Polônia se prepara para eleições presidenciais

Os poloneses vão às urnas no domingo para escolher seu novo chefe de Estado em uma eleição que será um termômetro para o país.

Por Guy Birchall
16/05/2025 11:13 Atualizado: 16/05/2025 11:13
Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.

A Polônia vai às urnas no domingo (18) para uma eleição presidencial que servirá como um indicador da direção política do país.

O governo pró-União Europeia em Varsóvia diz que esta votação tem o potencial de revigorar sua posição, enquanto a oposição nacionalista vê isso como uma chance de “Tornar a Polônia Grande Novamente”, na linha da promessa do presidente dos EUA, Donald Trump, de “Tornar a América Grande Novamente” (MAGA).

A presidência da Polônia tem escopo limitado em comparação aos cargos equivalentes em Paris ou Washington, com o titular sendo chefe de Estado e comandante em chefe, mas detendo apenas poderes executivos limitados, além da capacidade de vetar legislação.

O presidente também deve renunciar a qualquer fidelidade partidária ao assumir o cargo.

Pesquisas de opinião mostram o prefeito liberal de Varsóvia, Rafal Trzaskowski, 53, um aliado da coalizão governista, como provável vencedor, embora um segundo turno, a ser realizado em 1.º de junho, provavelmente ocorra antes disso.

Em segundo lugar nas pesquisas para substituir o titular Andrzej Duda após seus dois mandatos no cargo está o boxeador amador e historiador conservador Karol Nawrocki, 42, que é apoiado pelo partido de oposição nacionalista Lei e Justiça (PiS).

O empreendedor multimilionário e conservador Slawomir Mentzen, 38, está em terceiro.

Tanto Nawrocki quanto Mentzen apoiam Trump, criticando a imigração ilegal e as agendas progressistas e aprovando a mensagem MAGA do presidente dos EUA.

Karol Nawrocki (E), candidato presidencial apartidário apoiado pelo Partido Lei e Justiça, durante a convenção do partido em Cracóvia, Polônia, em 24 de novembro de 2024 (Omar Marques/Getty Images)

A eleição coincide com o segundo turno presidencial na Romênia, onde o nacionalista George Simion é o atual favorito.

No entanto, na Polônia, Trzaskowski parece ter chances de derrotar seus rivais nacionalistas.

Se o fizer, ele prometeu trabalhar com o primeiro-ministro Donald Tusk para desfazer as mudanças no Judiciário polonês feitas pelo governo anterior do PiS, que, segundo os críticos, corroeram os freios e contrapesos democráticos.

O PiS perdeu a maioria para a coalizão de Tusk nas eleições de outubro de 2023, após quase uma década no poder, em meio a uma onda de raiva sobre seu histórico em relação aos direitos das mulheres e das minorias.

No entanto, durante o mandato de Duda como presidente, ele usou poderes de veto para bloquear muitas das políticas de Tusk.

“Os riscos nesta eleição são tão altos quanto eram em 15 de outubro”, disse Tusk no parlamento em abril.

“Então, espero mobilização. (…) É difícil governar ao lado de um presidente hostil, com todos esses vetos.”

Todos os três candidatos prometeram continuar apoiando a Ucrânia com armas, mas discordaram sobre quanta ajuda deve ser dada aos refugiados que fogem do país.

Prefeito de Varsóvia e candidato presidencial, Rafal Trzaskowski, em Varsóvia, Polônia, em 23 de novembro de 2024 (Omar Marques/Getty Images)

Nawrocki e Mentzen também se opõem à adesão do governo de Kiev à OTAN e enfatizam que os interesses de Varsóvia estão com os Estados Unidos, enquanto Trzaskowski busca um papel maior para a Europa no manejo da guerra na Ucrânia.

“Apoiamos a Ucrânia (…) em seus esforços para derrotar a Rússia pós-soviética. Isso é óbvio”, disse Nawrocki durante um debate televisionado na segunda-feira (12).

“É do interesse estratégico da Polônia repelir a ameaça neoimperialista da Rússia.

“Como presidente (…) construirei a aliança polonesa-americana e não concordarei que a UE se torne uma substituta da OTAN.”

Nawrocki e Mentzen também dizem que os interesses dos poloneses étnicos devem ter precedência sobre os dos refugiados ucranianos, dos quais a Polônia recebeu milhões desde o início da guerra.

Apesar de uma vantagem de cerca de oito pontos sobre Nawrocki, Trzaskowski pode ter dificuldades em um segundo turno entre os dois, dizem observadores políticos.

Trzaskowski teve problemas em áreas rurais, onde Nawrocki é frequentemente visto como alguém que entende melhor as questões de custo de vida e migração.

No entanto, o apoio a Nawrocki caiu nas últimas semanas, em meio a alegações de que ele mentiu em sua declaração de patrimônio e usou um apartamento que havia tomado de um aposentado.