Turquia detém 53 enquanto protestos continuam contra prisão do prefeito de Istambul

Ekrem Imamoglu, um rival de destaque do presidente Recep Tayyip Erdogan, foi preso na quarta-feira sob acusações de corrupção.

Por Guy Birchall
21/03/2025 16:37 Atualizado: 21/03/2025 16:37
Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.

O governo turco deteve 53 pessoas em meio à repressão aos protestos após a prisão de um importante rival do presidente Recep Tayyip Erdogan, informou o Ministério do Interior, na sexta-feira (21).

O ministro do Interior, Ali Yerlikaya, disse que 16 policiais ficaram feridos em protestos que ocorreram em campi universitários, sedes municipais de Istambul e outros lugares na quinta-feira.

O governo de Ancara também alertou contra os apelos “ilegais” do principal partido de oposição, o Partido Republicano do Povo (CHP), para mais protestos de rua pela detenção do prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu, depois que milhares de pessoas se manifestaram na Turquia nos últimos dois dias.

Imamoglu, o principal rival de Erdogan, foi detido na quarta-feira (19) e enfrenta acusações que incluem exploração de sua posição para ganho financeiro, alocação indevida de contratos governamentais e auxílio a um grupo terrorista proscrito.

O CHP condenou a detenção e acusação do prefeito como motivadas politicamente e pediu que as pessoas se manifestassem legalmente.

Líderes europeus também criticaram a detenção como um retrocesso democrático.

O atual chanceler alemão, Olaf Scholz, expressou preocupação com a detenção de Imamoglu, dizendo que era um “sinal muito, muito ruim” para as relações da Turquia com a União Europeia.

Scholz declarou que foi “deprimente para a democracia na Turquia, mas certamente também deprimente para o relacionamento entre a Europa e a Turquia”.

“Só podemos pedir que isso acabe imediatamente e que a oposição e o governo entrem em competição entre si, e não que a oposição seja levada ao tribunal”, afirmou.

A Alemanha abriga a maior comunidade turca fora da Turquia.

Yerlikaya e o ministro da Justiça turco, Yilmaz Tunc, criticaram os apelos por ação do líder do CHP, Ozgur Ozel, como “irresponsáveis” em meio à proibição de quatro dias de reuniões públicas que eles instituíram.

“O direito de reunião e manifestação é um direito fundamental. No entanto, chamadas de rua feitas com base em investigações judiciais em andamento são ilegais e inaceitáveis”, alegou Tunc em uma publicação na plataforma de mídia social X.

Tunc argumentou que o tribunal era o local para responder aos procedimentos legais e apelou à calma, acrescentando que o “judiciário independente e imparcial” estava avaliando o caso.

Ele também alertou contra a vinculação de Erdogan à detenção de Imamoglu, dizendo: “É inapropriado e desrespeitoso vincular investigações iniciadas pelo judiciário com nosso estimado presidente”, de acordo com o Türkiye Today.

Manifestações ocorreram na quinta-feira (20) em todo o país, com a polícia fazendo barricadas em várias ruas principais das cidades.

A polícia bloqueou um grupo de jovens que tentava furar uma barricada para marchar em direção à Praça Taksim, no centro de Istambul, e usou spray de pimenta para dispersá-los.

Na capital Ancara, a polícia usou gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar um protesto na prestigiosa Universidade Técnica do Oriente Médio da cidade.

Manifestações também eclodiram nas cidades de Adana e Izmir.

Erdogan rejeitou as críticas do CHP como “teatralidade” e “slogans” projetados para distrair.

Falando no principal comício de Istambul na noite de quinta-feira (20), Ozel respondeu: “Ei, Erdogan, você tem mais medo das ruas. Agora estamos nas ruas, nas praças. Continue com medo.”

“Enquanto vocês mantiverem aquele que elegemos preso, não ficaremos em casa”, discursou ele diante de milhares de apoiadores.

“Sr. Tayyip, você está assustado e está perguntando: ‘Você está chamando as pessoas para as ruas? Você está chamando as pessoas para as praças?’ Sim. Eu não enchi essas praças ou essas ruas, você encheu.”

O prefeito de Ancara, Mansur Yavas, outra figura popular da oposição, juntou-se à manifestação, convocando todos os partidos da oposição a unirem forças contra as “injustiças”.

Desde que Imamoglu foi detido, muitos apoiadores pediram uma ação mais organizada do CHP, o que torna os comentários de Ozel uma escalada significativa de pressão sobre o regime de Erdogan.

A ação contra Imamoglu, 54, prefeito de dois mandatos, ocorre no momento em que o CHP estava prestes a anunciá-lo como candidato presidencial no domingo (16).

Ele pediu que pessoas não filiadas ao partido votassem nele nas urnas por todo o país, como um sinal de resistência pública a Erdogan e seu Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP).

Nenhuma eleição presidencial está marcada até 2028, mas Erdogan, que ocupa o cargo desde 2014, pode convocá-la mais cedo para evitar atingir o limite de dois mandatos se decidir concorrer novamente.

Antes de se tornar presidente, o líder do AKP, de 71 anos, foi primeiro-ministro do país da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) por 11 anos.

A detenção de Imamoglu encerra uma repressão legal contra figuras da oposição, que dura meses, e foi rotulada como uma tentativa de sabotar as perspectivas eleitorais de políticos rivais e silenciar a dissidência.

O AKP rejeita essas acusações.

Ancara reduziu drasticamente a desobediência civil desde que os protestos de 2013, no Parque Gezi, contra Erdogan desencadearam uma repressão violenta do Estado.

Em uma entrevista na quinta-feira (20), Ozel declarou à Reuters que seu partido resistiria, mas não perturbaria a ordem pública.

Ele prometeu resistir a qualquer tentativa potencial das autoridades de removê-lo e aos funcionários do CHP da sede do município, onde estão hospedados desde a detenção de Imamoglu.

O partido resistiria a qualquer substituição injusta de Imamoglu, ele disse.

Um indicado do governo pode substituir o prefeito se ele for formalmente preso nos próximos dias como parte da investigação que o acusa de auxiliar o ilegal Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), considerado uma organização terrorista pela Turquia e seus aliados no Ocidente.

Sua detenção ocorreu um dia depois de uma universidade anular seu diploma, o que, se mantido, o impediria de concorrer à presidência, segundo as regras constitucionais que exigem que os candidatos tenham diplomas de quatro anos.

A Reuters e a Associated Press contribuíram para esta reportagem.