Aldeia chinesa apela pelo Falun Gong

Zhou Xiangyang antes de ser preso e torturado. Ele tem sido perseguido pelas autoridades comunistas desde 1999 e foi raptado novamente em março, estando atualmente num campo de trabalho forçado (Minghui.org)

Aldeões chineses desafiaram as autoridades ao reivindicarem a libertação do seu conterrâneo Zhou Xiangyang. E que os guardas e presidiários responsáveis por torturarem-no na prisão Gangbei devem ser investigados e responsabilizados de acordo com a lei, dizia seu manifesto.

Uma ocorrência rara: Um jovem casal de praticantes do Falun Gong foi preso num campos de reeducação do Partido Comunista Chinês (PCC) e milhares de chineses uniram-se para defendê-los, apelando por sua libertação e enfrentando o regime num dos assuntos mais sensíveis para o PCC.

A Anistia Internacional assumiu o caso e publicou um comunicado, pedindo ação urgente, assim como cobertura da mídia. Na China, familiares e amigos, que não foram presos, continuam a escrever cartas exigindo o fim da perseguição.

A carta aberta de sua noiva, escrita em junho de 2011, começa assim. “Meu nome é Li Shanshan. Tenho esperado por sete anos pela libertação de Zhou Xiangyang para nos casamos. Nesse meio tempo, desde 2003, ele foi encarcerado por seis anos.”

Ela descreveu o sofrimento de Zhou Xiangyang na prisão. “Durante um período de quatro meses, meu noivo foi torturado de formas hediondas.” Seus pés foram acorrentados com uma argola metálica, suas mãos algemadas ao chão e ele foi torturado com bastões elétricos por dias, escreveu ela.

Li Shanshan escreveu cartas para um grande numero de departamentos governamentais e administrativos que deveriam ser responsáveis por não permitir abusos nas prisões. Ninguém assumiu responsabilidade.

Em janeiro de 2006, sua casa foi saqueada e Li Shanshan foi detida por 30 dias. Ela foi depois libertada e vigiada por duas semanas e, finalmente, foi sentenciada a 15 meses de trabalhos forçados. Um oficial de segurança lhes disse no interrogatório que “ao queixar-se da tortura de Zhou Xiangyang, ela estava tentando incitar um motim na porta da prisão”. Ela foi acusada de “incitar à subversão do Estado”, uma acusação grave na China comunista.

Zhou Xiangyang continuou sua greve de fome para protestar contra o abuso que sofria na prisão. Em julho de 2009, a beira da morte, ele foi libertado por razões médicas. Ele pesava 39 kg e só conseguia ingerir líquidos. As autoridades comunistas estavam furiosas porque sua perseguição estava sendo investigada pelo relator especial sobre liberdade religiosa das Nações Unidas e a prisão Gangbei seria averiguada. A prisão situa-se em Tiajin, uma cidade com cerca de 12 milhões de habitantes perto de Pequim.

Após terem estado separados por sete anos, Li Shanshan e Zhou Xiangyang se casaram logo depois que ele saiu da prisão e seus problemas deveriam estar acabados.

Contundo, os mesmo acontecimentos trágicos voltaram a se repetir. No dia 10 de março deste ano, a polícia arrombou a porta da casa do casal e levou Zhou Xiangyang para torturá-lo novamente, segundo fontes do Falun Gong.

Li Shanshan se tornou alvo do regime comunista devido a seus apelos incessantes pela libertação do seu noivo e mais tarde marido Zhou Xiangyang. No momento, ela se encontra num centro de “lavagem cerebral”, tendo sido raptada em 29 de outubro e sentenciada a 2 anos de “reeducação”. Seus familiares e a Anistia Internacional pedem sua libertação (Minghui.org)

Li Shanshan recomeçou suas iniciativas em favor da libertação de seu marido. Em meados de setembro, surgiu a primeira petição que foi assinada por 1.500 aldeãos; mais tarde o número chegou a 2.300. Muitos dos que assinaram reiteraram a gravidade da situação usando suas impressões digitais em cera vermelha para assinar, o que na China é normalmente reservado para documentos solenes.

Foi uma iniciativa rara e chamou atenção da Anistia Internacional, “Milhares de pessoas comuns se atreveram a demonstrar publicamente seu apoio a indivíduos presos e torturados injustamente”, afirmou Chaterine Baber, representante da Anistia Internacional para a Ásia.

