UE vai estocar suprimentos médicos e outros bens essenciais na China em estratégia de redução de riscos

O bloco anunciou medidas para coordenar bens essenciais entre os países membros em situações de crise e para aumentar a produção de equipamentos médicos e produtos químicos críticos.

Por Lily Zhou
11/07/2025 13:13 Atualizado: 11/07/2025 13:13

Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.

A União Europeia apresentou planos para estocar bens essenciais, incluindo suprimentos médicos, e impulsionar a indústria química europeia.

As propostas foram anunciadas após declarações feitas na terça-feira (8) pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, de que o bloco precisa reduzir riscos à sua economia e indústria, diminuindo a dependência de importações chinesas.

Nesta quarta-feira (10), o braço executivo da UE lançou uma Estratégia de Estoque da UE e uma Estratégia de Contramedidas Médicas, com o objetivo de garantir que os Estados-membros tenham acesso a alimentos, água, energia e medicamentos em futuras crises.

O bloco de 27 países não esqueceu a pandemia de COVID-19, quando enfrentou escassez de vacinas e máscaras de proteção.

“Precisamos de uma estratégia de longo prazo para garantir que os suprimentos essenciais que mantêm a sociedade funcionando estejam sempre disponíveis”, afirmou a comissária europeia Hadja Lahbib em entrevista coletiva.

Como parte da Estratégia de Estoque da UE, será criada uma rede em todo o bloco para permitir que os Estados-membros coordenem seus esforços de armazenamento. O objetivo é reforçar os estoques do que estiver em falta da forma mais eficaz possível e melhorar o transporte desses suprimentos.

“Sabemos que alguns países estão fazendo estoques por conta própria, mas não sabemos quem tem o quê. O primeiro passo é trocar informações”, disse Lahbib.

A estratégia também busca fortalecer a cooperação entre civis e militares, além de parcerias entre os setores público e privado.

A Estratégia de Contramedidas Médicas foi elaborada para acelerar o desenvolvimento, a produção, a distribuição e o acesso a suprimentos médicos dentro da União Europeia.

Na terça-feira, a UE anunciou um Plano de Ação separado para a Indústria Química, com o objetivo de impulsionar a produção de produtos químicos críticos — essenciais para setores como defesa, tecnologias limpas e digital.

De acordo com o plano, o setor químico europeu está presente em mais de 96% dos produtos manufaturados, mas sua participação no mercado global foi reduzida pela metade desde 2003, enquanto concorrentes como a China se consolidaram como grandes players.

Até 30 de junho, a Comissão Europeia havia aplicado 46 medidas relacionadas à importação de produtos químicos. A maioria dessas medidas, segundo o documento, “diz respeito a importações da China, provavelmente devido ao acúmulo de grandes excessos de capacidade produtiva”. 

Ao se dirigir aos membros do Parlamento Europeu na terça-feira, durante um debate sobre as relações entre a UE e a China, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o regime chinês restringiu o acesso da União Europeia ao mercado chinês, enquanto permite que produtos chineses subsidiados inundem os mercados globais.

“Essas realidades representam, de fato, um desafio que a Europa precisa enfrentar. E já começamos a lidar com esses desafios — seja por meio da redução de riscos à nossa economia e indústria, do uso de nossa nova caixa de ferramentas de medidas de defesa comercial, ou da diversificação de nossas cadeias de suprimentos em setores onde a China exerce dependência, senão monopólio”, disse ela.

Von der Leyen afirmou que, para que a parceria entre a UE e a China avance, é necessário haver “um reequilíbrio genuíno: menos distorções de mercado, menor excesso de capacidade exportado pela China e um acesso justo e recíproco para empresas europeias na China”.

Em junho, a UE proibiu empresas chinesas de dispositivos médicos de participarem de licitações públicas no bloco com valores acima de 5 milhões de euros (US$ 5,7 milhões), citando “barreiras legais e administrativas significativas e recorrentes” impostas por Pequim, que impedem fornecedores europeus de acessarem contratos públicos na China.

Como retaliação, o governo chinês impôs novas restrições em 6 de julho, proibindo fornecedores com sede na UE de participarem de licitações públicas na China com valores superiores a 45 milhões de yuans (US$ 6,3 milhões).

Reuters contribuiu para esta matéria.