Publicado em - Atualizado em 23/08/2016 às 11:09

ABTO condena participação da China em Congresso Internacional de Transplantes de Órgãos

Evento em Hong Kong ignora extração forçada de órgãos de prisioneiros de consiência pelo regime chinês

Médicos chineses carregam órgãos frescos para transplante num hospital na província de Henan em 16 de agosto de 2012. (Captura de tela/Sohu.com)

Médicos chineses carregam órgãos frescos para transplante num hospital na província de Henan em 16 de agosto de 2012. (Captura de tela/Sohu.com)

A Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO) divulgou carta aberta enviada a seus associados a respeito do 26º Congresso Internacional da Sociedade de Transplantes (TTS), realizado em Hong Kong no período de 18 a 23 de agosto de 2016, manifestando seu apoio à organização internacional não-governamental DAFOH (Doctors Against Forced Organ Harvesting).

A DAFOH faz um apelo às mídias internacionais para que contatem os centros de transplante de órgãos locais de seus respectivos países para que declarem sua postura sobre o papel da China durante o 26º Congresso Internacional da Sociedade de Transplantes e sobre a extração forçada de órgãos, que viola todos os princípios éticos e declarações de direitos humanos.

Leia na íntegra o teor da carta aberta:

CARTA ABERTA

Sobre o 26º Congresso Internacional da Sociedade de Transplantes TTS

(Hong Kong, 18-23 de agosto de 2016)

A urgência de uma postura ética frente às evidências de violações dos direitos humanos na China:

1,5 milhão de pessoas assassinadas por seus órgãos

Enquanto sempre mais autoridades governamentais, como o Parlamento Europeu e o Congresso norte-americano, assim como as organizações internacionais de direitos humanos, unificam suas vozes contra a extração forçada de órgãos de pessoas vivas para fins lucrativos na China, a Sociedade de Transplantes TTS prepara o início do seu 26º Congresso Internacional de Transplantes, dando boas-vindas à China.

Apesar de ter declarado pública e firmemente que “é contra o uso de órgãos provenientes de pessoas executadas”, a Sociedade de Transplantes TTS convida como orador inaugural para o 26º Congresso Internacional de Transplantes o Dr. Huang Jiefu, cirurgião de transplante chinês, o qual reportou ter transplantado 500 fígados até 2012, segundo o que admitiu previamente, sendo 90% destes órgãos obtidos de presos executados. Isto implica em múltiplas violações das normas éticas da TTS e em sua responsabilidade:

Em relação ao comunicado oficial publicado pela TTS em seu site www.tts.org e com base nas exaustivas investigações levadas a cabo pelo ex-Secretário de Relações Exteriores do Canadá, David Kilgour, do advogado especialista em legislação internacional de direitos humanos, David Matas, e do jornalista britânico e membro adjunto da Fundação para a Defesa das Democracias, Ethan Gutmann, que publicaram em junho de 2016 um relatório[1] que revela evidências contundentes de que a China está usando os prisioneiros de consciência como fonte de extração forçada de órgãos para transplantes.

A organização internacional não-governamental DAFOH (Doctors Against Forced Organ Harvesting), indicada ao Prêmio Nobel da Paz de 2016, expressa a sua profunda preocupação em relação à inclusão da China feita pela Sociedade de Transplantes TTS no 26º Congresso Internacional de Transplantes, e faz um apelo à comunidade internacional para colocar questões importantes à Sociedade:

I. A TTS levou a cabo alguma investigação independente para atestar ou negar a existência da extração forçada de órgãos de presos de consciência na China?

II. Se na China “o número de centros de transplante reduziu-se de mais de 600 para 168”, segundo o que afirma o site www.tts.org, como a TTS explica o aumento do número de transplantes, se estes dependem exclusivamente de doadores?

III. Como a TTS explica a altíssima disponibilidade de órgãos humanos e o curtíssimo tempo de espera conseguidos pelos centros de transplante chineses?

IV. Dada a evidência de que os órgãos são obtidos de prisioneiros de consciência e de minorias étnicas e religiosas, incluindo praticantes de Falun Gong presos na China, a TTS levou a cabo uma adequada investigação independente e exaustiva sobre a origem desses órgãos?

V. Se a TTS declara que o “programa de doação de órgãos de pessoas falecidas deve estar livre de corrupção e de incentivos financeiros” (www.tts.org), isso não é contrário ao novo sistema de doação de órgãos que a China estabeleceu, baseado principalmente nas práticas de recrutamento, nas quais oferece incentivos financeiros aos familiares de falecidos pela doação de seus órgãos?[2]

VI. Se todas as sociedades médicas afirmam que o comércio de órgãos é um ato criminoso, mas a China admite a sua venda aberta[3], a TTS não considera que essa seja uma razão fundamental para expulsar a China de sua Sociedade?

VII. Qual é a sua postura sobre a Resolução 343, aprovada pela Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, ou sobre a Declaração WD48/2016 dos Eurodeputados, ambas adotadas em 2016, que exigem medidas para colocar um fim à extração forçada de órgãos na China?

