Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.
O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, confirmou que candidatos a visto estão sendo submetidos a triagens para identificar visões antissemitas, após a enviada especial Jillian Segal recomendar processos mais rigorosos para lidar com o problema.
Durante uma coletiva de imprensa, Albanese foi questionado se concordava com a posição de Segal de que, caso uma pessoa “sugira que o Estado de Israel deve ser eliminado”, ela “deveria ser deportada”.
Albanese respondeu: “Temos nosso sistema, que inclui verificações de segurança, e isso é uma condição que aplicamos de forma geral — examinamos se alguém é uma pessoa apropriada para receber um visto para a Austrália”.
“Fazemos isso de forma abrangente. Mantemos os australianos em segurança. É isso que fazemos.”
Albanese citou a decisão recente de impedir a entrada do rapper americano Kanye West no país, após o lançamento da música Heil Hitler.

Grupo Vozes Judaicas expressa preocupação com definição ampla demais
As declarações de Albanese foram feitas em meio ao debate sobre o alcance das recomendações apresentadas no “Plano da Enviada Especial para Combater o Antissemitismo (pdf)”.
O grupo Jewish Voices of Inner Sydney divulgou um comunicado manifestando preocupação com a proposta de adoção da definição de antissemitismo da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA) e com a possibilidade de conceder a Jillian Segal o poder de cortar verbas de universidades e instituições culturais acusadas de promover antissemitismo.
A definição adotada pela IHRA em 26 de maio de 2016 é:
“Antissemitismo é uma certa percepção dos judeus, que pode se manifestar como ódio contra judeus. As manifestações retóricas e físicas de antissemitismo são dirigidas a indivíduos judeus ou não judeus e/ou à sua propriedade, bem como a instituições comunitárias judaicas e instalações religiosas.”
O grupo também criticou o fato de Jillian Segal não ter apresentado exemplos específicos de australianos sendo expostos a narrativas distorcidas e tendenciosas sobre Israel.
“Parece claro que Segal considera que reportagens e discussões críticas a Israel são, por natureza, tendenciosas contra Israel.”
Preocupações com o impacto sobre liberdades individuais
O Conselho de Liberdades Civis de Nova Gales do Sul alertou que algumas recomendações não “alcançam o equilíbrio adequado” em relação ao respeito às liberdades civis, como o direito de protestar.
Entre as 49 recomendações estão o fortalecimento das leis contra discurso de ódio, a limitação do impacto da inteligência artificial e de algoritmos na disseminação de conteúdo antissemita, e a vinculação do financiamento público a universidades e instituições culturais ao cumprimento de diretrizes contra o antissemitismo.
O presidente do Conselho de Liberdades Civis de Nova Gales do Sul, Timothy Roberts, afirmou que governos em toda a Austrália estão “aprovando leis e políticas que reprimem discursos políticos legítimos para silenciar protestos e impedir reuniões públicas”.
“Tudo isso está acontecendo em um contexto em que críticas legítimas ao governo de Israel estão sendo confundidas com antissemitismo — às vezes de forma deliberada”, disse ele ao The Guardian.
“Este relatório, elaborado por uma enviada não eleita, contém muitas recomendações que não reconhecem adequadamente esse contexto e não encontram o equilíbrio necessário. Se o governo não levar essas preocupações em conta, nossas liberdades civis serão comprometidas e nossa comunidade, ainda mais dividida.”
Segal defende as propostas
Jillian Segal tem defendido suas propostas como necessárias e proporcionais.
“O documento é um projeto que envolve toda a sociedade e foca na educação sobre o que é antissemitismo,” disse Segal à rádio ABC.
“Existem pontos críticos onde temos casos arraigados — eu diria antissemitismo, mas certamente ódio — e precisamos enfrentar essas áreas especificamente, como nas universidades.”
Outras propostas do plano de 10 de julho incluem um sistema de “boletim” para avaliar como as universidades lidam com incidentes antissemitas.
Segal também pediu uma investigação sobre fontes estrangeiras de financiamento para atividades nos campi universitários e sugeriu a possibilidade de uma investigação judicial até 2026.
Os meios de comunicação também poderiam ser pressionados a incentivar uma “reportagem precisa, justa e responsável”, com o corte imediato de financiamentos para emissoras, eventos artísticos e instituições culturais que facilitem ou tolerem condutas antissemitas.