“Isto demonstra que o povo chinês está ciente e condena a perseguição de pessoas por causa de suas crenças espirituais. Já está na hora das autoridades chinesas levarem em conta este apelo e porem um fim à brutal supressão ao Falun Gong”, diz ela.

Os aldeãos que assinaram a petição exprimiram seu apoio em entrevistas feitas pelo Epoch Times.

Um homem de seus cinquenta anos chorou depois de ler a carta aberta de Li Shanshan. “Se isto for verdade, então, algo de terrivelmente errado se passa com o PCC. Nem os criminosos ou assassinos são punidos antes de serem executados. Como pode um homem bom ser torturado desta forma?”

Outro afirmou, “A esposa de Zhou Xiangyang realmente escreveu uma boa carta. Quase consigo lembra-la de cor. Toda minha família assinou a petição para salvar Zhou Xiangyang.”

Os oficiais que foram investigar a origem da petição na cidade natal de Zhou Xiangyang, Qinhuangdao, no condado de Changli, foram repudiados pelos cidadãos locais, segundo um artigo no Minghui.org, um website do Falun Gong. “Vocês assinaram a carta em favor dele. Vocês estão se opondo ao Partido?”, interrogou um policial numa fábrica de vestuário dirigida pelo irmão de Zhou Xiangyang.

Um morador local respondeu, “Assinamos a petição para ajudar o Sr. Zhou. Se eles lhe pedissem ajuda, você não os ajudaria? O oficial responsável por nossa aldeia também deveria colocar seu selo”, e os oficiais foram embora.

Somando-se ao significado desta ocorrência está o fato de desafiar abertamente o Partido Comunista quanto à perseguição ao Falun Gong que tem sido tabu na sociedade chinesa por 12 anos, quando a perseguição começou em todo o país em 1999. Em julho daquele ano, as autoridades, por temerem a demasiada popularidade do Falun Gong, uma prática espiritual pacífica de meditação, baseada nos princípios de verdade, compaixão e tolerância, tornaram-na o inimigo público número Nº 1 do regime.

“Durante 12 anos, os praticantes do Falun Gong têm persistentemente usado formas criativas, corajosas e pacíficas para responder à campanha de propaganda do PCC contra eles, explicando a seus compatriotas chineses a realidade da perseguição, que dezenas de milhões de pessoas inocentes são sujeitas a raptos, tortura e morte sob custódia das autoridades”, escreveu Levi Browde, diretor executivo do Centro de Informação do Falun Dafa, num e-mail.

“À medida que mais chineses começam a ver a verdade sobre a perseguição e como ela ameaça sua própria liberdade, eles começam a se manifestar apesar dos riscos”, escreveu ele. Advogados, aldeãos e até policiais já conseguem ver além da campanha estatal contra a prática e ousam falar em defesa dos praticantes. No entanto, a atenção internacional permanece um fator crítico para que tais petições tenham um efeito prático na vida das vitimas”, acrescenta ele.

Contudo o Partido pode precisar mais do que um empurrão para deixar Li Shanshan e Zhou Xiangyang em paz. Li Shanshan foi novamente capturada em 29 de outubro e desta vez sentenciada a dois anos de reeducação pelo trabalho. Sua família começou a pedir ajuda e mais de 500 aldeãos de sua parte da cidade de Tangshan assinaram outra petição pedindo sua libertação.

Em seguida, o PCC mandou prender familiares e outros que apoiaram o casal. Um relatório publicado no website Minghui em 22 de novembro indica que cinco praticantes do Falun Gong envolvidos no caso foram detidos em diferentes momentos, incluindo o irmão mais velho de Zhou Xiangyang.

A Anistia Internacional reportou que mais de 3 mil pessoas já assinaram petições pedindo o fim da perseguição ao casal.

No dia 18 de novembro, a organização acionou o mecanismo de ação imediata que utiliza uma rede de 12 mil pessoas interessadas em fazer cumprir os direitos humanos e que podem escrever cartas ao Partido Comunista exigindo a libertação de Li Shanshan.

Numa carta aberta de 2009, Li Shanshan escreveu, “Não sei durante quanto tempo teremos de apelar, mas continuaremos a apelar e nunca desistiremos.”

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