China: funcionários corruptos inventam formas criativas para esconder dinheiro desviado

Os quadros do Partido Comunista Chinês são capazes de roubar enormes somas de dinheiro, mas como e onde eles escondem isso?

Como os fundos são ilícitos, os funcionários sabem que não podem manter esse dinheiro nos bancos em seus nomes, então eles se tornaram muito criativos em como esconder o dinheiro.

O tópico emergiu quando uma notícia recentemente se tornou viral, difundindo-se amplamente na China. Na cidade de Harbin, na província de Heilongjiang, no extremo norte do país, um residente local que estava renovando sua casa descobriu um monte de dinheiro escondido nas paredes. O proprietário anterior tinha escondido os 140 milhões de yuanes (cerca de US$ 21,7 milhões) encontrados, levando muitos internautas a assumirem que o ex-morador era um funcionário corrupto.

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As autoridades locais reprimiram e censuraram os rumores na internet alegando que o dinheiro estava conectado a um caso de fraude que a polícia local estava investigando.

Mas os internautas podem estar bem perto da verdade, já que as autoridades do regime foram capturadas anteriormente guardando em segredo os seus espólios.

Em setembro passado, a agência anticorrupção do Partido Comunista Chinês, o Comitê Central de Inspeção Disciplinar (CCID), fez uma parceria com a emissora estatal CCTV para transmitir um segmento especial sobre corrupção. Foi revelado como Xu Jianyi, um quadro do Partido e ex-presidente da fabricante de automóveis chinesa FAW Group, escondeu seus objetos de valor para escapar das autoridades. Ele colocou seus relógios e barras de ouro dentro de latas de chá e tentou escondê-los numa árvore em sua casa quando soube que a agência estava vindo atrás ele.

China, corupção, Partido Comunista Chinês, fuga de capital, campanha anticorrupção - Uma chinesa conta notas de yuan, a moeda chinesa, numa rua de Pequim em 11 de setembro de 2009 (Liu Jin/AFP/Getty Images)
Uma chinesa conta notas de yuan, a moeda chinesa, numa rua de Pequim em 11 de setembro de 2009 (Liu Jin/AFP/Getty Images)

Há muitos outros exemplos relatados pela mídia chinesa. Um vice-comissário corrupto no município de Mengyin, na província de Shandong, roubou 5,58 milhões de yuanes (cerca de US$ 867 mil) em fundos públicos e dispersou o dinheiro entre 37 bancos diferentes. Ele manteve seus livros bancários escondidos sob o solo de seu jardim.

Enquanto isso, o vice-diretor de uma fábrica em Tianjin estocou seu dinheiro desviado atrás de espelhos, na geladeira e em recipientes de armazenamento de arroz. Seus relógios Rolex foram armazenados em caixas de macarrão em seu armazém.

Outro oficial indisciplinado no departamento de construção da província de Jiangsu colocou suas carteiras em buracos de árvores, em seus campos de arroz, debaixo de telhas e até mesmo sob pilhas de estrume.

Aqueles que não conseguem encontrar bons esconderijos, simplesmente os inventam ou constroem. Li Guoyu, o chefe da divisão rodoviária da cidade de Ganzhou, na província de Jiangxi, conseguiu que alguém personalizasse botijões de gás butano para que ele pudesse armazenar dinheiro ilícito. Esses botijões podiam inclusive ser usados normalmente, possibilitando evitar o escrutínio ainda melhor.

Outros escolhem alugar ou comprar casas inteiras com o único propósito de armazenar dinheiro. Na cidade de Hohhot, na província da Mongólia Interior, Ma Junfei, o vice-chefe da agência ferroviária local, comprou residências em Pequim e Hohhot para armazenar 88 milhões de yuanes (cerca de US$ 13,6 milhões), US$ 4,19 milhões, 300 mil euros (cerca de US$ 367 mil), 270 mil dólares de Hong Kong (cerca de US$ 34,5 mil) e 43,3 quilogramas de ouro (cerca de US$ 2 milhões).

Quando Zhu Minguo, o presidente do órgão consultivo do Partido Comunista Chinês na província de Guangdong, a Conferência Consultiva Política do Povo, foi investigado em novembro de 2014, as autoridades centrais encontraram grandes quantidades de dinheiro e ouro em sua vila na cidade de Wuzhishan, província de Hainan. Havia o suficiente para encher cerca de uma dúzia de carros. Parte do dinheiro estava escondida por tanto tempo que se tornou mofado.

Outros funcionários encontram maneiras de transferir o dinheiro para fora do país e fora da vista. Em 2014, o China Economic Weekly, uma publicação controlada pelo porta-voz estatal Diário do Povo, citou um pesquisador do “Centro de Pesquisa para Construção de Política Honesta” da Universidade de Pequim, que estimou que mais de 10 mil funcionários escaparam para o estrangeiro, e o montante total que eles levaram consigo totalizaria cerca de um trilhão de yuanes (cerca de US$ 155 bilhões).

Colaborou: Li Jinben

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