Estudo relaciona maior ingestão de vegetais a menores chances de sofrimento mental

O autor principal disse que as descobertas destacam a dieta como um fator-chave no bem-estar mental.

Por Naziya Alvi Rahman
14/08/2025 14:29 Atualizado: 14/08/2025 14:29
Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.

Os australianos que não consomem vegetais podem estar colocando sua saúde mental em risco, de acordo com um novo estudo que descobriu que aqueles que comem menos de uma porção por dia têm 1,6 vezes mais chances de sofrer de transtornos psicológicos em comparação com os que consomem vegetais em quantidades elevadas.

A pesquisa, baseada em dados de saúde de mais de 45.000 pessoas, associou o consumo elevado de vegetais a taxas mais baixas de depressão, ansiedade e estresse.

As mulheres parecem ser as que mais se beneficiam, com vantagens que continuam até cinco porções por dia, enquanto os ganhos dos homens atingem o pico em torno de três a quatro porções.

A autora principal, Kerri Gillespie, da Escola de Ciências Clínicas da Universidade de Tecnologia de Queensland (QUT), disse que as descobertas destacam a dieta como um fator-chave para o bem-estar mental.

“As mulheres parecem continuar se beneficiando dos vegetais em sua dieta até cinco ou mais porções por dia”, disse ela.

Fruta, fibra e refrigerantes

O estudo também descobriu que o consumo de frutas beneficia principalmente as mulheres e apenas até duas porções diárias.

Uma pesquisa online separada com 129 adultos, liderada por Gillespie, associou o consumo de sete ou mais copos de refrigerantes açucarados por semana a um aumento de quase cinco vezes no risco de depressão. Uma dieta rica em fibras foi modestamente associada a níveis mais baixos de ansiedade.

A coautora, professora Selena Bartlett, considerou os resultados “extremamente significativos”, dada a grande dimensão da amostra.

“Correlação nunca é causalidade, e temos que ter cuidado com isso, mas raramente pensamos profundamente sobre como a dieta afeta nossa saúde psicológica”, disse ela.

Os resultados revisados por pares foram publicados no International Journal of Environmental Research and Public Health e no Frontiers in Nutrition.

Aumentam as pressões sobre a saúde mental

A pesquisa surge em meio a um quadro de agravamento da saúde mental na Austrália.

O Boletim Nacional de 2024, divulgado em julho, constatou que os transtornos mentais entre pessoas de 16 a 24 anos aumentaram de 26% em 2007 para 39% em 2020-22.

O custo continua sendo uma barreira ao atendimento, com 20% dos entrevistados na Pesquisa de Experiência do Paciente da ABS adiando ou evitando o tratamento devido aos gastos — um aumento em relação aos 12% em 2020/21.

O isolamento social também contribui para o agravamento da saúde mental. A solidão afeta cerca de 15% dos australianos com 15 anos ou mais, com taxas mais que o dobro entre aqueles que vivem com condições de saúde mental de longo prazo.