Cargos oficiais vendidos por milhões na China

O ex-líder chinês Jiang Zemin no Congresso Nacional do Partido Comunista Chinês em 15 de outubro de 2007 em Pequim, China (Feng Li/Getty Images)

Um oficial de alto escalão do Partido Comunista Chinês (PCC) tentou comprar uma promoção do ex-líder chinês Jiang Zemin por pelo menos 30 milhões de yuanes (4,8 milhões de dólares), segundo relatos recentes.

De acordo com um artigo de fevereiro de 2011 do jornal chinês online Economic Observer, Liu Zhijun, o ex-ministro chinês das ferrovias, que foi expulso do PCC devido a graves violações disciplinares, conspirou com uma empresária chamada Ding Shumiao num projeto de licitação ferroviária e recebeu uma comissão de 132 milhões de dólares dela. Relatos posteriores de outras mídias chegaram a mencionar o valor de 320 milhões de dólares.

Segundo uma fonte, Liu Zhijun planejava usar o dinheiro para comprar a posição de vice-premiê do Departamento de Estado, o que também o faria um membro do Politburo, informou jornal Mingpao de Hong Kong.

A revista Dongxiang de Hong Kong publicou um artigo recente intitulado “O PCC enfrenta uma crise de lealdade”. O artigo dizia: “Há uma pergunta sem resposta no julgamento em curso de Liu Zhijun por corrupção: Ele é um oficial de nível ministerial que quer comprar uma promoção e se tornar um vice-premiê. De quem ele pode comprar isso? A resposta é simples. Um oficial de nível ministerial que quer ser promovido tem de subornar pelo menos metade dos membros do Comitê Permanente do Politburo, a um preço não inferior a 10 milhões de yuanes (1,6 milhão de dólares) por membro. E se Liu Zhijun optar por pedir o favor de um líder aposentado peso-pesado que tem o poder de intervir ou sugerir sua promoção, ele terá de pagar mais de 30 milhões de yuanes (4,8 milhões de dólares).”

O artigo acrescenta que “o secretário-geral do PCC também vendeu posições do governo”. Este segredo do PCC ocorreu durante o mandato de Jiang Zemin como secretário-geral e líder do PCC, desde a morte de Deng Xiaoping em 1997 até a aposentadoria de Jiang Zemin em 2002.

A crise de lealdade dos membros do PCC tomou forma poucos anos após o Massacre da Praça da Paz Celestial (Tiananmen) em 4 de junho de 1989 e permaneceu como uma questão em aberto quando do falecimento de Deng Xiaoping. Apesar da crise de lealdade sem solução, Jiang Zemin ainda foi adiante com a perseguição ao Falun Gong em 1999 e continuou a suprimir as crenças religiosas, como o cristianismo doméstico, o budismo tibetano e os uigures, disse o artigo. Jiang Zemin também promoveu ativamente seus princípios pessoais dentro e fora do PCC: Faça fortuna por baixo dos panos e nunca se preocupe com a política.

O artigo comenta que, como resultado da crise da lealdade no oficialismo chinês, a capacidade do atual líder chinês Xi Jinping de realizar o último desejo do líder precedente Hu Jintao dependerá em grande medida se ele será capaz de mudar esse contexto entre os oficiais do PCC.

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