Aquecimento global ou engenharia social?

Se o mundo realmente precisa reduzir as emissões de CO2 em escala maciça, isso pode exigir uma cessão de soberania nacional a uma autoridade global, mas alguém acredita que isso é possível?

Por Ronald J. Rychlak

No início deste mês, delegados de quase 200 países reuniram-se em Katowice, na Polônia, para a 24ª reunião anual (Conferência das Partes) sob a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. Junto com essa reunião, foi divulgado um novo relatório do Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), que pede reduções tão drásticas nas emissões de carbono que, de acordo com o IPCC, exigirão transformações sociais sem paralelo na história.

Com menos visibilidade, mas digna de consideração séria, foi realizada uma contra-conferência pelo Instituto Heartland a poucos quarteirões de distância. Numerosos oradores apareceram nesse evento transmitido ao vivo, no qual argumentaram que a ciência não justifica uma transformação maciça da sociedade com o fim de combater o aquecimento global.

James Taylor, principal pesquisador de Meio Ambiente e Política Climática, explicou que sua razão para estar na Polônia era neutralizar uma “reunião de coletivistas globalistas do mundo, os totalitaristas do clima, as elites da classe dominante mundial”.

Nesta contra-conferência, o Painel Internacional Não-Governamental sobre Mudanças Climáticas (NIPCC, na sigla em inglês) publicou seu novo relatório (disponível gratuitamente na Internet) intitulado: “Mudanças Climáticas Reconsideradas II: Combustíveis Fósseis“. Mais de 100 cientistas contribuíram para esse volume de quase 700 páginas, que avalia os custos e benefícios do uso de combustíveis fósseis (principalmente carvão, petróleo e gás natural), mediante a revisão de publicações científicas e econômicas sobre química orgânica, ciência climática, saúde pública, economia, segurança humana e estudos teóricos baseados em modelos de avaliação integrados.

Por uma questão de divulgação completa, eu servi como revisor não remunerado de dois capítulos desse volume. Não, eu não sou cientista. Nem Al Gore. Assim como ele, fui para a Faculdade de Direito da Universidade de Vanderbilt. Ao contrário dele, me formei. Depois passei a ensinar Direito Ambiental tanto para estudantes de Direito como para estudantes de engenharia de pós-graduação por vários anos. Eu também escrevi vários artigos e um livro sobre o assunto.

Eu conheci muitos dos cientistas que contribuíram para o “Mudanças Climáticas Reconsideradas II”. Eles são cientistas sérios. Eles não são porta-vozes da indústria; eles não fizeram nada que se aproximasse do dinheiro que Gore e outros fizeram empurrando uma agenda política. Eles não são os que dizem que “as provas existem e a ciência está decidida“. Eles querem continuar estudando e analisando os resultados. Eles são, afinal de contas, cientistas.

A missão declarada do NIPCC é “analisar e interpretar dados e fatos objetivamente sem estar em conformidade com qualquer agenda específica”. Não sendo afiliado a nenhum governo, o NIPCC contrasta com o IPCC patrocinado por governos, que (de acordo com o NIPCC) está “predisposto a acreditar que as mudanças climáticas são um problema que precisa de uma solução da ONU”.

Reconsiderando a evidência

A série de reportagens “Mudanças Climáticas Reconsideradas” revisa milhares de estudos de revistas científicas já revisadas por especialistas e que colocam sérias dúvidas sobre a ortodoxia da mudança climática. Este último relatório aborda questões como a mudança do nível do mar, furacões, deficiências dos modelos climáticos, física do clima e descobertas científicas fracas ou errôneas que são frequentemente mencionadas nos debates sobre o clima.

Se você se lembra do ensino médio, provavelmente aprendeu (ou deveria ter aprendido) sobre metodologia científica. Consiste na ideia de desenvolver uma hipótese e depois executar um teste para tentar refutá-la (eliminando tantas variáveis irrelevantes quanto possível). O teste deve poder ser repetido por outros.

Obviamente, um experimento em tamanho real no planeta não pode ser feito para provar ou refutar o impacto do dióxido de carbono ou outros gases sobre o clima. Como tal, os cientistas precisam recorrer a uma maneira menos confiável (mas ainda legítima) de abordar a questão: o modelo ambiental. Isso envolve o desenvolvimento de hipóteses e a construção de um modelo matemático baseado nelas. O cientista então olha para o meio ambiente para ver se o modelo reflete com precisão os dados que podem ser medidos.

Em 1896, o cientista sueco Svante August Arrhenius desenvolveu a teoria de que “gases de efeito estufa” poderiam atuar como uma manta térmica. Se você comparar as temperaturas do século XX com os níveis de dióxido de carbono na atmosfera, os dois níveis certamente parecem se correlacionar.

No entanto, existem algumas questões sérias sobre o timing dos movimentos (o que vem primeiro, a mudança na temperatura ou a mudança na concentração de CO2), o aumento da temperatura que precedeu a década de 1930 e a industrialização, e a mais recente “estagnação” nos aumentos de temperatura.

Nenhum dos modelos mais conhecidos explica totalmente esses desvios das projeções. Em outras palavras, os modelos não estão exatamente corretos. (A propósito, embora exista uma hipótese lógica subjacente à teoria do aquecimento global, o mesmo não pode ser dito sobre a “mudança climática” genérica).

Portanto, sem experimentos perceptíveis e verificáveis para testar a ciência, e com perguntas sobre os modelos que foram construídos, não é realmente surpreendente ver uma grande resistência ante os resultados do IPCC. Isso vale em dobro para suas soluções políticas e econômicas.

Um dos grandes problemas com a questão do aquecimento global/mudança climática é que todas as soluções exigem soluções coletivistas globais. De fato, de acordo com seus críticos, o foco principal do IPCC parece estar voltado para o avanço de uma agenda política em vez da ciência.

É claro que se o mundo realmente precisa reduzir as emissões em escala maciça, isso pode exigir uma cessão de soberania nacional a uma autoridade global, mas alguém acredita que isso é possível? Os protestos dos chamados “coletes amarelos” que transformaram Paris em uma zona de guerra devido ao aumento do imposto sobre combustíveis ordenado pelo presidente Emmanuel Macron sugerem o contrário.

É difícil trabalhar à beira do conhecimento humano estabelecido, mas é aí que os cientistas do clima estão hoje. Eles estão fazendo recomendações que podem impactar a forma como a natureza responde — e como as pessoas teriam que viver — em um futuro hipotético. Dada a magnitude do problema e a incerteza envolvida, cada um tem a responsabilidade de estudar o assunto. Uma boa maneira de começar é com o resumo executivo de 26 páginas do “Mudanças Climáticas Reconsideradas II”.

Ronald J. Rychlak é professor de Direito e Governo de Jamie L. Whitten na Universidade do Mississippi. É autor de vários livros, entre eles “Hitler, a Guerra e o Papa”, “Desinformação” (co-autoria com Ion Mihai Pacepa) e “A Perseguição e Genocídio de Cristãos no Oriente Médio” (co-editado com Jane Adolphe)

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