Bodas de recém-casados tratadas como crime político na China

Dissidente famoso e sua esposa perseguidos por quatro meses pela polícia
Qin Yongmin e Wang Xifeng são retratados em seu casamento em 13 de maio em Wuhan. O filho de Wang Xifen, de 12 anos, segura uma placa que diz “um bom casamento que dure 100 anos”. (Cortesia de Wang Xifeng)

Em 13 de maio, o conhecido dissidente Qin Yongmin casou-se com Wang Xifeng diante de 70 familiares e amigos em Wuhan, a cidade natal de Qin Yongmin. Foi o segundo casamento de ambos e foi um casamento por amor.

Wang Xifeng descreveu Qin Yongmin como seu “venerado professor” e “alma gêmea”. Numa foto de seu casamento, o filho de Wang Xifeng, de 12 anos, segura um cartaz com a bênção tradicional, “um bom casamento que dure 100 anos”.

Em 26 de setembro, Qin Yongmin postou uma mensagem na internet intitulada, “Apologia por um casamento fracassado”. “Eu peço desculpas com profundo pesar aos nossos amigos que se preocupam conosco, nos amam e colocaram grandes esperanças em nós por ter de anunciar que o casamento de Qin Yongmin e da heroína Jianhu fracassou”, escreveu Qin Yongmin.

A heroína Jianhu era originalmente o apelido de Qiu Jin, uma heroína corajosa que se dedicou na revolução a derrubar a Dinastia Qing no início do século 20 e procurou estabelecer a democracia na China. Elogiando a coragem notável de Wang Xifeng, alguns dos apoiadores de Qin Yongmin começaram a chamá-la de heroína Jianhu.

Qin Yongmin, de 59 anos, tem sido ativo em movimentos democráticos por mais de 30 anos. Preso pela primeira vez por “propaganda contrarrevolucionária”, em conexão com o movimento Parede Democrática de 1981, ele passou um total de 22 anos na prisão, o maior período entre todos os dissidentes na China. Por isso, ele é chamado de “rei cadeia”.

Ele era editor do boletim de notícias ‘Observador dos Direitos Humanos na China’ e foi um dos vários que tentou registrar o Partido Democrático da China em 1998 e por isso passou 12 anos na prisão. Desde que foi libertado em 2010, os direitos políticos de Qin Yongmin ainda estão suspensos.

Wang Xifeng se formou na Universidade Normal de Shanxi em 1998 e tem sido uma apoiadora política de Qin Yongmin.

O casamento deles foi atacado desde o começo. Segundo relatos da internet, centenas de seus amigos foram impedidos de assistir ao casamento e a polícia fez várias detenções entre os que estavam presente.

As autoridades se recusaram a reconhecer o casamento como legítimo. Por causa de obstrução das autoridades na cidade natal de Wang Xifeng no condado de Hunyuan, província de Shanxi, Centro-norte da China, Wang Xifeng não pôde obter os documentos necessários para seu registro de casamento.

De volta a Wuhan, uma equipe da Segurança Nacional de Wuhan foi várias vezes a sua casa importuná-los, usando a acusação de “coabitação ilegal” como desculpa. Por causa da falta da certidão de casamento, a polícia forçou Wang Xifeng a fazer um aborto.

Em 12 de setembro, Wang Xifeng voltou sozinha para sua cidade natal para buscar os documentos que precisava.

Qin Yongmin disse à Voz da América (VOA) por telefone em 27 de setembro que o regime usou tormento espiritual para forçar Wang Xifeng a tomar a dolorosa decisão de se separar dele.

A equipe de segurança nacional local fez seus familiares ameaçarem cortar todas as ligações com ela se ela alguma vez voltasse a Wuhan. “O ódio nos olhos de seu filho finalmente a convenceram”, disse Qin Yongmin. “Seu filho até ameaçou se matar caso Wang Xifeng voltasse a Wuhan.”

“É difícil para mim”, disse Qin Yongmin. “Ela e eu temos de suspender o casamento. Esta tarde, ela falou comigo por três horas enquanto chorava. Ela está atormentada ter que escolher entre mim e seu filho.” O governo não permitirá que Wang Xifeng tenha qualquer chance de emprego, a menos que ela se separe de Qin Yongmin, acrescentou ele.

Qin Yongmin desligou o telefone depois de falar por três minutos com o repórter. Ele disse que é o momento mais sensível para ele e que não podia falar muito. A VOA ligou novamente para Wang Xifeng, mas recebeu a mensagem de voz “o usuário já desligou o telefone”.

Epoch Times publica em 35 países em 19 idiomas.

Siga-nos no Facebook: https://www.facebook.com/EpochTimesPT

Siga-nos no Twitter: @EpochTimesPT

 
Matérias Relacionadas