A cara de pau dos acusadores de Bolsonaro

Por Ricardo Roveran, Terça Livre

Em 2018, durante campanha eleitoral, o candidato Jair Bolsonaro foi acusado pela imprensa de usar robôs e perfis falsos para manipular o debate público e ganhar popularidade.

O que se descobriu quase 3 anos depois, porque “não há nada oculto que não seja revelado“, é que o ditado “xingue-os do que você é, acuse-os do que você faz“, mais uma vez foi cumprido à risca.

Segundo uma matéria da Veja intitulada “O real e o imaginário”, publicada em 20 de abril de 2018, Bolsonaro foi beneficiado por um exército de robôs e perfis fake nas redes sociais. Foi o que disse Denicoli um pesquisador. Já o jornalista que escreveu a matéria sugere que Bolsonaro tenha ganhado força na internet a partir da aplicação de estratégias do exterior e para traçar um paralelo acessível à mente, um possível exemplo, cita a teoria de que Trump tenha vencido o pleito de 2016 por interferência da Rússia.

O sujeito consultado pela Veja é Sergio Denicoli, um pesquisador, doutor em comunicação social e pós-doutor em comunicação digital pela Universidade do Minho (Portugal) e pela Universidade de Westminster (Inglaterra).

No dia seguinte, 21 de abril, o então candidato, Jair Bolsonaro, respondeu em vídeo as insinuações do veículo.

Na resposta em vídeo, ele justificou a força da campanha política com a identidade cultural brasileira, baseada em transparência e valores cristãos.

Passados quase três anos, em 12 de janeiro deste ano, o Facebook publicou um relatório denominado “comportamento inautêntico. No texto veiculado pela mídia social há uma explicação introdutória sobre o que significa “comportamento inautêntico“.

Para tal, o Facebook, chegou a criar uma teoria elegante – “Comportamento Inautêntico Coordenado” – e uma sigla para dar aquele ar de informação oficial – CIB.

Vemos o CIB como esforços coordenados para manipular o debate público para um fim estratégico onde contas falsas são centrais para a operação“, explica.

Estes esforços para manipular o debate público através do uso de tecnologia seriam feitos em duas camadas. A primeira nacional e a segunda internacional.

A empresa de Zuckerberg informou três pontos de ação:

  1. Removeu 25 contas e 3 Páginas do Facebook, e 10 contas do Instagram por violarem a política de comportamento inautêntico.

As contas eram de uma empresa de relações públicas sediada em Curitiba, no Paraná, chamada Continental.

Estranhamente, o comunicado diz que “esta rede com foco doméstico se originou no estado do Paraná, no Brasil, e quase não tinha seguidores quando a removemos.

Deve se tratar de uma técnica avançadíssima que foge à capacidade de compreensão e ultrapassa os limites da inteligência humana, pois as contas e páginas removidas do Facebook e do Instagram estavam manipulando o debate público mesmo sem ter seguidores. Telepatia, a explicação provavelmente é essa.

  1. Removeu 34 contas e 1 Página do Facebook, e 18 contas do Instagram, pelo mesmo motivo anterior.

Novamente, o relatório afirma que “quase não tinha seguidores“.

A investigação da rede social encontrou ligações com a empresa AP Exata Intelligence in Digital Communications, também de relações públicas com escritórios em Brasília, Vitória e Braga, Portugal. Guarde este nome.

  1. Removeu 663 contas do Facebook e 388 contas do Instagram, também por comportamento inautêntico.

Neste terceiro ponto temos um detalhe importante, neste caso, somados os seguidores o número se aproximou de 10 mil, mas, foi na Argentina e não no Brasil.

No mesmo dia 12 de janeiro o site do jornal A Gazeta não perdoou e expôs nada mais e nada menos que o pesquisador consultado pela Veja em 2018, o senhor Sergio Denicoli.

A apuração da Gazeta concluiu que o “relatório do Facebook cita, no caso detectado no Espírito Santo, uma ligação entre a empresa AP Exata Inteligência em Comunicação, que tem escritório em Vitória, com as pessoas que estavam por trás das contas derrubadas. O CEO da empresa, Sergio Denicoli, teve o perfil suspenso do Facebook em dezembro, assim como o da empresa. Esses perfis, contudo, não eram falsos.

E segundo o veículo, “Denicoli prestou serviços para Sergio Vidigal durante a campanha, por meio de uma outra empresa da qual é proprietário, a Exata Comunicação Digital. Conforme verificado na prestação de contas do candidato à Justiça Eleitoral, foram pagos R$ 37 mil para monitoramento de redes sociais.

Denicoli respondeu à matéria: “O CEO da AP Exata, Sergio Denicoli, negou a criação de contas falsas por parte da empresa e disse que a AP Exata, citada pelo Facebook, não presta serviços eleitorais.

Ao veículo ele acrescentou que “a conta pessoal dele do Facebook foi suspensa em dezembro, sem qualquer comunicado. Ele pretende acionar o Facebook para esclarecer as informações divulgadas no relatório.

Segundo a Gazeta, Denicoli teve também teve o perfil dele no Twitter suspenso. “O Twitter suspende as contas que violam as regras do Twitter“, diz o aviso da rede social. O empresário diz, conforme noticiado, “que a plataforma não o informou qual regra foi descumprida ou qual publicação levou à suspensão.

Houve repercussão. Os nomes citados na matéria mencionada afirmaram dois dias depois ao veículo, em 14 de janeiro, informaram ao mesmo veículo que entrariam na justiça para se defender. Denicoli, manteve a mesma postura face ao assunto.

Falando em repercussão, o caso fez eco no exterior também. O Digital Forensic Research Lab (Laboratório de Pesquisa Digital Forense – DFRLab) publicou um estudo sobre o caso naquele mesmo dia 12.

A pesquisa do DFRLab trouxe dados mais consistentes que os citados até então, expondo documentos oficiais. Sim, fez barulho lá fora.

Primeiro a pesquisa forense provou, através da prestação de contas eleitoral, a relação de Denicoli.

Em seguida, a matéria reforçou as afirmações.

E por fim, como o Brasil é um país deveras interessantíssimo, O Antagonista publicou no último dia 15 uma matéria intitulada “Bolsonaro sem oxigênio” com informações da AP Exata, sim, a empresa de Denicoli, afirmando que Bolsonaro perdeu popularidade.

Diz o texto:

O número de menções negativas subiu para 73%, um recorde, segundo a AP Exata.

As menções positivas caíram para 27% e a confiança despencou a 10,8%.

“Pedidos de impeachment nunca foram tão intensos nas redes”, diz a consultoria.

É isso.

xingue-os do que você é, acuse-os do que você faz

 

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