UE pressiona China por apoio à guerra da Rússia e restrições à exportação de terras raras

O apoio de empresas chinesas à guerra da Rússia na Ucrânia representa uma "ameaça séria" à segurança europeia, afirmou a chefe de política externa da UE, Kaja Kallas.

Por Frank Fang
09/07/2025 10:54 Atualizado: 09/07/2025 10:54
Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.

A chefe de política externa da União Europeia, Kaja Kallas, disse ao seu homólogo chinês que Pequim deve suspender as restrições à exportação de terras raras e parar de facilitar a guerra da Rússia na Ucrânia.

Kallas recebeu o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, na quarta-feira (2), em Bruxelas, para a 13ª rodada do diálogo estratégico. Segundo comunicado do serviço diplomático da UE, as discussões tiveram como objetivo preparar o terreno para uma cúpula entre os líderes dos dois lados ainda neste mês.

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, viajarão à China para se reunir com o líder chinês Xi Jinping e o primeiro-ministro Li Qiang nos dias 24 e 25 de julho.

Durante a reunião com Wang, Kallas “pediu que a China ponha fim às suas práticas distorcivas, incluindo as restrições à exportação de terras raras, que representam riscos significativos para empresas europeias e colocam em risco a confiabilidade das cadeias globais de suprimento”, segundo o comunicado.

Sobre comércio, Kallas afirmou que Pequim deve buscar “soluções concretas para reequilibrar a relação econômica, garantir condições equitativas de concorrência e melhorar a reciprocidade no acesso aos mercados”. 

Kallas também “destacou a ameaça séria que o apoio de empresas chinesas à guerra ilegal da Rússia representa para a segurança europeia”. 

Pequim deve “cessar imediatamente todo apoio material que sustente o complexo militar-industrial da Rússia” e apoiar “um cessar-fogo total e incondicional, além de uma paz justa e duradoura na Ucrânia, com base no pleno respeito à Carta das Nações Unidas”, afirmou Kallas.

Ex-primeira-ministra da Estônia, Kallas assumiu o cargo atual na União Europeia em dezembro do ano passado, substituindo Josep Borrell. Ela se encontrou com Wang pela primeira vez em fevereiro, à margem da Conferência de Segurança de Munique.

Em sua resposta a uma pergunta parlamentar em fevereiro, Kallas chamou a China de “um dos principais facilitadores da guerra da Rússia” e “o maior fornecedor de bens de uso dual e itens sensíveis que sustentam a base militar-industrial russa e que são encontrados no campo de batalha na Ucrânia”.

“Sem o apoio da China, a Rússia não conseguiria manter sua agressão militar com a mesma intensidade”, afirmou Kallas na ocasião.

Kallas disse que a União Europeia incluiu 33 entidades sediadas na China e em Hong Kong em uma lista de restrições específicas de exportação. Ela também mencionou uma ação da UE em dezembro, quando seis empresas chinesas e um cidadão chinês foram incluídos em sanções completas, que envolvem proibição de viagem e congelamento de bens, por fornecerem componentes de drones e microeletrônicos em apoio à guerra da Rússia.

Na reunião de quarta-feira, Kallas também discutiu com Wang temas como Taiwan, Oriente Médio e preocupações com direitos humanos na China.

Sobre Taiwan, Kallas afirmou que a UE continua comprometida com sua “política de Uma Só China” e se opõe a “qualquer tentativa unilateral de alterar o status quo, inclusive por meio da força ou coerção.”

Segundo um comunicado do Ministério das Relações Exteriores da China, Wang disse a Kallas que a UE deve aderir ao “princípio de Uma Só China” defendido pelo regime chinês.

Os Estados Unidos e a UE há muito tempo mantêm uma “política de Uma Só China”, que reconhece a existência de apenas um Estado soberano com o nome “China”, mas é diferente do “princípio de Uma Só China”, pelo qual o regime chinês reivindica soberania sobre Taiwan.

Na quinta-feira (3), o Ministério das Relações Exteriores de Taiwan divulgou um comunicado elogiando as declarações de Kallas sobre Taiwan durante sua reunião com Wang. A pasta acrescentou que continuará fortalecendo os laços com parceiros com valores semelhantes, como a UE, para proteger a ordem internacional baseada em regras.

Autoridades da UE disseram que usariam a reunião entre Kallas e Wang para pressionar a China a utilizar sua influência, como principal compradora de petróleo do Irã, para pressionar Teerã a fechar um acordo sobre seus programas nucleares e aliviar o conflito no Oriente Médio.

O comunicado da UE não comentou se esses esforços tiveram algum resultado.

No entanto, afirmou que Kallas e Wang “concordaram sobre a importância do Tratado de Não Proliferação Nuclear como pedra angular do regime global de não proliferação.”

França, Reino Unido, Alemanha e União Europeia são partes de um acordo nuclear de 2015 com o Irã, do qual os Estados Unidos se retiraram em 2018.

Em 30 de junho, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que não estava oferecendo nada ao Irã e que não havia planos para negociações com Teerã. O Exército dos EUA bombardeou três instalações nucleares no Irã em 21 de junho.

A agência Reuters contribuiu para esta matéria.