Relembramos e frisamos que em sua Carta Aberta, de julho de 2016, a Sociedade de Transplantes expressa a sua postura baseada em uma “impressão”. A carta afirma: “Com respeito à China, nossa impressão é a de que houve uma mudança na política e na prática na China.”

Enquanto a carta expressa uma impressão, a Sociedade de Transplantes não aborda as múltiplas evidências apresentadas em exaustivas investigações que comprovam as graves violações de direitos humanos na China e que exigem ações urgentes que não podem ser omitidas devido a “declarações assinadas” por médicos chineses, nem devido ao envio a estes de “diretrizes para lembrar suas responsabilidades” e nem por “visitas dirigidas” a centros de transplante chineses escolhidos, como se menciona no comunicado oficial da TTS.

A organização internacional não-governamental DAFOH faz um apelo às mídias internacionais para que contatem os centros de transplante de órgãos locais de seus respectivos países para que declarem sua postura sobre o papel da China durante o 26º Congresso Internacional da Sociedade de Transplantes e sobre a extração forçada de órgãos, que viola todos os princípios éticos e declarações de direitos humanos.

Esforços internacionais para expor esse genocídio e parar com as mortes devido à extração forçada de órgãos na China:

I. Em 22 de junho de 2016, David Matas e David Kilgour, dois proeminentes defensores de direitos humanos canadenses, junto com Ethan Gutmann, jornalista investigativo britânico, que colheram evidências durante mais de 10 anos de que a China tem utilizado praticantes de Falun Gong, uigures, muçulmanos, tibetanos e cristãos como fonte para a extração forçada de tecidos humanos, apresentaram um relatório sem precedentes, que revela o modus operandi de mais de 700 hospitais e centros de transplante conhecidos na China. Este relatório concluiu que nos últimos 16 anos podem ter sido realizados entre 1 a 1,5 milhão de transplantes. Os autores estimam que os números reais de transplantes oscilam entre 60 mil a 100 mil por ano desde o ano 2000.

II. Em junho de 2016, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou a Resolução 343 contra a extração forçada de órgãos dos praticantes de Falun Gong na China, na qual seus membros denunciam tais práticas da China como “macabras” e “repugnantes”. (https://goo.gl/uXUz0N)

III. Em julho de 2016, os Eurodeputados assinaram a Declaração WD48, que exorta o Parlamento Europeu a tomar medidas – depois de ter aprovado uma outra resolução em 2013 – e exigir o fim imediato da extração forçada de órgãos de prisioneiros de consciência executados pelo Estado chinês, incluindo dos praticantes de Falun Dafa (http://goo.gl/6tWXHJ).

IV. A DAFOH entrega às Nações Unidas anualmente a “Petição para o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos pedindo o fim imediato da extração forçada de órgãos de praticantes de Falun Gong na China”, que já foi assinada por 2 milhões de pessoas, em 53 países, incluindo o Brasil (http://www.dafoh.org/pt-br/peticao-para-nacoes-unidas/) A quantidade de médicos transplantadores e especialistas em ética que vêm tomando conhecimento sobre o que ocorre no sistema de transplantes da China e apoiam a DAFOH tem crescido.

V. Documentários que expõem a extração forçada de órgãos na China têm vencido festivais internacionais de cinema (http://goo.gl/x0Rjnb):

• Colheita Humana (Human Harvest): www.humanharvestmovie.com

Trailer: https://goo.gl/KbcTgc

• Difícil de Acreditar (Hard to Believe): www.hardtobelievemovie.com/ Trailer: https://goo.gl/wBbaZU

• China Livre: A Coragem de Crer (www.chinalibrelapelicula.com/)

Para maiores informações, por favor, entrar em contato com:

Indira Sarabia (Porta-voz do Escritório Regional da DAFOH para a América Latina

Fone: (52) 555 – 939 – 8004.

Email: [email protected]

[1] http://endorganpillaging.org/wp-content/uploads/2016/06/Bloody_Harvest-The_Slaughter-June-23-V2.pdf

[2] Ex-Ministro da Saúde: Hospitais deixam de utilizar presos executados como fonte de órgãos para transplante (Capital Times; 05-03-2014)

http://news.china.com.cn/2014lianghui/2014-03/05/content_31674738.htm      https://archive.is/WjyU4

[3] China lançará oficialmente a atribuição de órgãos para transplante e seguirá três grandes principios (Xinhua News Agency)

http://news.xinhuanet.com/politics/2013-02/26/c_114810548.htm

https://web.archive.org/web/20130301043710/http://news.xinhuanet.com/politics/2013-02/26/c_114810548.htm

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  • Paulo Airton Pavesi

    Que maravilha. A ABTO é a maior responsável pelo tráfico de órgãos no Brasil, sendo testemunhas de defesa de traficantes que matam crianças em Poços de Caldas. Eu estou asilado na Europa porque fui ameaçado por estes marginais bandidos assassinos. A ABTO é um ninho de traficantes.

    • Mônica Stephitch

      é o roto falando do rasgado

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