De 16 para 8 horas: vitória dos sindicatos ou dos empresários?

A conquista, portanto, não veio da liderança heróica da militância sindical. Ela veio, sim, da engenhosidade científica dos homens da época e da visão dos empreendedores que souberam tirar proveito de suas invenções.

A imagem que nos é vendida da era pré-sindicalismo é apocalíptica: as pessoas trabalhavam em locais insalubres, labutando 16 horas por dia, 6 dias por semana, 52 semanas por ano. Não havia licenças médicas, férias, ou qualquer outro tipo de descanso. O horror! Com o surgimento das unions britânicas, porém, houve a queda das horas de trabalho e aumento da qualidade de vida. É verdade?

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Toda a situação descrita acima é verdadeira, exceto que os sindicatos não são os responsáveis pela melhora que de fato ocorreu. A força motriz por trás dessa mudança foi a produtividade. Veja bem: em 1790, 90% da população estadunidense estava empregada na agricultura. Os cosmopolitas britânicos representavam, estima-se, por volta de 20% dos habitantes do país. Por volta de 1860, quando os sindicatos “conquistam” essas melhorias, eles eram 58% nos EUA.

Apesar dessas sociedades civis há anos procurarem a diminuição da carga horária para 8 horas ou menos, isso era economicamente impossível; um casal trabalhando esse tempo não receberia o suficiente para sustentar confortavelmente sua família. Segundo o National Bureau of Economic Research, a máquina a vapor foi responsável por um crescimento entre 22 e 41% da produtividade do trabalho. Isso, junto com a maior oferta de mão-de-obra e a consequente redução do preço das matérias-primas permitiu que as indústrias produzissem em 8 horas, 5 dias por semana, tanto ou mais do que era produzido em um período maior de labuta.

A conquista, portanto, não veio da liderança heróica da militância sindical. Ela veio, sim, da engenhosidade científica dos homens da época e da visão dos empreendedores que souberam tirar proveito de suas invenções. Fica a pergunta: será que o Brasil, que estabeleceu leis trabalhistas antes de ter uma economia produtiva, não é industrializado e rico por causa disso?

Guilherme Dalla Costa é acadêmico de Ciências Econômicas pela UNIFRA (Centro Universitário Franciscano), Coordenador Estadual da Rede Estudantes Pela Liberdade (Rio Grande do Sul) e Conselheiro Executivo do Clube Farroupilha

 
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