À beira de uma desvalorização histórica do iuane

Poucos mercados financeiros se beneficiarão de tal evento, e alternativas monetárias sólidas como o ouro e o Bitcoin sofrerão um enorme influxo de capital

Por Andy Hoffman, CryptoGoldCentral.com

Se o iuane chinês se desvalorizar em relação ao dólar norte-americano, “oficialmente” ou não, isso poderá alterar drasticamente o status quo econômico das últimas duas décadas e será para pior.

Os principais meios de comunicação estão chamando a atual queda de grande quantidade de divisas não-ocidentais de uma crise do “mercado emergente”. No entanto, esses “mercados emergentes” incluem alguns dos maiores do mundo, em particular, os países do “BRICS” que há 15 anos a Goldman Sachs previu que liderariam no século 21, ou seja, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Cada uma dessas moedas foi dizimada por várias razões, incluindo disputas políticas (Brasil, África do Sul); sanções econômicas (Rússia); ou pela criação de uma “sociedade sem dinheiro em espécie” como a do presidente da Índia, Modi, há dois anos.

No caso da China, a queda do iuane para níveis que já não se viam desde a crise de 2008 deve-se principalmente ao fato de que o Banco Popular da China (BPC) envolveu os Estados Unidos em uma guerra cambial, em resposta direta à escalada da inevitável — e agora crescente — guerra comercial China-EUA.

O iuane chinês, ou Remnimbi, é uma das moedas mais controladas do mundo, e o BPC o vinculou ao dólar em 1994. O “Big Bang” monetário ocorreu em abril de 1994, quando o BPC desvalorizou drasticamente o iuane a partir de uma taxa de “livre flutuação”de 5,9/dólar para atingir 8,28/dólar, onde permaneceu por mais de uma década.

Guerra comercial

No entanto, o impacto cumulativo da desvalorização do iuane — fixo ou ligeiramente flutuante — foi a criação de um enorme superávit comercial com os Estados Unidos, que foi usado para financiar os gastos norte-americanos em produtos chineses através da compra de mais de um bilhão de dólares em títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Isso inflou artificialmente as economias dos Estados Unidos e da China, no entanto, devido à enorme quantidade de dívida criada por tal manipulação, produziu desequilíbrios econômicos que precisavam ser revertidos.

Esse dia parece ter chegado, com o político apolítico Donald Trump como catalisador. Ele insiste em que o enorme número de empregos que o iuane desvalorizado “roubou” seja devolvido aos Estados Unidos, através da aplicação de tarifas e outras táticas de guerra comercial, concebidas para que seja menos lucrativo para as empresas chinesas fabricarem produtos, em comparação com os Estados Unidos. O que, por sua vez, está fazendo com que o BPC oficialmente — embora discretamente — permita que o iuane decline novamente.

Agora, o iuane está prestes a superar a barreira psicológica chave de 7,0 por dólar, nível não visto desde abril de 2008, pouco antes da pior crise financeira de nossas vidas. Não é uma coincidência que o mercado de ações norte-americano tenha caído de forma tão drástica; sem mencionar o mercado de ações chinês e quase todos os outros mercados.

Quase 8 bilhões de dólares de capitalização de mercado foram perdidos. A pergunta do milhão, portanto, é: será “permitido” que a taxa de câmbio iuane/dólar — a 6,98 no momento em que este artigo foi escrito — seja negociada acima de 7,0? Ou será forçado a ultrapassar esse nível pelo mercado “não oficial” do iuane, onde os especuladores apostam onde a relação iuane/dólar se situará?

Gráfico histórico da taxa de câmbio dólar/iuane (Macrotendências)
Gráfico histórico da taxa de câmbio dólar/iuane (Macrotendências)

Taxa inferior a 7

Se negociado acima de 7,0, as consequências serão massivas, globais e, em sua maior parte, devastadoras, pois será visto como uma declaração política de que o regime comunista chinês pretende desvalorizar o iuane para combater as tarifas de importação dos Estados Unidos — o mesmo tipo de tática de guerra comercial da Lei Smoot-Hawley de 1930, que muitos consideram responsável pela Grande Depressão.

Também incentivará a Federal Reserve, que já está desesperada para relançar o Quantitative Easing (QE) e começar a cortar as taxas de juros novamente. Afinal, os Estados Unidos estão sofrendo de um aumento parabólico recorde da dívida, com um déficit comercial recorde e um declínio na atividade econômica. Mesmo com um presidente ativamente fazendo lobby na Federal Reserve para reduzir as taxas de juros, e que tem a capacidade de nomear pelo menos mais um governador no Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) no próximo ano.

Isso, por sua vez, dará luz verde para que todos os bancos centrais continuem hiper inflacionando suas moedas. A moeda fiduciária é um esquema Ponzi que deve continuar a crescer para sobreviver.

Sim, os mercados financeiros mostraram um nível de preocupação que já não se via há anos; e sim, tem algo a ver com a rápida queda das moedas dos “Mercados Emergentes”. No entanto, dada a pouca atenção dispensada a essa correlação — particularmente à queda inexorável do iuane/dólar para 7,0 — minha suposição é que, se (quando) acontecer, seu impacto será poderoso, imprevisível e perigoso. Poucos mercados financeiros se beneficiarão de tal evento, e alternativas monetárias sólidas como o ouro e o Bitcoin sofrerão um enorme influxo de capital.

Andy Hoffman é fundador do CFA Charterholder (analista financeiro autorizado) e passou 16 anos em Wall Street como corretor de ações e analista de compra e venda. Ele agora dirige a consultora CryptoGoldCentral.com

O conteúdo desta matéria é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Epoch Times

 
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