China diminui impostos sobre medicamentos importados contra câncer em meio às pressões comerciais dos EUA

País impõe algumas das tarifas mais caras do mundo sobre produtos farmacêuticos

Por Annie Wu, Epoch Times

Em meio à crescente pressão dos Estados Unidos para que a China reformule sua política comercial, o regime chinês anunciou recentemente que vai cortar impostos sobre todos os medicamentos importados usados no tratamento contra o câncer, incluindo alcaloides e ervas medicinais chinesas.

O Conselho de Estado da China anunciou a decisão na quinta-feira passada (12) e as mudanças entrarão em vigor a partir de 1º de maio.

A mídia estatal negou que a medida tenha a ver com as recentes tensões comerciais com os Estados Unidos. No entanto, o momento não passou despercebido: nas últimas semanas, este último impôs tarifas punitivas sobre as importações chinesas como resposta ao dumping do aço e ao roubo de propriedade intelectual praticados pelo regime chinês. Enquanto isso, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump acusou reiteradamente a China pelo superávit comercial com os Estados Unidos, situação agravada por altas tarifas cobradas sobre as importações norte-americanas, enquanto as importações chinesas entram com taxações muito mais baixas nos Estados Unidos.

A China impõe algumas das tarifas mais caras do mundo sobre produtos farmacêuticos. Uma análise realizada em 2017 pelo Centro Europeu de Economia Política Internacional constatou que, entre os países de baixa e média renda, os impostos sobre a importação de remédios têm o maior custo financeiro, agravado nos preços ao consumidor na China: até 6,2 bilhões de dólares por ano.

Funcionários de uma loja de remédios da medicina tradicional chinesa preparam diversos produtos secos em Hong Kong em 29 de dezembro de 2010 (Mike Clarke/AFP/Getty Images)
Funcionários de uma loja de remédios da medicina tradicional chinesa preparam diversos produtos secos em Hong Kong em 29 de dezembro de 2010 (Mike Clarke/AFP/Getty Images)

Em comparação com outros países, o regime chinês também aplica um imposto sobre o valor agregado aos medicamentos anticancerígenos importados, o que representa um custo adicional para os consumidores. Um estudo realizado em 2014 pela Federação Europeia das Associações e Indústrias Farmacêuticas (European Federation of Pharmaceutical Industries and Associations) revelou que a China impõe uma tarifa sobre o valor agregado de 17% nos remédios, em comparação com uma média de 8,8% entre países europeus.

O economista chinês Xie Zuoshi comentou que o recente anúncio estava “indubitavelmente” relacionado à crescente pressão norte-americana. “Os altos preços dos remédios se tornaram uma questão de grande preocupação para a sociedade.”

No início deste mês, um internauta chinês publicou um artigo popular a respeito do custo que recai sobre o pagamento de remédios — especialmente medicamentos para o tratamento do câncer — devido às tarifas elevadas sobre drogas importadas. E disse que esperava que as tensões comerciais incentivassem o regime chinês a abrir sua economia.

O ativista ambiental chinês Wu Lihong observou que muitos cidadãos desenvolveram câncer de pulmão, câncer de fígado e tumores como resultado dos poluentes tóxicos que contaminam o ar que o povo chinês respira, a água que bebe e a terra em que planta os alimentos que come. De acordo com um estudo de 2016 publicado na “CA: revista sobre câncer para médicos”, a cada dia em torno de 12 mil chineses são diagnosticados com câncer. Além disso, todos os dias, 7.500 pacientes com câncer na China sucumbem à sua doença.

Devido ao fato de que os cidadãos não têm muita confiança nos remédios produzidos no país, muitos dependem de medicamentos importados, enfatizou Wu. De acordo com o jornal estatal China Securities Journal, os remédios importados contra câncer representam um terço do mercado chinês, com um valor de 40 bilhões de yuan (6,3 bilhões de dólares).

“Por qual outra razão [o regime chinês] optaria por eliminar os impostos em meio às tensões comerciais com os Estados Unidos?”, enfatizou Wu.

No entanto, o ativista chinês de direitos humanos Hu Jia observou que muitos remédios contra o câncer não estão cobertos pelo sistema de saúde chinês, então para muitos cidadãos comuns pode ser muito difícil comprá-los. Ele próprio depende de medicamentos importados para tratar sua cirrose hepática.

Colaboraram: Chang Chun e Rona Rui do Epoch Times, e a New Tang Dinasty Television (NTD TV)

 
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