaus, Ludwig Mies van der Rohe, foi designado como coordenador. O resultado é evidente por todo o mundo nos dias de hoje: as deprimentes caixas de vidro e aço e suas variações erguem-se pelas grandes cidades em extensões colossais do planeta.

A triste ironia é que o “estilo internacional” jamais foi funcional ao trabalhador estadunidense como o planejado. Tornou-se, ao invés, desejável para o segmento da sociedade capaz de contratar arquitetos: a achincalhada e ridicularizada burguesia.

Mike Shotwell é arquitero forense aposentado e autor do recém publicado “Immersed in Red: My Formative Years in a Marxist Household”. (N. do T.: “Imerso em Vermelho: Meus Anos Formativos em um Lar Marxista”, em tradução livre. Edição brasileira e publicação em português ainda indisponíveis.)

Estima-se que o comunismo tenha provocado a morte de pelo menos 100 milhões de pessoas, ainda assim, seus crimes não foram compilados em sua totalidade e sua ideologia ainda persiste. O Epoch Times busca expor a história e os dogmas deste movimento, o qual tem sido uma fonte de tirania e destruição desde a concepção.

Veja a série completa de artigos aqui.

O Epoch Times é independente de qualquer influência de corporações, governos ou partidos políticos. Nosso único objetivo é trazer informação precisa a nossos leitores informação e agir de forma responsável para com o público.

Veja também:

O Método do PCC

 

 
Matérias Relacionadas