China: diretor de prisão com histórico de violações de direitos humanos está sendo investigado

Prisões chinesas não abrigam apenas criminosos condenados, mas também pessoas consideradas inimigas do regime

Por Frank Fang, Epoch Times

No período de duas semanas, dois funcionários chineses de um departamento provincial de administração prisional foram submetidos a investigação devido a violações de direitos humanos.

Gao Qi, atual vice-inspetor do Departamento de Administração Prisional da província de Shanxi, no norte da China, foi colocado sob investigação por parte das comissões de disciplina e de supervisão da província, informou o jornal People’s Net, versão online do Diário do Povo, em 1º de junho.

Em 13 de junho, Wang Wei, atual diretor e secretário do Partido no mesmo departamento de administração prisional, foi colocado sob investigação pelas mesmas comissões, informou a mídia estatal Xinhua.

As duas mídias estatais não explicaram o que poderia ter provocado as investigações, argumentando simplesmente que eles eram suspeitos de “grave violação da disciplina do Partido e da lei”, um eufemismo frequentemente usado para referir-se à corrupção.

Wang tornou-se chefe de Gao a partir de 2003, quando Wang era vice-diretor do departamento e um membro da comissão do Partido no departamento. Wang tornou-se vice-secretário do Partido em junho de 2011 e conquistou seu cargo atual em julho de 2015.

Gao começou a exercer a função no departamento de administração prisional muito mais cedo. Ele fez parte do quadro de pessoal do departamento em 1986, e recebeu sucessivas promoções até se tornar vice-inspetor em dezembro de 2017.

Na China, as prisões não abrigam apenas criminosos condenados, mas também pessoas consideradas inimigas do regime, como dissidentes políticos, prisioneiros de consciência, advogados de direitos humanos e jornalistas. Muitas vezes essas pessoas são objeto de abuso, através de trabalhos forçados e torturas.

A Organização Mundial para Investigar a Perseguição ao Falun Gong (WOIPFG, na sigla em inglês), organização sem fins lucrativos sediada nos Estados Unidos, classificou Wang e Gao como autores de violações de direitos humanos dos membros da prática espiritual do Falun Gong.

Falun Gong, também conhecido como Falun Dafa, é uma disciplina de cultivo pessoal através de exercícios lentos e meditativos, e de princípios morais baseados na Verdade, Benevolência e Tolerância.

A prática foi apresentada ao público em maio de 1992, e tornou-se muito popular no final da década de 1990, com estimativas oficiais de 70 a 100 milhões de praticantes. Receoso de perder o poder em meio a tanta popularidade, o então líder do Partido Comunista Chinês (PCC), Jiang Zemin, ordenou que fosse iniciada uma perseguição nacional em 1999 com o objetivo de erradicar a prática. Desde então, centenas de milhares de pessoas têm sido maltratadas nos centros de lavagem cerebral, enfermarias psiquiátricas e prisões da China.

WOIPFG mencionou um caso específico, o da morte de Wang Jigui (sem ligações com Wang Wei), de 64 anos de idade, médico chinês do Condado de Pingding, província de Shanxi, morte pela qual Wang Wei foi o responsável.

Em 4 de agosto de 2014, Wang Jigui distribuía cópias de CD contendo um programa de televisão sobre o Falun Gong e a perseguição do regime chinês quando foi ilegalmente sequestrado pela polícia de Pingding. Depois de um julgamento secreto, realizado sem o conhecimento de sua família, Wang foi sentenciado a três anos de prisão.

Em 2 de junho de 2016, aproximadamente um ano depois que ele havia começado a cumprir sua sentença em uma prisão na cidade de Jinzhong, a família de Wang recebeu um telefonema das autoridades prisionais informando que Wang havia morrido no Hospital Shanxi 109.

A família de Wang suspeitou das circunstâncias que levaram à morte de Wang depois de encontrar hematomas em seu peito e pescoço, um sinal de que ele provavelmente havia sido agredido e torturado. Os praticantes do Falun Gong que sobreviveram às suas sentenças relataram frequentes torturas físicas e mentais por parte dos guardas prisionais, tática usada para forçar os praticantes a abandonarem suas crenças.

A família pediu para ver o histórico médico de Wang, mas o pedido foi negado. Em 8 de junho de 2016, o corpo de Wang foi cremado contrariamente aos desejos da família, outro indício de que as autoridades locais queriam encobrir qualquer evidência de tortura.

 
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