Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse em 31 de julho que seria “muito difícil” chegar a um acordo comercial com o Canadá depois que o primeiro-ministro Mark Carney anunciou planos para reconhecer um Estado palestino.
As declarações de Trump foram feitas um dia antes do prazo final de 1º de agosto para um novo acordo tarifário entre os dois países. O Canadá é o segundo maior parceiro comercial dos EUA, comprando US$ 349,4 bilhões em produtos americanos em 2024 e exportando US$ 412,7 bilhões para os Estados Unidos.
Se nenhum acordo for alcançado, os EUA devem impor uma tarifa de 35% sobre todos os produtos canadenses não cobertos pelo Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA).
“Uau! O Canadá acaba de anunciar que apoia a criação de um Estado palestino. Isso tornará muito difícil para nós fazer um acordo comercial com eles”, afirmou Trump em uma postagem no Truth Social.
Em 28 de julho, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, disse que as negociações comerciais com os Estados Unidos estavam em uma fase intensa e sugeriu que um acordo pode ser possível.
Carney já havia reconhecido que era improvável que o Canadá evitasse totalmente as tarifas, indicando que, embora um acordo sem tarifas fosse improvável, o tamanho e o escopo das tarifas ainda estavam em discussão.
“Não tivemos muita sorte com o Canadá. Acho que o Canadá pode ser um dos países que simplesmente pagará as tarifas, não é realmente uma negociação”, disse Trump aos repórteres na Casa Branca em 25 de julho.
A tarifa iminente de 35% sobre produtos canadenses que entram nos Estados Unidos seria um aumento em relação ao nível atual de 25% para importações não compatíveis com o USMCA, que foi imposta ao Canadá devido às preocupações do presidente Donald Trump com a segurança nas fronteiras relacionadas ao fentanil e à imigração ilegal.
Em resposta, Ottawa introduziu uma série de medidas, incluindo a alocação de US$ 1,3 bilhão para segurança nas fronteiras e a nomeação de um “czar do fentanil”.
Washington sinalizou que espera que mais medidas sejam tomadas.
Trump disse que, se o Canadá responder com tarifas de retaliação, isso poderá levar a novos aumentos tarifários por parte dos Estados Unidos. O Canadá não anunciou nenhuma contramedida. Carney disse que o governo tem defendido consistentemente os trabalhadores e as empresas e continuará a fazê-lo antes do prazo final de 1º de agosto.
O Japão e a União Europeia assinaram acordos comerciais com os Estados Unidos que ainda incluem tarifas de até 15% sobre exportações importantes, como aço e alumínio.
O Acordo de Prosperidade Econômica entre o Reino Unido e os EUA, firmado em maio, inclui uma tarifa de 10% sobre os primeiros 100.000 carros britânicos exportados anualmente para os Estados Unidos, aumentando para 25% acima desse valor. Os embarques de aço do Reino Unido não sofrerão tarifas, evitando a taxa setorial de 25%.
Tensões pelo reconhecimento da Palestina
As declarações de Trump foram feitas depois que Carney disse, em 31 de julho, que o Canadá planeja reconhecer a Palestina como um Estado na 80ª Assembleia Geral da ONU em setembro, dependendo de reformas pela Autoridade Palestina. Essas reformas incluem a realização de eleições gerais em 2026, nas quais o grupo terrorista Hamas não poderá participar, e a rejeição da militarização de um Estado palestino.
Carney disse que havia conversado com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e discutido a situação humanitária em Gaza e uma solução para dois Estados.
Embora Carney tenha afirmado que o Canadá continua a apoiar o direito de Israel de existir em paz e segurança, ele disse que uma paz duradoura requer um Estado palestino viável e reformado.
Israel rejeitou a declaração de Carney sobre o reconhecimento de um Estado palestino.
“A mudança na posição do governo canadense neste momento é uma recompensa para o Hamas e prejudica os esforços para alcançar um cessar-fogo em Gaza e um acordo para a libertação dos reféns”, disse o Ministério das Relações Exteriores de Israel em 31 de julho.
O anúncio do Canadá segue declarações semelhantes da França e do Reino Unido.
Autoridades americanas criticaram a decisão dos países europeus de reconhecer um Estado palestino.
“Os Estados Unidos não participarão desse insulto, mas continuarão liderando esforços reais para acabar com os combates e alcançar uma paz permanente”, disse a porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Tammy Bruce, em 28 de julho.



