Sistema de saúde britânico vai lançar exame de sangue “revolucionário” para câncer de pulmão

O exame, conhecido como biópsia líquida, detecta vestígios de DNA tumoral no sangue.

Por PA Media
30/05/2025 12:29 Atualizado: 31/05/2025 12:43
Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.

As autoridades britânicas anunciaram que pessoas com câncer de pulmão vão receber um novo exame de sangue desenvolvido para acelerar o acesso a tratamentos direcionados e evitar biópsias desnecessárias.

Segundo o NHS England (serviço público de saúde da Inglaterra), cerca de 15 mil pacientes por ano devem se beneficiar dessa iniciativa inédita no mundo.

O exame, conhecido como biópsia líquida, utiliza uma amostra de sangue para identificar fragmentos minúsculos de DNA tumoral e detectar mutações. Isso permite que os pacientes tenham acesso mais rápido a terapias adaptadas ao perfil genético da doença.

De acordo com autoridades, o teste também será usado em pacientes com câncer de mama para identificar uma variedade maior de alterações genéticas e avaliar se são elegíveis a tratamentos direcionados.

Especialistas estão estudando como as biópsias líquidas podem ser aplicadas a outros tipos de câncer. Atualmente, o câncer de pulmão costuma ser diagnosticado com exames de imagem e biópsias convencionais, nas quais é retirada uma amostra de tecido pulmonar para análise microscópica.

Embora essas amostras também possam passar por testes genômicos — que revelam mutações ligadas ao desenvolvimento do câncer —, a biópsia líquida oferece resultados mais rápidos. Cerca de 10 mil pessoas com o tipo mais comum de câncer de pulmão, o de não pequenas células, já fizeram o teste como parte de um projeto-piloto do NHS em 176 hospitais.

A ampliação do programa deve beneficiar 15 mil pacientes a cada ano.

“As biópsias líquidas estão nos levando a uma nova era de cuidados personalizados no tratamento do câncer, e é fantástico que agora possamos expandir o uso desse exame revolucionário no NHS para personalizar o tratamento de milhares de pacientes em todo o país”, afirmou o professor Peter Johnson, diretor clínico nacional de oncologia do NHS.

O projeto-piloto mostrou que pacientes submetidos à biópsia líquida conseguiram tomar decisões sobre o tratamento em média 16 dias antes dos que fizeram biópsia de tecido. Uma análise independente estimou que o exame pode gerar uma economia de até 11 milhões de libras (aproximadamente R$ 84,8 milhões) por ano para o sistema de saúde no tratamento do câncer de pulmão.

Segundo autoridades, o NHS também estuda o uso da biópsia líquida para outros tipos de câncer, como os de pâncreas e vesícula biliar.

O exame será aplicado ainda em pacientes com câncer de mama avançado que não responderam aos tratamentos, para verificar se apresentam alterações genéticas que possam ser tratadas com terapias direcionadas.

A expectativa é que 5 mil mulheres por ano sejam beneficiadas com a medida.
“A tecnologia de testes genômicos de ponta está nos ajudando a oferecer tratamentos mais direcionados e menos agressivos, permitindo que alguns pacientes evitem terapias intensas, como sessões adicionais de quimioterapia, que podem ter grande impacto”, acrescentou o professor Johnson.

“Já estamos vendo a diferença que esse exame pode fazer no tratamento dos cânceres de pulmão e mama, e esperamos estendê-lo para outros tipos da doença em um futuro próximo. À medida que a pesquisa avança, é empolgante pensar que essa abordagem pode permitir ‘vasculhar’ o corpo com um único exame de sangue para identificar onde e como o câncer pode estar se desenvolvendo — e combatê-lo com rapidez e precisão para salvar mais vidas.”

Health Secretary Wes Streeting in Downing Street, London, on Feb. 12, 2025. (Jordan Pettitt/PA Wire)

O secretário de Saúde, Wes Streeting, em Downing Street, Londres, em 12 de fevereiro de 2025 (Jordan Pettitt/PA Wire)

O secretário de Saúde britânico, Wes Streeting, afirmou que o novo exame “vai trazer tranquilidade a milhares de pessoas.”

A professora Dame Sue Hill, diretora científica do NHS na Inglaterra, declarou que “isso representa uma verdadeira mudança no atendimento a pacientes com câncer de pulmão e mama elegíveis ao tratamento pelo NHS”.

“Esse exame está transformando os cuidados médicos e ajudando os profissionais a identificar mais cedo os pacientes que podem se beneficiar de terapias direcionadas, especialmente quando não há tecido tumoral disponível”, explicou Hill. “Com isso, os tratamentos com potencial para prolongar a vida podem ser iniciados com mais rapidez e precisão. Esse exame é um ótimo exemplo de como o NHS está aproveitando os avanços tecnológicos genômicos para levar o que há de mais inovador aos pacientes.”

Em janeiro, Rebeca Proctor, de 41 anos, moradora de Carlisle, foi diagnosticada com câncer de pulmão de não pequenas células em estágio 4.

Os resultados de uma biópsia líquida mostraram que ela tinha uma mutação genética chamada ALK, o que permitiu o início imediato do tratamento direcionado com brigatinibe.

Cerca de dez dias depois, uma biópsia de tecido confirmou a mesma mutação.

“Quando descobri que tinha câncer em estágio 4, foi como levar um soco no estômago”, lembrou Proctor. “Eu fiquei com medo — só conseguia pensar nos meus filhos, se eu conseguiria ver minha menininha começar a ir para a creche, e como explicaria o diagnóstico para eles. Foi de partir o coração só pensar nisso. Mas a medicação me devolveu a vida, e meus filhos têm a mãe deles de volta.”

“Estou vivendo um dia de cada vez e, por enquanto, o tratamento está fazendo o que deveria: diminuindo o tumor, e eu recuperei minha energia”, afirmou a paciente. “Sei que não vou ser curada, mas já aceitei o diagnóstico e os comprimidos estão impedindo que as células cancerígenas se espalhem”, acrescentou. “Vamos continuar lutando e enfrentando o que vier.”